Desigualdade Salarial entre Homens e Mulheres em SC é a maior do Brasil


Estudo do IBGE revela que, apesar de serem mais bem qualificadas, as mulheres catarinense seguem ganhando menos que os homens Jeferson Ribeiro
Especial para A Notícia (Sexta-feira, 25 de fevereiro de 2005)Brasília – As mulheres catarinenses são as mais prejudicadas pelo mercado de trabalho discriminatório do País. Santa Catarina registra a maior diferença salarial entre homens e mulheres levando em conta o rendimento médio mensal. Enquanto o salário médio deles é de R$ 985,10, elas ganham, em média, R$ 583,60. Uma diferença de 68,7%. Pior, as mulheres são geralmente mais bem qualificadas que os homens no Estado. A catarinense do campo ou da cidade, empregada ou não, estudou mais que os homens de Santa Catarina em média. É o que mostra parte dos dados dos Indicadores Sociais brasileiros de 2003 apresentados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Entre as mulheres do Estado que trabalham no meio urbano, por exemplo, a média de anos na escola é de 8,7 anos. Já os homens estudaram 8,1 anos em média. Porém, esse conhecimento maior não resulta em melhores salários no mercado de trabalho. Enquanto eles recebem, em média, salários de R$ 764,00, quando estudam entre 4 e 7 anos, elas, com o mesmo tempo de estudo, recebem, em média, R$ 350,00. Uma diferença de 110%.
A vantagem salarial se dá em todos os níveis, mesmo quando os dois têm formação superior. Em média, a diferença é de 78% nos salários em favor dos homens. Medida em salários mínimos, a discriminação é mais alarmante ainda. Em Santa Catarina, 42,3% dos homens ocupados ganham, no máximo, dois salários mínimos. Entre as mulheres, esse percentual ultrapassa os 70%. Apenas 7,1% delas conseguem receber mais de cinco salários mínimos. Entre os homens, esse percentual passa dos 18%.
Dos 2,9 milhões de trabalhadores ativos no Estado, mais de 1,2 milhão são mulheres, o que mostra a força de trabalho feminina. Mesmo assim, elas continuam sendo donas de casa na extensão do expediente comercial. Mais elas são responsáveis pelo sustento da família em quase 400 mil lares no Estado, segundo os dados do IBGE. E na maior parte desses casos não há um cônjuge (96,8%). Ou seja, é tudo por conta delas e dos filhos. Apenas em 3% das casas sustentadas por homens eles não têm uma esposa para ajudar.
Os salários são pequenos, mas as mulheres têm bastante espaço no mercado de trabalho, já que ocupam mais de 41% das vagas no Estado. Contudo, elas se mostram menos empreendedoras que os homens. Das catarinenses ocupadas, 12,4% trabalham por conta-própria. Entre os homens, esse percentual cresce para 26,2%, muito por conta do segmento da construção civil, é verdade, mas isso não explica toda a diferença segundo o estudo o IBGE. Apenas 3,8% das mulheres se declararam empregadoras. Os empregadores do sexo masculino chegam a 7,5% em Santa Catarina.
Porém, se eles dominam o segmento de construção civil, elas quase tomam conta do segmento de serviços. Mais de 40% das mulheres empregadas em Santa Catarina trabalham prestando serviços. Fora o comércio, outra área bastante ocupada por elas é o campo, onde as mulheres se equiparam e eles. Na indústria, os postos de trabalhos já são bem divididos também. Mas em todos os casos o salário é menor.

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