NÃO IMPORTA AONDE VOCÊ VAI CHEGAR E SIM A PESSOA QUE VOCÊ SE TORNA AO LONGO DO CAMINHO

Cresci escutando relatos de pessoas que “chegaram lá”: aquele empresário famoso, o médico daquele hospital importante, o artista que se deu bem e está numa exposição em Nova Iorque. Ninguém porém, me falou sobre o que eles sentiam quando “chegavam lá” nem o que significava isso.


Eu pensava que o importante em uma profissão seria chegar em algum lugar, num ponto decisivo e definitivo a partir do qual todas as questões, dilemas, anseios e problemas acabariam. Chegar lá seria o máximo!

Se eu chegasse lá, tudo ficaria tranqüilo e cristalino e minha vida seria um lago calmo e plácido.


Mas… quem disse que eu queria uma vida assim? Ora, sou uma pessoa inquieta. Desde o momento em que escolhi minha profissão percebi isso: eu gostava de um monte de coisas: arquitetura, engenharia, educação física, administração e psicologia. Acabei optando por esta última e lembro como se fosse hoje a cara do meu pai: preocupado com meu futuro e se eu conseguiria chegar lá. Meus amigos me perguntavam se eu não preferia tentar uma profissão mais tradicional, mais séria, eles diziam. Mas não, aquela era a minha escolha e eu acreditava que poderia chegar lá de um jeito ou de outro.

Cheguei. Neste 15 anos de carreira, conquistei muito mais do que eu mesmo sonhara. E hoje frequentemente me percebo sonhando mais e mais e mais. Percebi que meus sonhos jamais pararão de crescer, pois sonhar faz parte da minha natureza.

Quer saber a verdade? O melhor de tudo que conquistei não foram os valores que eu recebi. Isso me trouxe conforto e alguma segurança, mas felicidade é outra coisa. Se hoje fosse o último dia da minha vida, poderia dizer tranquilamente que o que valeu, o que me marcou não foram os valores pagos pelo meu trabalho. Foi o sorriso dos meus pacientes, as coisas que aprendi, as pessoas que amparei, os erros com os quais aprendi e cresci, além, claro, das pessoas que amei e pelas quais fui amado. Isso é que teve impacto real na pessoa que me tornei hoje.

Há pessoas que são mais amenas em seus desejos. Isso não quer dizer que elas sejam acomodadas ou tolas. Cada um é único e deve seguir os seus instintos, seu ritmo, mas também saber que é preciso pagar o preço de nossas escolhas com responsabilidade e dignidade.

Há pessoas que sonham com uma vida calma e serena. Elas apenas precisam saber que com pouco empenho profissional, deverão esperar também pouco retorno financeiro da vida. Afinal, salvo um golpe de sorte, o mundo lhes devolverá o mesmo grau de investimento que elas fizeram na vida. Isso, de forma alguma é errado ou indigno. Há quem realmente não ambicione uma vida farta de recursos, nem quer ter um carrão ou um apartamento num bairro chique.

Para alcançar a posição profissional que tenho hoje, optei por abrir mão de muitos finais de semana cheios de sol, investi boa parte do meu dinheiro em livros e cursos, enfim, cheguei até a sacrificar momentos gostosos com minhas namoradas, em função de algo que pulsava dentro de mim, que me pedia para criar mais um teste, mais um livro[bb], para estudar aquele caso desafiador de um paciente, para melhorar minhas palestras, enfim, eu precisava atender à minha vida interior que explodia de dentro para fora, me pedindo para ir além, para não parar de melhorar.

Hoje percebo que nunca chegarei lá. Sempre desejarei mais. Isso é meu, faz parte da natureza da minha alma.

Lá, é um lugar dentro da gente, que se acende quando estamos no caminho certo. É dentro do peito, aquela energia, aquela vontade de viver que a gente sente quando está fazendo algo que irá fazer a diferença para nós mesmos e para os outros. Lá é um lugar que pulsa de força, quando estamos atrás de nossos verdadeiros sonhos.

Se você ainda não sabe a sua missão, nem como chegar lá, pode ser que você tenha uma natureza menos sonhadora e irá trabalhar com mais moderação, obtendo prazer e satisfação em outras áreas da sua vida. Ok, tudo bem em ser assim, até mesmo pois quem sonha menos se frustra menos também.

Porém, pode ser que você se acomodou com a idéia de que seus pais iriam lhe proporcionar tudo que precisasse. E, claro, pode ser também que você tenha um montão de sonhos, mas tem medo de encará-los por pura vaidade: -“Ah… e se eu tentar e não der certo?”; “E se eu não chegar lá?”; “E o que os outros vão pensar se eu falhar?”. Se este for o seu caso meu amigo, enfrente uma boa terapia, procure um aconselhamento filosófico, faça uma viagem sozinho, dê um tempo, enfim, crie espaço para que seu inconsciente lhe traga de novo as pistas de onde estão os sonhos que na sua infância certamente existiam.

Ás vezes, as vozes dos outros gritam tão alto dentro de nossa cabeça que nem conseguimos mais escutar a nós mesmos.

Aí é o momento de se perguntar: se eu quero chegar lá, por que tenho tanto medo de estar aqui, dentro de mim me escutando, me respeitando. Viva a sua vida meu amigo, este é o único modo de chegar em algum lugar, caso contrário, quando olhar para trás não verá as suas pegadas no chão e sim que andou por cima do desejo dos outros. A isso chamo de covardia. Você também pode chegar lá. Ou não. A vida é sua.

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