Má escolha é a maior causa de evasão

Folha de São Paulo – 18/10/200510h48

SIMONE HARNIK
da Folha de S.Paulo

Um estudo inédito realizado na USP mapeou as causas da evasão no ensino superior. A pesquisa constatou que quase metade dos estudantes que desistem da graduação tiveram problemas no momento da escolha. Por pressões dos pais, por falta de informação sobre a faculdade ou sobre o mercado, 44,5% dos alunos acabam abandonando o que era seu sonho de realização profissional e se tornou a opção errada.

Outros 30,7% desistem por não gostarem da estrutura do curso que ingressaram. Depois, seguem os insatisfeitos com o mercado de trabalho e com a profissão, que somam 13,4%. Os que desanimam por razões pessoais –como problemas familiares, financeiros, afetivos– são 10,5%. Menos de 1% é motivado a largar a faculdade por não se adaptar à cidade em que ela se localiza.

Para a professora Yvette Piha Lehman, autora da pesquisa que defendeu como tese de livre docência, uma alternativa para as universidades evitarem o abandono é oferecer atendimento e orientação profissional. Ela coordena o Serviço de Orientação Profissional do Instituto de Psicologia da USP. “Do total dos alunos que passaram pela orientação, 73% conseguiram clarear os motivos da crise e não desistiram do curso”, afirma.

“A consciência da dinâmica facilita o jovem a não ficar paralisado. Ele tem de sustentar uma escolha e paixão. Precisa sentir que está crescendo e não achar que saiu perdendo ao fazer a escolha.”

No trabalho, 180 jovens que estavam em crise ou desistiram do ensino superior foram entrevistados. Deles, 85 eram de universidade pública e 95 de universidades particulares. Todas as entrevistas aconteceram entre 1996 e 2002, e a pesquisa foi apresentada por Yvette em setembro.

No Serviço de Orientação Profissional e Vocacional da Unesp de Araraquara, a realidade é praticamente a mesma, segundo a psicopedagoga Maria Beatriz de Oliveira. A coordenadora afirma que, apesar de ainda não ter estatísticas, a prática mostra que o principal motivo da desistência é mesmo a escolha malfeita.

“Há várias causas. Uma delas é a falta básica de informação condizente com a realidade.” Por isso, a professora organiza uma feira de profissões com dados sobre o curso e o mercado.

Quando acontece

Yvette constatou que, quando a desistência acontece no início do curso, está relacionada diretamente à escolha. “Outros motivos são a dificuldade de se adaptar às exigências e aos professores e à mudança do ensino médio para o superior”, afirma.

Já quando os jovens se decepcionam no decorrer da graduação –por volta do quarto e do sexto semestres– é porque começaram a se questionar sobre o sentido da profissão. “A angústia é maior, pois eles já se envolveram com boa parte do curso. Nessa hora, eles buscam maior certeza com o que vão se comprometer.”

No final do curso, de acordo com a tese, as questões são mais objetivas e se referem ao mercado de trabalho, à busca de emprego.

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