Empresas preferem funcionários divertidos, diz estudo

Trabalhar, em seu sentido mais tradicional, sempre foi a antítese de diversão. Como minha avó costumava dizer, quando eu me queixava de um chefe ou de um prazo apertado, “é por isso que se chama trabalho”. Minha avó ficaria mais que surpresa diante do que Adrian Gostick e Scott Christopher têm a dizer em The Levity Effect: Why It Pays to Lighten Up, seu livro que defende a teoria de que locais de trabalho divertidos influenciam positivamente os lucros. E eles estão falando muito sério.

“Quando as pessoas riem, elas prestam atenção”, disse Gostick, escritor e consultor de motivação no trabalho.

Christopher, comediante e colunista de humor na revista Human Capital, riem juntos ao expor seus principais argumentos:

Pessoas divertidas são contratadas com mais facilidade.
Um estudo entre 737 presidentes de grandes empresas constatou que 98% deles contratariam um candidato com senso de humor, se outro concorrente ao posto demonstrasse menos humor.

Diversão gera lealdade nos funcionários.
De acordo com uma pesquisa da Ipsos que envolveu 1 mil trabalhadores, os funcionários que riem no trabalho mudam menos de emprego. Os que consideram que seu chefe tem senso de humor “acima da média” também têm probabilidade superior a 90% de permanecer em um emprego por mais de um ano. Caso trabalhem para um chefe com senso de humor “médio”, a retenção cai a 77%.

As pessoas divertidas vão longe.
De acordo com um estudo publicado pela Harvard Business Review, executivos descritos pelos colegas como pessoas bem humoradas “sobem na hierarquia com mais rapidez, e ganham mais do que seus companheiros”.

Rir faz bem à saúde.
Um estudo da Universidade de Maryland demonstrou que, enquanto o estresse reduz o fluxo sangüíneo, o humor o eleva. E em 22%.

Está bem, o humor é benéfico. E pode ser bom para os negócios. Mas será que saber disso não representa uma outra forma de estresse? Quero dizer, e se a pessoa não tiver graça?

Já não temos bastante com que nos preocupar em entrevistas de emprego? Agora precisamos também ser engraçados? Humor é muito subjetivo, e pode cair muito mal caso não funcione. E os chefes já não têm problemas suficientes a resolver, com a crise econômica? Agora eles terão de reanimar seus comandados sendo engraçadinhos? Há muita gente competente que não seria capaz de se levantar diante dos colegas de trabalho e se lançar a um número cômico.

Gostick diz que não é preciso se preocupar com isso. “Nossa definição se relaciona mais à leveza. A pessoa não precisa ser engraçada, mas é preciso que as outras pessoas se divirtam por tê-la em sua companhia”, ele diz. “Os grandes líderes fazem dos locais de trabalho um ambiente mais leve”.

“O chefe não necessariamente faz humor”, disse Christopher. (Os dois tendem a alternar respostas, nas entrevistas.) “O que ele faz é incentivar o humor, ou pelo menos tolerá-lo”.

A consultoria Bain o faz ao reunir 400 funcionários de todo o mundo para sua copa de futebol anual. A fabricante de brinquedos Lego America encoraja os funcionários a usarem ciclomotores para ir ao trabalho. O Google organiza campeonatos de hóquei sobre patins no estacionamento duas vezes por semana, promove torneios do jogo “Palavras Cruzadas” ao longo do dia e tem um piano em seu refeitório.

Algumas empresas chegam a colocar um grupo ou pessoa no comando da diversão.

Na Iris North America, uma agência de publicidade, a equipe leva o nome “esquadrão do riso”, diz Stewart Shanley, um dos fundadores da empresa. A equipe tem orçamento e logotipo próprios, e é responsável “pelo bem-estar e pela diversão ocasional” dos 475 funcionários da agência, ele acrescenta.

“Manter as pessoas contentes as faz trabalhar melhor”, afirma. “O truque para dirigir um negócio de sucesso é atrair talentos, mas essa parte costuma ser esquecida”

. Na Iris, além do esquadrão do riso, há o esquadrão do esporte e o esquadrão da farra, cuja função, explica Shanley, “é embriagar as pessoas ocasionalmente”.

Opa, bebedeiras promovidas pelo empregador? Isso não causaria desconforto a certos funcionários? E os alcoólatras que estiverem em recuperação? Ou as pessoas cuja religião ou estado de saúde proíbam o álcool?

“Há hora e lugar para tudo”, disse Christopher. “Leveza não quer dizer insensibilidade”.

Mas da mesma maneira que algumas empresas parecem estar se saindo bem com esses métodos, a história recente oferece diversos exemplos de chefes que entenderam tudo errado.

Um estudo japonês publicado em fevereiro trata dos danos físicos e emocionais sofridos por mulheres que trabalham no varejo e são forçadas a sorrir o dia inteiro. O Dr. Makoto Natsume, psiquiatra da Universidade de Osaka, identificou entre as mulheres participantes da pesquisa uma “síndrome da máscara risonha”, que pode causar depressão e lesões por esforço repetitivo no rosto.

Ou seja, alegria forçada pode fazer mal à saúde.

E há o caso do Dr. Robert Woo, dentista de Auburn, Washington, que substituiu por implantes dois dos dentes da frente de uma assistente, cuja família criava porcos, um assunto que era de conhecimento comum dos funcionários da clínica.

Quando a paciente estava anestesiada, Woo por brincadeira colocou duas próteses em forma de presas de javali no maxilar da assistente, e fotografou a funcionária adormecida com elas. Mas as próteses corretas foram instaladas antes que ela despertasse.

No entanto, ela descobriu a piada quando as fotos foram mostradas em uma festa do escritório. A funcionária pediu demissão e processou Woo, que fez acordo por US$ 250 mil para escapar da ação.

Fonte: http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200803231200_NYT_72161092&idtel=

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