Emprego ajuda a decidir carreira

Folha de São Paulo, 01/05/2007 – São Paulo SPChance de errar na escolha da profissão é menor por causa do contato prévio com a rotina

FERNANDA CALGARO

O senso comum diz que a escolha da carreira acontece num momento em que a idéia ainda não está amadurecida o suficiente e houve pouco contato com a profissão. Certo? Nem sempre. Em muitos casos, essa ordem se inverte e é a vivência profissional que leva à decisão pelo curso. Ariane Paiva, 19, planejava ser engenheira química. Em 2005, quando estava no terceiro ano do ensino médio, porém, começou a ter aulas de violino -promovidas por uma ONG- no mesmo bairro onde mora, Guaianases (zona leste de SP). Mesmo após o final do curso, ela continuou fazendo parte da orquestra da ONG e começou a tocar em eventos e casamentos. Além dos cachês, a experiência lhe trouxe uma certeza: irá prestar música. “Eu me descobri na música. Antes não sabia nada, nem escala musical”, conta Ariane. Desde o início do ano passado, ela faz cursinho pré-vestibular e se divide entre aulas particulares de violino e ensaios na orquestra da ONG e numa camerata. Informação – “As chances de errar na escolha da carreira são menores porque a pessoa conhece a dinâmica do dia-a-dia da profissão. Há menos possibilidades de se iludir”, avalia Glaucia Santos, consultora de recursos humanos da Catho. “Quando se entra em contato com a prática, por menor que seja, isso dá uma noção dos problemas rotineiros do trabalho.” No local de trabalho, o estudante pode aproveitar para conversar com os profissionais, trocar informações e consultar os livros disponíveis. Além disso, pode facilitar na hora de fazer o estágio obrigatório. “Dependendo da empresa, a pessoa pode tentar fazer o estágio ali mesmo durante a faculdade.” Mas, se a vivência profissional pode ser um caminho para a decisão, isso não é o suficiente. “Percebemos que alguns jovens que optam pelo curso após um contato profissional têm uma segurança maior pela experiência que tiveram. Porém, é importante deixar claro que isso não basta para vir a ser um bom profissional e destacar-se no mercado de trabalho”, explica a orientadora profissional Maria Ana Marabita, mestre na área pela Unicamp. Conhecer as próprias limitações e potencialidades é essencial para fazer uma escolha acertada. É importante também buscar por informações sobre a carreira. Palestras e visitas a universidades dão noções do curso. “Todo indivíduo deveria ser treinado ao longo de sua vida a fazer reflexões constantes sobre conhecer-se melhor, suas preferências em relação ao mundo escolar e social, atividades que lhe dão prazer”, explica Maria Ana. Habilidades – A orientadora profissional recomenda que as pessoas que já têm a vivência profissional na área busquem cursos que agreguem técnicas, aumentem habilidades e auxiliem na prestação de serviços, sem deixar de lado a realização pessoal. “É preciso que haja uma parceria muita harmônica entre a experiência de trabalho e o curso a escolher.” No caso da vestibulanda Adriana Ferreira da Cruz, 19, que irá prestar relações públicas, o emprego em telemarketing foi importante para tirar suas dúvidas. “Apesar de a carreira ser mais estratégia, no meu emprego também lidamos com a imagem da empresa e fidelizamos clientes”, analisa. “Agora, estou bem focada no que eu quero. Gostei muito da área.”
Corrigindo para valores de hoje, chegamos aos R$ 850 por uma jornada de 40 horas. Hoje, 39% dos professores recebem menos do que isso. Para professores em início de carreira, esse percentual chega a 55%

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