Começar de novo

Ser reprovado no vestibular não é o fim de tudo. Motive-se!

Atualizado em 22/06/2007 – 02:00
Por Renato Marques

Ok, você estudou, estudou, estudou e mesmo assim não conseguiu passar no vestibular. Mas não se deixe desanimar. Mais do que simples força de expressão, isso acontece com muita gente, e não faltarão a você oportunidades para retomar o caminho dos estudos. O importante é que você esteja consciente do que aconteceu, em que pontos falhou e o que deve ser feito para corrigir suas deficiências. Portanto, não deixe a decepção tomar conta de você. Levante a cabeça e retome seus estudos.

“A primeira coisa que o estudante tem que saber é que o vestibular não é uma prova de colégio. Na prova da escola ele tem de passar de ano e isso está inteiramente em suas mãos. O vestibular é uma competição, ele tem que ser melhor do que o outro”, explica o professor do Anglo Vestibulares, Ernesto Birner. “Quando estava no colegial, o aluno tinha certeza de que poderia passar de ano se fizesse isso ou aquilo. O que acontece atualmente é que ele já não sabe lidar com a incerteza do vestibular. E essa incerteza, às vezes, acaba o machucando.”

Quando saiu da sala em que fazia a prova do vestibular da UnB (Universidade de Brasília), há dois anos, Marcos Vinicius de Souza já sabia que algo tinha saído errado. A dificuldade encontrada na prova fez com que o estudante não se animasse muito com a possibilidade de ingressar na instituição para cursar medicina. Ao conferir a lista de aprovados, nenhuma surpresa: foi reprovado. “Na época eu fiquei triste, mas tive mais força para estudar. Isso porque sabia que ainda não dominava muitas matérias. Saí da prova com a certeza de que não tinha ido bem”, conta.

Se você se encaixa na mesma situação, prepare-se. Na prática, o ideal é recomeçar os estudos, mas com consciência do que é preciso ser feito. Não adianta querer “abraçar o mundo”. “Se o candidato não passou no vestibular, existe um motivo. Se em doze questões de biologia, acertou onze, não é essa a razão. Mas se em Física ele acertou apenas três, então descobriu o problema”, afirma Birner. “É preciso ter humildade para continuar estudando Biologia e ainda reforçar Física, mesmo que para isso precise pedir ajuda.”

Passo a passo

É claro que não existem fórmulas mágicas pra passar no vestibular. O segredo está em estudar até o ponto certo: nem mais, para não estressar, nem menos, para não passar sufoco na prova. O difícil, no entanto, é encontrar este ponto de equilíbrio. A saída, portanto, é manter uma rotina de estudos que permita manter a saúde e a vida social, sem deixar os estudos de lado. Em geral, professores recomendam entre três a quatro horas diárias de dedicação. Veja abaixo uma cartilha básica da retomada da preparação para o vestibular:

1º passo – Dedique-se às matérias em que tem mais dificuldade: imagine que você está há três dias sem comer. Aí, alguém surge à sua frente com um belo prato de comida. Metade do prato contém uma macarronada e a outra metade, jiló. A condição para receber o prato é que você terá que comer tudo que é oferecido. O que você come primeiro? É com essa analogia que o professor Birner explica aos estudantes como organizar o tempo para os estudos.

“Ele deve comer o Jiló primeiro e deixar o melhor para o final. Agora transporte isso para os estudos. O aluno teve aulas de Matemática, Português, História e Física” diz. “Matemática e Física são aulas pesadas em que ele tem dificuldade. Português e História são fáceis para ele. Quando começar a estudar, tem que ser pelas Exatas. Se ele começar pelas boas, quando chegar no final, cansado, não vai reforçar o que precisa direito, não vai aproveitar nada. Vai virar um ´tarefeiro`”, alerta.

Este foi o caminho traçado por Souza. Reprovado na UnB, mudou sua estratégia. Ao invés de tentar devorar todo o conteúdo, partiu para as que havia tido um desempenho inferior, sem deixar de lado as demais. “Eu ingressei em um cursinho e tentei estudar todas as matérias, dando igual importância. Mas também não consegui passar no vestibular seguinte”, lamenta. “Fui mudando a estratégia aos poucos. Comecei a privilegiar as que eu tinha dificuldade. Dei uma atenção especial a elas, mas continuei pegando pesado em todas.”

2º passo – Concentre-se, de verdade, nos estudos: você já deve ter ouvido recomendações sobre procurar um lugar calmo para estudar sem interrupções. Pois comece a levar isso a sério. Estudar com barulho, gritaria e afins não funciona, pois tira a atenção do texto. “Estudar para o vestibular é mais complicado do que para o colégio. Se o candidato está em casa, o telefone toca e ele pensa: ´será que é para mim?`. Aí pronto, já não está estudando”, diz Birner. “Estudar significa que, durante um período determinado, se a casa pegar fogo, o aluno não vai perceber. Não é só preencher as quatro horas, é estar focado.”

3º passo – Procure manter alguma atividade física: dedicar-se aos estudos e se manter focado neles não significa deixar sua vida de lado. Ao mesmo tempo em que se concentra na sua meta, é preciso manter uma atividade física, manter a cabeça e o corpo relaxados. “Como qualquer rotina, a dos estudos começa a cansar em um determinado momento. Para manter a vontade de estudar, o estudante deve, pelo menos duas vezes por semana, reservar tempo para o lazer, fazer uma atividade esportiva. Sem remorsos”, diz Birner. “É preciso manter uma atividade física. É importante quebrar a rotina. Isso também ajuda muito”.

Souza dá mais uma dica para os estudantes que vão prestar vestibular. Para o estudante, vale a pena descansar um pouco antes de recomeçar os estudos. Para arejar a cabeça, desestressar do que passou e começar a nova fase com ânimo renovado. “O candidato tem que descansar primeiro para depois poder recomeçar. Reconhecer os limites, para não ultrapassá-los. E, se possível, fazer alguma atividade física para relaxar”, aconselha.

4º passo – Revise a prova em que você não passou: todos os passos anteriores ficam enfraquecidos se este não for bem compreendido. Para criar a sua própria rotina de estudos, o estudante precisa saber onde está errando. Então, um bom começo é rever o exame em que foi reprovado. “Se o estudante é focado, faz ginástica, presta atenção na aula, mas não faz o diagnóstico, está errado. Porque assim ele perde a auto-estima”, alerta Birner.

Birner, experiente em assuntos de vestibular, dá uma receita para a revisão. Funciona assim: pegue um papel e divida ele em quatro colunas. Ao lado da primeira, coloque a numeração das questões do vestibular. No topo de cada uma escreva as seguintes expressões: “NÃO SEI“, “NÃO CAIU A FICHA“, “DISTRAÇÃO” e “TEMPO“.

“Vamos supor que cai na prova de biologia a pergunta “O que é um deuterostômio”? Ele deve classificá-la na coluna ´Não sei` se nunca tiver ouvido falar no termo. Mas se o candidato lembra que ouviu isso, lembra de ter visto na aula, mas não sedimentou e confundiu com protostômio e errou, não é que ele não sabia. Então, marca que ´Não caiu a ficha`”, explica Birner. “Em ´Distração` entram os erros do tipo ´1X1=11`. Ou quando a questão pede para assinalar a alternativa INCORRETA e ele marca a correta. Ele sabe o assunto, mas não prestou atenção. Em ´Tempo` entram aquelas em que nem o enunciado foi lido, porque o tempo foi mal dividido.”

Depois, é só fazer as contas! “Vamos supor que não tenha faltado tempo. Ele errou 50 e no diagnóstico percebe que foram 35 ´Não sei`, cinco ´Não caiu a ficha` e dez ´Distração`. Isso significa que ele está muito mal”, alerta o professor. “No entanto, se tem cinco ´Não sei`, 35 ´Não caiu a ficha` e dez ´Distração`, a situação não é ruim. É mais perigoso errar por distração do que errar as 35 por não ter entendido. Tudo que ele erra em uma prova, não esquece mais”.

5º passo – Pensar positivamente nunca é demais: depois de um ano inteiro estudando, na hora da prova é com você. Vá confiante de que fez tudo que podia. Lembre-se: quem entra em um jogo preparado para não perder, dificilmente ganha. “Imagine um jogo de futebol entre o líder do campeonato e o lanterna. A expectativa do jogador do último colocado é jogar na defesa e, na melhor das hipóteses, empatar”, diz Birner. “O atleta do líder já pensa que tem tudo para ganhar. No vestibular acontece o mesmo. Se o candidato pensar no vestibular como o jogador do lanterna, ele não entra.”

“Isso se chama auto-estima. O aluno tem que saber que está estudando, está focado, não mata aulas, estuda quatro horas por dia, faz ginástica, está aprendendo com os exercícios e que quem for entrar vai ter que ganhar dele. Normalmente, o estudante pensa como jogador do lanterna do campeonato”, lamenta Birner. “É preciso estar consciente. Reconhecer os limites e não pensar que é só porque você está estudando horas e horas que terá um bom aproveitamento. É um conjunto de ações”, complementa Souza.

 

História de sucesso

Para finalizar, vamos retornar à história de Marcos Vinicius Souza. O estudante, mesmo tentando se preparar para a prova, não passou na primeira vez. Nem na segunda. Nem na terceira. Em nenhuma delas, porém, pensou em desistir. Pelo contrário, foi adequando sua estratégia de estudos para melhorar seu desempenho. “Depois de três semestres que tentei e não consegui, mudei definitivamente minha estratégia. Passei a fazer mais exercícios, li mais e parei de ficar lendo as mesmas coisas. Comecei a ler outros livros e revistas de atualidades, com mais ênfase para os exercícios”, lembra Souza.

O resultado não podia ser melhor. Literalmente. Além de conseguir aprovação no vestibular da UFG (Universidade Federal de Goiás), Souza foi o PRIMEIRO COLOCADO na prova da UnB, onde tanto queria estudar. Portanto, fica o exemplo. “A prova não é um veredicto, é fonte de aprendizado. É muito importante, insisto, que o candidato saiba utilizar o exame como tal para aprender com seus próprios erros. Vestibular não decide se o candidato é ou não um gênio”, finaliza Birner.

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