Não passei no vestibular, e agora?

Saiba como aprender com os erros de uma reprovação no vestibular

Publicado em 30/01/2006 – 00:01

Fonte: http://ww1.universia.com.br/materia/materia.jsp?materia=9880

A vida é mesmo engraçada: muitos desafios, alguns tombos ou vitórias. Caminhos que devem ser percorridos para a conquista da satisfação pessoal e profissional. Por isso você, jovem, deve encará-los de cabeça erguida e levantar-se a cada tropeção. Quem já passou pela dura fase de prestar o tão temido vestibular e ingressar no Ensino Superior sabe o que isto significa. Para muitos, este pode ser o primeiro grande obstáculo da vida. Após longos períodos de dedicação aos estudos, muitas vezes exclusiva, o resultado da reprovação no vestibular é sempre seguida de uma grade decepção.

Neste momento, geralmente a emoção fala mais alto do que a razão. No entanto, se você está passando por uma situação similar a esta, deve levar em consideração alguns aspectos. Ingressar em uma universidade pública ou numa grande instituição particular, as mais almejadas pelos jovens, não é uma tarefa nada fácil. Os vestibulares, em sua maioria, são altamente competitivos e excludentes. Para se ter uma idéia, o vestibular da USP (Universidade de São Paulo), um dos concursos mais concorridos do país, recebe anualmente mais de 170 mil candidatos e disponibiliza apenas 8.000 vagas. É importante, porém, destacar que isso não é algo impossível.

Lógico que a dedicação aos estudos é um elemento primordial para a conquista de um resultado positivo, mas não é único. A tensão, a ansiedade e o medo, segundo especialistas, podem ser grandes vilãos desta história. “A capacidade do candidato, muitas vezes, não está relacionada com o resultado do vestibular. Esta reprovação está vinculada, principalmente, ao sistema pedagógico e social do Brasil, já que não foram criadas vagas suficientes para atender à demanda do país”, assegura a professora de Psicologia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e coordenadora do LIOP (Laboratório de Informação e Orientação Profissional), Dulce Penna.

A professora destaca ainda que embora o vestibular funcione como um funil, nem sempre os aprovados serão os melhores profissionais. “Neste aspecto, concordo plenamente com a filosofia do escritor Rubem Alves. O mais racional e justo seria fazer um sorteio com todos os alunos aptos a ingressarem em uma universidade”, afirma.

Apreendendo com os erros

Ainda não inventaram uma máquina capaz de voltar no tempo para que erros passados sejam reparados. Mas nem tudo está perdido. Novos vestibulares de inverno e de verão se aproximam e existem alguns meses pela frente para que você se prepare para uma nova batalha de exames. Portanto, vá com calma. É preciso estar atento para não cometer os mesmos erros do último concurso.

O primeiro passo é analisar os motivos pelos quais o candidato não conseguiu cehgar ao resultado esperado. “Ok, você já sabe que não passou, e se isso aconteceu, é porque cometeu algumas falhas. Verificar as matérias onde os erros foram mais freqüentes é primordial para que eles não se repitam em uma próxima oportunidade”, alerta o coordenador do cursinho Anglo Ernesto Birner. “Caso o candidato encontre dificuldades neste processo, é importante que procure a orientação de professores ou especialistas. Os resultados desta etapa se refletirão nos próximos passos.”

Detectadas as causas da reprovação, o negócio é organizar os planos de estudo. “É preciso entender que o vestibular não aprova especialistas em assuntos específicos, mas aqueles que têm domínio de conteúdos nas mais diversas áreas do conhecimento”, afirma o coordenador do cursinho da Poli Rubens Faria. Por isso, o ideal é que o estudante dedique parte de seu tempo aos assuntos que sente maior dificuldade, mas, sobretudo, que não se esqueça de reciclar os conhecimentos nas demais disciplinas. Isso evita que elas se transformem em futuras ciladas.

No entanto, os especialistas alertam que o problema, muitas vezes, não está relacionado à ausência de empenho e, sim, à falta de orientação de estudos. “Nestes casos, aumentar a carga de estudo não é solução. É importante que o aluno procure um auxílio. Desta forma ele conseguirá trabalhar com o tempo de maneira mais eficiente e, conseqüentemente, obter resultados mais expressivos”, assegura Birner. “Além disso, é preciso quebrar a rotina do estudo com a prática de exercícios. Este mecanismo vai tornar suas horas de estudos mais produtivas”.

Assim, seu sonho pode estar bem próximo de se tornar realidade. Desistir talvez seja a alternativa mais fácil, mas será que vale a pena? Existem outros caminhos que podem ser percorridos sem que se desvie dos objetivos. “Mas, para isso, seus objetivos precisam estar bem definidos. Assim, terá a possibilidade de traçar outras caminhadas que te levarão para o mesmo destino. Neste processo, a flexibilidade é primordial”, alerta a psicóloga Dulce. “Pode ser um processo difícil, mas não é impossível. No entanto, a auto-estima é uma ferramenta importantíssima para esta conquista”, garante.

Uma grande luta pela frente

Não passei no vestibular, e agora? Foi esta a pergunta que a estudante Ana Paula Malfa, 17 anos, fez a si mesma quando recebeu a notícia de que não tinha sido aprovada na primeira fase da USP. A falta de estrutura para enfrentar este processo foi o principal motivo da sua reprovação. Por isso, a candidata já se matriculou em um cursinho preparatório para empenhar-se em seu objetivo: cursar no ano de 2007 a graduação em Letras na instituição. “Receber a notícia negativa do vestibular é muito difícil. No entanto, esta experiência serviu para impulsionar, ainda mais, o meu desejo de ingressar em uma universidade pública”, assegura.

Parece que o ano vai ser exaustivo, mas, para a estudante, valerá a pena. Manter uma rotina de estudos durante todo o ano fará com que Ana Paula chegue ao vestibular muito mais segura de suas condições. Além disso, a estudante também terá uma outra carta na manga: pretende candidatar-se ao ProUni (Programa Universidade para Todos), o que pode resultar em uma bolsa de estudos para uma instituição particular de ensino. “Desta forma, os meus horizontes poderão se expandir. O programa me dará mais chances de ingressar na universidade”, conta. “A dedicação será fundamental nesta fase da minha vida. Será preciso correr atrás, não basta ficar só na fé”.

Conquista recheada de persistência

Foram mais de cinco tentativas, mas o sonho de ingressar no Ensino Superior não foi abandonado com os resultados negativos do vestibular. A cada não, crescia o desejo de provar a si mesma de que era capaz. Hoje, a estudante Mirian Gruenwaldt, 21 anos, comemora sua vitória: passou para a segunda fase da USP e para garantir sua vaga no primeiro semestre letivo de 2006 já se matriculou no curso de Letras do UNIBERO (Centro Universitário Ibero-Americano).

A princípio, o trabalho não permitia que Mirian se dedicasse integralmente aos estudos, tornando o seu caminho ainda mais difícil. No entanto, foram muitas noites gastas até que a estudante alcançasse seu desejo. A cada tentativa, o empenho se tornava ainda maior. “Desistir nunca passou pela minha cabeça. Lutei muito, e depois de seis tentativas consegui conquistar o tão esperado sonho de ingressar na graduação”, ressalta Mirian. “O que mais contribuiu para que isso acontecesse foi a minha persistência e auto-estima. Sempre soube que era capaz, bastava um pouco mais de dedicação. Como valeu a pena passar por tudo isso!”, conclui.

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