Persistir no sonho (mesmo que leve tempo)

Reprovações no vestibular podem desanimar, mas motivação é fundamental

Publicado em 06/02/2006 – 00:01
Por Bárbara Paludeti

Fonte: http://ww1.universia.com.br/materia/materia.jsp?materia=9948

Ser “doutor” é o sonho de muita gente, mas são poucos os que conseguem chegar lá. Antes de estudar seis anos seguidos, fazer residência e, enfim, formar-se médico, a primeira tarefa – com certeza uma das mais complicadas – é passar no vestibular. Persistência. Essa é a palavra de ordem para aqueles que não desistem do sonho, mesmo que para isso precisem enfrentar anos e anos de cursinho pré-universitário.

Carlos Eduardo Carrasco, 22 anos, está prestando vestibular para Medicina há cinco anos. Aqui entre nós, é difícil imaginar como alguém resiste tanto tempo, não? Para os mais desanimados, Carrasco diz que sua insistência é fruto da vocação que acredita ter. “Minha mãe conta que quero ser médico desde criança. Já fiz também vários testes vocacionais e todos apontaram para a Medicina”, afirma.

Carlos Eduardo Carrasco,
22 anos, há cinco tenta entrar
na faculdade de medicina

Persistência também é a marca de Luiz Fernando Magri Dias Galdino, 25 anos. Ele que, durante seis (!) anos consecutivos, prestou diversos vestibulares para Medicina, não cogita desistir do sonho, pois está firme em sua escolha. Nestes casos, a Medicina não é uma simples coincidência de cursos. É claro que não é o único curso em que há reprovação. Não dá pra negar, no entanto, que esse é o caso mais comum.

Se você também está nessa situação, deve tomar cuidado para que a frustração não o faça desistir. Fique atento, pois essa é a tendência natural. A cada que vez um aluno reprova no vestibular, vai acumulando decepções.

“O mais importante é que os jovens consigam lidar com a frustração. Agora, como fazer isso depende da carga emocional de cada um e do quanto de forças restam para uma nova tentativa”, explica o psicólogo e professor do Departamento de Psicologia Escolar e Desenvolvimento da UnB (Universidade de Brasília), Áderson Luiz Costa Junior.

Consciência e decisão

Galdino é definitivo: nunca pensou em prestar vestibular para outro curso. “Tenho plena certeza da minha escolha. Sei que, além de me satisfazer profissionalmente, a Medicina tem uma importante função de contribuição social”, afirma. Já Carrasco conta que, nos primeiros anos, chegou a prestar Biologia e Jornalismo – mas também não passou. “É um pouco difícil dizer que seguiria alguma outra carreira. Mas acredito que posso ser tão feliz quanto em outras profissões que gosto”, ressalta.

Aí cabe uma outra observação: nem sempre desistir de um curso pela dificuldade do vestibular vale a pena. Costa Junior alerta que trocar sua opção profissional por algo mais fácil pode não funcionar como compensação. “O jovem que toma essa decisão tem que estar convicto de que escolheu uma carreira alternativa tão adequada e importante quanto aquela primeira da qual desistiu”, afirma.

Para quem está procurando dicas de motivação, seguem algumas indicações, dadas pelo professor da UnB:

1. A primeira motivação vem do próprio estudante, é a vontade de ser profissional da área X ou Y. Esse desejo gera a motivação, o empenho e, por consequência, o resultado;
2. Uma boa rede familiar de apoio é muito importante. A família e os amigos devem ajudar, dando forças e facilitando a vida do indivíduo para que ele faça um novo ano de cursinho;
3. o equilíbrio emocional para enfrentar situações de tensão é fundamental. É preciso aumentar o potencial psicológico para enfrentar a nova experiência;
4. vale a pena descobrir quais são seus pontos fracos para dar mais atenção a eles durante a preparação.

Cansaço

E o cansaço? Será que não atrapalha? Carrasco confessa que, muitas vezes, sente o peso e revela que já pensou em desistir. “É inevitável, você estuda sempre as mesmas coisas. Às vezes dificulta um pouco, fico cansado. Você estuda, estuda, chega na hora e não vê resultado. Passa pela cabeça desistir, mas, lá no fundo, o sonho te faz continuar”, diz Carrasco.

Diante de tantas dificuldades, não é fácil definir se esses dois “bravos” devem ser tachados de persistentes, ou apenas teimosos. Para Costa Junior, eles são, ao mesmo tempo, persistentes, obstinados e teimosos, já que não o limite entre essas definições é quase imperceptível. “Enquanto a pessoa tiver um objetivo para alcançar, uma possibilidade de enfrentar a dificuldade, tem que tentar. Mas sempre tomando cuidado para que o estresse e a frustração não ultrapassem a motivação porque isso pode trazer prejuízo até para a saúde do sujeito.”

E os resultados?

Quanto à expectativa com relação aos resultados, Carrasco diz que, hoje, é mais realista e pé no chão. “Fico na minha. Se você subir muitos degraus, maior é o tombo. Quando você fica esperando muito, muito, muito, chega na hora e quebra a cara. Foi o que aconteceu comigo nos primeiros anos”, reconhece. O estudante ainda espera o resultado de um último vestibular que sai no próximo dia 10 de fevereiro. “Estou esperando. Se não der, estou matriculado para outro ano de cursinho, vou para o sexto”, conclui Carrasco.

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