O que é ser bem-sucedido?

 

O que é ser bem-sucedido?
por René Daniel Decol

Súmula

“A felicidade não se encontra nos bens exteriores”

Aristóteles filósofo grego (384-322 a.C.)

Mudanças no mundo do trabalho invariavelmente produzem mudanças de valores e símbolos de status. Até recentemente, a ostentação de bens materiais era sinal inequívoco de sucesso. Isso está mudando. O carro do ano ou a casa com piscina podem ter sido conquistados à custa de um cotidiano massacrante, e as pessoas desejam outras coisas, sobretudo tempo, autonomia e reconhecimento. Uma pesquisa recente conduzida pela revista americana Success revelou que 62% dos leitores acham que liberdade, na forma de tempo, é a melhor recompensa de uma vida de trabalho bem-sucedida. Já os leitores do site de Época NEGÓCIOS votaram em “Ser feliz no amor” (vejam só…) como o símbolo de sucesso mais evidente, seguido de “Autonomia no trabalho” e de “Ser uma pessoa espiritualizada”. A possibilidade de “Ficar mais tempo com os filhos” aparece em quarto lugar (veja resultado no site http://www.epocanegocios.com.br).

“O bom profissional é avaliado pelos resultados e não pelo tempo que dedica ao trabalho”, define Wladimir Ganzelevitch, psicólogo especializado no universo corporativo. “Ser bom profissional, hoje, requer adaptabilidade, flexibilidade, capacidade de adquirir novos repertórios.” Este novo tipo de talento está cobrando um novo tipo de recompensa: a opção de trabalhar ao menos parte do tempo em casa, participar mais da vida dos filhos, enfim, tudo que possa ser voltado para a melhoria da qualidade de vida. Destinar mais tempo para fazer o que se gosta ou para se dedicar à família, e assim se nutrir para produzir mais e melhor em um mundo em rápida transformação. Afinal, 95% é suor – mas, e os 5% de inspiração de que falava Picasso? A seguir, alguns exemplos dos valores emergentes que se traduzem por novos símbolos de status – e os profissionais de talento que os conquistaram.

TRABALHAR NO ESCRITÓRIO OU EM CASA

Diretor de comunicação da IBM, o engenheiro Mauro Segura, de 47 anos, desfruta de grande flexibilidade no trabalho: mora no Recreio dos Bandeirantes, Rio de Janeiro, onde foi fotografado, mas trabalha em São Paulo de segunda a quinta. Faz cerca de dez reuniões por semana, muitas por videoconferência. Recentemente, um fi lho sofreu uma cirurgia, o que o obrigou a organizar as coisas assim: foi para o Rio na quinta à noite, trabalhou de casa na sexta-feira e, à tarde, acompanhou o fi lho ao hospital. “Logo estaremos fazendo conferências do notebook. Aí poderemos trabalhar em qualquer lugar”, afirma.

UM LUGAR NA MESA DA PRESIDÊNCIA

Um convite para sentar-se à mesa da presidência é sinal de que seu trabalho foi reconhecido. Rui Branquinho, profissional de criação da W/Brasil, aos 35 anos de idade conquistou isto. Ainda por cima, clientes e colegas sabem – não contem com ele em dias de jogo do São Paulo, pois não há reunião ou trabalho que o tirem do caminho do Morumbi. Sempre que pode, costuma sair do escritório para pegar o filho na escola, e muitas vezes leva o garoto de 3 anos para curtir o ambiente irreverente da agência.

FICAR QUANTO TEMPO QUISER COM OS FILHOS

Uma das melhores coisas da vida é olhar do outro lado da mesa de trabalho e ver as crianças crescerem. Alguns profissionais conseguem esse privilégio por meio de um esquema de trabalho tipo home/office, uma tendência em expansão no Brasil e no mundo. A arquiteta Márcia Freire, por exemplo, passa as sextas-feiras trabalhando em casa. Assim, consegue ficar mais tempo com as filhas Raquel, de 8 anos, e Suzana, de 4. “Não há dinheiro que pague isso”, diz.

FOLGAR ÀS SEXTAS-FEIRAS

Liberdade para se proporcionar um fim de semana prolongado não é apenas uma questão de relaxar e gozar: é símbolo de controle sobre o próprio horário, autoridade de escolher como usar melhor o tempo. Não é à toa que este item foi o franco vencedor na pesquisa promovida pela Success como símbolo mais importante de status. Nos Estados Unidos, segundo a revista, 20 milhões de pessoas estão trabalhando como autônomos – elas acham que ter controle sobre seu tempo significa uma vida mais rica.

APOSENTAR-SE COM DINHEIRO AOS 50 ANOS

Segundo o psicólogo Wladimir Ganzelevitch, é preciso encontrar uma atividade que dê satisfação e senso de propósito a esse período pós-carreira. “Tenho pacientes que acumularam o suficiente para não precisar mais trabalhar”, lembra. “No entanto, me perguntam: e vou fazer o quê? Passar o dia de pijama vendo TV?” Aposentar as chuteiras aos 50 pode ser muito bom. Mas, para isso, é preciso um projeto.

NÃO TER HORA PARA ACORDAR

Dar-se ao luxo de poder dormir o quanto quiser é o sonho de muita gente. Afinal, como definiu alguém de forma sumária, “sucesso é não ter hora para acordar”. O fato é que no novo ambiente extremamente competitivo as pessoas estão trabalhando muito. Poder organizar a rotina do dia-a-dia sem o irritante tique-taque do despertador ainda é considerado um luxo supremo pela maioria que pula da cama cedo.

UM TRABALHO COM CAUSA

O suíço Frank Guggenheim trocou um cargo de executivo na gigante farmacêutica Roche pela diretoria executiva da ONG Greenpeace. Com isso, seus rendimentos diminuíram quatro vezes. Mas agora, vê mais sentido no que faz. E não só ele. “Como executivo de indústria farmacêutica, meus filhos não me davam muita bola”, diz. “Agora eles estão bem mais interessados no que eu faço.”

SER UMA PESSOA ESPIRITUALIZADA

O especialista em engenharia financeira Roberto Vieira Machado , 52 anos, fotografado em seu escritório, já foi vice-presidente de um grande banco americano. Anos atrás, partiu para uma bem-sucedida carreira solo – que lhe permitiu ter tempo para uma viagem espiritual dentro de si mesmo. Primeiro, através da psicanálise, e, há três anos, através da meditação em grupo. Todo final de dia, chova, faça sol ou desabe a bolsa, ele pára tudo e busca a paz interior. “Com isso, estou muito mais centrado”, diz. Antes vivia ansioso, preocupado que alguma coisa pudesse dar errado nos negócios milionários que organiza. Agora, é difícil sair do eixo. “Até o ritmo do batimento cardíaco diminuiu”, diz ele.

SERVIR A COMUNIDADE

Novo valor – e símbolo de status – é oferecer algo para a comunidade em retribuição ao sucesso conquistado na carreira. Pode ser uma atividade cultural, por exemplo. O advogado Ernesto Tzirulnik, 48 anos, um dos maiores especialistas em direito securitário do País, é louco por música. E resolveu oferecer aos vizinhos do bairro concertos de música instrumental que acontecem no alpendre do seu escritório, localizado na Rua Ceará, em Higienópolis, toda última sexta-feira do mês. Por ali, em uma bela casa projetada por Jaime Fonseca Rodrigues, já passaram músicos como o pianista Nelson Ayres, o acordeonista Toninho Ferragucci e o violonista José Domingos, que aparece com Tzirulnik na foto, à direita.

» Link: http://epocanegocios.globo.com/Revista/Epocanegocios/0,,EDG79865-8378-9,00.html

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