Especialistas apontam quais são as profissões do futuro

Quais profissões estão em alta no mercado de trabalho? E daqui a três, quatro anos, quando os vestibulandos de hoje se formarem, o mercado de trabalho estará receptivo para a profissão escolhida.

Quais são as profissões que estão mais valorizadas pelo mercado de trabalho hoje? E daqui a três, quatro anos, quando chegar ao fim a graduação, elas ainda serão as mais procuradas pelos empregadores? E quais as áreas em que os profissionais enfrentarão dificuldades para encontrar emprego? Essas com certeza são algumas das muitas perguntas que passam pela cabeça dos vestibulandos na hora de escolher um curso superior. Especialistas consultados pela Gazeta do Povo Online afirmam que é difícil prever o futuro, mas é possível indicar tendências.

Mesmo assim, não há consenso. Dos consultores de carreira e profissionais de empresas de recursos humanos que foram consultados, alguns apontam profissões pontuais, outros fazem levantamentos estatísticos e revelam caminhos. Também há os que não acreditam ser possível esse tipo de previsão, em razão das constantes mudanças do mercado, e os que apostam que o que realmente importa não é a área, e sim uma boa qualificação. No entanto, todos dizem que, seja qual for o futuro, é necessário estar bem preparado para ele.

Como se preparar

Todos os especialistas consultados concordam que é muito importante estar bem preparado para o futuro, seja qual for. E para isso, é necessário nunca parar de se qualificar. “A única certeza que tenho é que em qualquer profissão que escolherem não poderão nunca mais parar de estudar. Os profissionais precisarão estar cada vez mais bem preparados, uma vez que estarão competindo em um mercado globalizado e de mudanças cada vez mais velozes”, diz Sergio Cesarino, diretor executivo do Grupo Catho em Curitiba.

Ainda de acordo com Cesarino, serão criados cada vez mais cursos e profissões novas e, ao mesmo tempo, cada profissional deverá saber cada vez mais sobre outras áreas. “A tendência é de sinergia e fusão de várias áreas do conhecimento humano como ciência, tecnologia, sociologia, filosofia e arte”, explica. “O que está em baixa hoje é o profissional pouco preparado, com conhecimento específico, sem domínio de línguas estrangeiras e que queiram trabalhar apenas em grandes centros. Nenhuma profissão por si só está em baixa”, completa.

As dicas de Cesarino para os estudantes são simples. A primeira é sobre outros idiomas: “Para todas as profissões, em quase 100% dos casos, só os profissionais que falem pelo menos uma língua estrangeira é que terão chances de sucesso”, diz. A segunda, é sobre a formação: “Recomendo que os estudantes iniciem sua preparação de nível superior pelo curso que acharem mais adequado às suas habilidades e interesses. […] O mais importante não será a graduação, mas a certeza que não poderão parar de estudar e se aperfeiçoar nunca”, completa.

Marcos Schlemm, consultor sênior da Acta – Educação, RH e Carreira, também atenta para o fato de que a graduação é apenas um ponto de partida. “O mercado olha muito para as competências. Por exemplo, o profissional deve ser flexível, ter capacidade de adaptação e conhecer outras línguas”, explica.

“O bom profissional hoje é muito distante do bom profissional do passado. Hoje é necessário comunicar, ser pró-ativo, e ter uma vida pessoal em equilíbrio. O fato de não praticar esportes, por exemplo, pode influenciar no desempenho do profissional”, afirma a analista e consultora profissional Lígia Guerra. “Outro fator a se levar em conta, é que hoje se pensa em um papel social do trabalho. É aquilo que dá sentido para nossa atividade, um significado. É o amor por isso que nos faz ir além do que aprendemos na faculdade por vontade própria”, completa.

Thainá Noda Vendrami, 17 anos, é uma dessas estudantes que ainda está em dúvida sobre para qual curso fazer o vestibular, mas conta que a valorização da profissão conta bastante. “Por mais que muitas pessoas digam que não influencia, o quanto vou ganhar é, sim, uma preocupação”, diz. Fazendo cursinho preparatório no Dom Bosco, em Curitiba, conta que está atualmente entre os cursos de Publicidade e Propaganda, Relações Públicas e Desenho Indústrial. Mas no ano passado, quando terminou o Ensino Médio, queria Medicina Veterinária. “Estou ponderando bastante sobre o mercado e trabalho. Mas quero algo compatível com minhas vocações”, diz.

Consultoria profissional

Para a analista e consultora profissional Lígia Guerra, as profissões relacionadas ao meio ambiente e aos recursos naturais já estão sendo valorizadas hoje, e são boa aposta para o futuro. “Profissões como Agronomia, Engenharia Ambiental, Engenharia de Petróleo e Gás Engenharia Hídrica devem ter um mercado aberto por mais 10 ou 15 anos”, diz. Além disso, com a crescente necessidade de comunicação internacional, os profissionais de letras também devem ser valorizados. “É a globalização. As pessoas precisam se comunicar, e as línguas mais exóticas, como o próprio mandarim [chinês] estarão muito em alta”, conta.

O lazer também já está ganhando terreno no mercado de trabalho na opinião da consultora. Cinema e Vídeo, além das profissões que se envolvem com a área editorial, devem crescer ainda mais. “Nunca se deu tanto valor ao lazer como hoje. As pessoas têm cada vez menos tempo livre e querem aproveitá-lo fazendo o que gostam”, diz Lígia. A consultora também aponta as profissões que envolvem tecnologia, como telecomunicações e Ciência da Computação.

Em baixa, estariam áreas que hoje já possuem um excesso de profissionais. “Psicologia, Jornalismo, Odontologia e Marketing, por exemplo, são áreas que estão com muitos profissionais no mercado. Não quer dizer que não haja vagas, mas os profissionais serão cada vez mais exigidos para ocupar esses postos de trabalho”, diz.

Levantamento e tendências
Baseado em um levantamento feito nas 14 regionais, a gerente da setorial do Grupo Foco no Paraná, Maria Cristina Hilario, aponta que no país estão em alta as engenharias, em todas as modalidades. “Isso se deve principalmente pelo crescimento econômico, a expansão de mercados internacionais, como o da China, e outros fatores. Acreditamos que teremos uma boa demanda destes profissionais pelos próximos anos. Além disto, há uma carência nesta área em função de que nos últimos anos estes profissionais foram muito direcionados para mercado financeiro e administrativo, por possuírem forte bagagem em organização, cálculos e projeções”, explica.

As profissões de Tecnologia da Informação (TI) também foram um ponto em comum em todas as regionais. “Há uma grande necessidade de agilidade nos processos e controles da informação. Além disso, há crescimento de demanda na área de serviços, que implicam em formação técnica com habilidades de relacionamento com os clientes”, diz.

Mercado global

Outro fato atentado pelos especialistas é que o profissional hoje não é mais local, e sim global. Além de conhecer outros idiomas é necessário ter disponibilidade. “Não é possível mais ficar limitado ao seu bairro. A concentração de profissionais em certos centros gera muito desemprego. Em muitos casos, o deslocamento para outra região pode ajudar a garantir o trabalho”, diz Marcos Schlemm, consultor sênior da Acta – Educação, RH e Carreira. “O brasileiro é um dos povos menos móveis do mundo. Daqui para frente será cada vez mais difícil ficar fixo num local”, completa

Sendo assim, conhecer o mercado de trabalho em outras regiões pode ser um ótimo começo. Abaixo, segue parte do levantamento elaborado pelo Grupo Foco sobre as profissões que estão em alta no país, por região.

REGIÃO PARANÁ – (sede em Curitiba):
• Áreas em alta: Controladoria, Logística, Suprimentos, Engenharia, Comerciais e Atendimento ao Público, Inteligência de Mercado/Marketing e Tecnologia da Informação;
• Cursos em alta: Ciências Contábeis, Engenharias em geral, Informática, Administração, Marketing;
• Obs.: Vagas na área de Tecnologia da Informação , busca crescente de profissionais recém formados para serem desenvolvidos.

REGIÃO NORTE – (sede em Belém):

• Área de Engenharia Mecânica, Civil, Elétrica e Mecatrônica;
• Sistema de Tecnologia (com formação técnica, Eletromecânico, por exemplo) e instrumentalização;
• Saúde, pois as cidades estão crescendo e precisam desta estrutura.

REGIÃO –CENTRO OESTE (sede em Brasília):
• Engenharia Civil, de Produção e Eletrônica;
• Tecnologia voltada para Informática;
• Obs.: Regiões com grandes desigualdades de demanda. Enquanto no Centro – Oeste há uma forte planta industrial, a região Norte é pouco explorada.

REGIÃO INTERIOR DE SÃO PAULO – (sede em Campinas):

• Engenharia (Mecânica, Elétrica e Mecatrônica);
• Outras áreas muito requisitadas: área administrativa, financeira, recursos humanos e formações técnicas.

REGIÃO SÃO PAULO – (sede capital):
• Engenharia; Construção Civil (parte de hidráulica), Mecânica, e outras.

REGIÃO RIO DE JANEIRO – (sede capital):
• Engenharia voltada para mineração (sedes da Votorantim e Vale, entre outras);
• Áreas de logística, compras, ferrovias.

REGIÃO ESPÍRITO SANTO – (sede Vitória):

• Áreas técnicas e Engenharia (investimento das empresas Petrobrás e Vale)
• Construção Civil em tendência de aumento

REGIÃO SUL – (sede Porto Alegre):

• Tecnologia da Informação (Ciências da Computação, Analista de Sistema, entre outros);
• Engenharia Civil, Elétrica, Mecânica, entre outras;
• Setores da Indústria, Serviços e Construção Civil.

REGIÃO NORDESTE – (sede em Salvador):
• Construção Civil, Engenharia Elétrica, Mecânica e Química;
• Administração;
• Setor Industrial.

Além disso, há uma demanda crescente na área de Inteligência de Mercado. “É uma área que não implica necessariamente em uma formação específica. Pode ter formação em Administração, Engenharia, Marketing, entre outros. Ela vem sendo solicitada em função de estabelecer e firmar as marcas das empresas tanto em mercados nacionais quanto internacionais”, explica. Não foram apontadas as profissões que estariam em baixa no mercado de trabalho.

Imprevisível

Segundo Sergio Cesarino, diretor executivo do Grupo Catho em Curitiba, o futuro do mercado de trabalho é imprevisível, pois há constantes mudanças, cada vez mais rápidas, que impedem um prognóstico para daqui a cinco ou 10 anos. “Isso é um exercício de futurologia com grandes chances de dar errado. Como exemplo posso dizer que há 10 anos ninguém conseguiu prever que a demanda por profissionais da área de Tecnologia da Informação seria tão grande neste momento. Como o Brasil hoje está se tornando um grande exportador de serviços de TI, ao lado da Índia e China, profissionais experientes nessa área e com total domínio do inglês estão em falta no mercado”, diz.

Portanto, para Cesarino, hoje, estão em alta profissões como Engenheiros, Geólogos e Arquitetos, em razão do momento pelo qual está passando o país. “O Brasil passa por um momento de crescimento econômico e as necessidades de expansão da capacidade produtiva e de infra-estrutura se fazem presentes”, diz. “Também nota-se demanda em alta das profissões que lidam com a saúde e alimentação da população, além de especialistas em meio ambiente e ecologia”, completa.

Ainda de acordo com Cesarino, outra área muito requisitada sempre é de Propaganda, Marketing e Vendas, na qual se pode incluir também Comércio Exterior. “Quanto maior é a demanda por produtos e serviços, mais as empresas precisam de profissionais que saibam atingir o público-alvo e aumentar sua lucratividade”. Ele também aponta que Administração, Economia, Direito Empresarial e Internacional são profissões “aquecidas”. “Isso se deve ao aumento do número de empresas na Bolsa de Valores e a necessidade das organizações competirem em um mercado globalizado”, explica.

Relativização
Já Marcos Schlemm, consultor sênior da Acta – Educação, RH e Carreira, alerta que mesmo analisar o presente é difícil num país como o Brasil. “Aqui temos algumas ilhas de desenvolvimento no setor empresarial, como a automotiva e aeronáutica, mas em outras áreas estamos muito aquém do que seria ideal”, diz. “Isso se reflete na demanda de profissionais que, numa economia como a nossa, deveria ser muito maior”, completa.

Para ele, as áreas de novas tecnologias são realmente promissoras. No entanto, não há como não notar um grande nível se subempregos entre engenheiros. “Mais importante do que apontar áreas, talvez seja dizer que as pessoas devem seguir suas vocações. Esse negócio de tendência de mercado é uma coisa perigosa. Se o profissional se fiar somente nisso, corre o risco de não ser feliz em sua profissão”, diz. “O mais importante é fazer bem feito. Os profissionais bem qualificados são os que conseguem espaço na sua atividade”, completa.

Fonte: http://www.formacaosolidaria.org.br/categorias-noticias-detalhe.asp?ID=4395

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