Mulheres estudam mais, ganham menos e fazem dupla jornada


13/04/2006
Mais estudo e dupla jornada

O IBGE divulgou nesta quarta-feira (12/4), a Síntese dos Indicadores Sociais, que tem como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do ano de 2004 e aborda dez temas: aspectos demográficos; educação; trabalho e rendimento; domicílio; família; casamentos, separações e divórcios; crianças, adolescentes e jovens; idosos; cor e mulher.

Leia, a seguir, os principais pontos da pesquisa.

Escolaridade – Em 2004, trabalhadoras com até quatro anos de estudo recebiam, por hora, em média, 80,8% do rendimento dos homens com o mesmo nível de escolaridade. As com 12 anos ou mais anos de estudo recebiam 61,6% do rendimento-hora masculino. Dentro de casa, a situação da mulher não era diferente: mulheres trabalhavam 4,4 horas a mais por dia em afazeres domésticos.

Em 1991, as mulheres com oito anos ou mais de estudo correspondiam a 35,1% do total de mulheres na faixa etária de 15 a 49 anos. Em 2004, esse percentual alcançou 58,5%, contrastando com os 14,7% de mulheres com até três anos de estudo.

Escolaridade e natalidade – Em 2004, a distância entre a fecundidade das mulheres menos instruídas das regiões Norte e Nordeste das que possuíam alta escolaridade do Sudeste e Sul era de mais de três filhos. Mesmo em uma mesma região, mulheres com até três anos de estudo chegavam a ter, em média, mais que o dobro do número de filhos das mulheres com oito anos ou mais de estudo.

Escolaridade e mortalidade – Comportamento semelhante foi constatado em relação à mortalidade infantil. Em 2004, a taxa entre crianças com até 1 ano de idade cujas mães tinham oito anos ou mais de estudo era de 14‰ (14 por 1.000 nascidos vivos) nas regiões Sudeste e Sul; para crianças nascidas no Nordeste, de mães com até três anos de estudo, a taxa alcançava 53,5‰.

Mães adolescentes – Em 2004, 63,4% das 50,5 milhões de mulheres em idade reprodutiva (15 a 49 anos) tinham filhos. Entre as adolescentes de 15 a 17 anos, 6,8% tinham pelo menos um filho, sendo que quase 11% já tinham dois filhos. Na população entre 18 e 24 anos, 36,5% das mulheres tinham filhos, índice que saltava para 52,2% na Região Norte.

Chefia da família – Em 2004, 29,4% das 56,1 milhões de famílias eram chefiadas por mulheres, principalmente na faixa dos 60 anos de idade ou mais (27,4%). O estado do Rio de Janeiro apresentava o maior percentual de mulheres nessa faixa etária entre as chefes de família – 33,9%.

Das famílias com chefia masculina, 25,1% viviam com rendimento familiar de até ½ salário mínimo per capita, enquanto que nas chefiadas por mulheres essa proporção subia para 29,6%, apesar de diferenças regionais. No Norte e Nordeste, mais de 40% das famílias chefiadas por mulheres viviam com até ½ salário mínimo per capita; na região Sul a proporção caía para 17,4%. A região Norte apresentava o maior percentual de mulheres chefes sem cônjuge com todos os filhos menores de 14 anos (30,4%), sendo que o estado do Acre tinha a maior proporção de famílias nessa situação (34,7%).

Cargos de direção – A pesquisa mostrou que apenas 3,9% das mulheres ocupadas estavam em cargos de direção. A maior proporção de mulheres em cargos de direção se encontrava no Distrito Federal (8,0%), resultado da elevada participação feminina no serviço público federal, onde o acesso a cargos de direção se dá de forma mais igualitária que no setor privado.

As mulheres ocupadas na área urbana tinham média de 8,6 anos de estudo contra 7,6 anos dos homens; no setor rural a escolaridade feminina chegava a 4,3 anos frente a 3,8 anos dos homens. Entre as mulheres ocupadas, o trabalho doméstico e não-remunerado (26,2%) superava o emprego formal, com carteira, (25,7%).

Dupla jornada – Os afazeres domésticos continuam sendo atividade predominantemente feminina. Em 2004, 68,3% da população de 10 anos ou mais de idade, ou 102,3 milhões de pessoas, cuidavam de afazeres domésticos. Desse universo, 32,2% eram homens e 67,8%, mulheres.

A média de horas gastas pelas mulheres nas atividades domésticas (22,1 horas) era mais que o dobro da observada para os homens (9,9). Considerando, por hipótese, para a população ocupada, uma jornada diária de 8 horas no período de 5 dias, seria possível afirmar que as mulheres ocupadas trabalhavam em média mais 4,4 horas diárias, além da jornada habitual, cuidando de afazeres domésticos, contra 2 horas adicionais gastas pelos homens nessas atividades.

Desemprego e escolaridade – A análise da taxa de desocupação por grupos de anos de estudo revela que a desocupação em 2004 atingiu com maior impacto as pessoas com escolaridade entre nove e 11 anos de estudo (12,4%) em comparação com aqueles de escolaridade até quatro anos (5,5%). Para as mulheres com nível superior, a taxa de desocupação ficou acima da dos homens: 6,2 contra 4,5.

Rendimentos e desigualdade salarial – A passagem do nível mais baixo de escolaridade (até 4 anos de estudo) para a categoria de 5 a 8 anos de estudo significava um incremento de cerca de 29% no rendimento médio por hora. Na categoria posterior (9 a 11 anos), o incremento em relação à categoria anterior era de 45% e, quem possuía nível superior (12 anos ou mais de estudo) elevava o seu rendimento em 189% com relação àquela de nível médio.

Embora a escolaridade aumentasse o rendimento médio, acentuava também a desigualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho. Mulheres com até 4 anos de estudo recebiam por hora, em média, 80,8% do rendimento dos homens com esse nível de escolaridade, enquanto que aquelas com 12 anos ou mais de estudo recebiam 61,6% do rendimento-hora dos homens.

Desigualdades raciais – Os brasileiros de cor preta e parda continuaram apresentado indicadores em desvantagem aos observados para a população de cor branca. A taxa de analfabetismo entre negros continuava, em 2004, mais que o dobro da apresentada pela população branca (16% contra 7%); em 2004, 18% da população branca tinham menos de quatro anos completos de estudo, percentual que foi superior a 30% para as pessoas de cor preta e parda.

Se a freqüência escolar não se mostrou muito desigual entre as crianças de 7 a 14 anos, nos grupos etários de 15 a 17 anos e de 20 a 24 anos, a diferença entre brancos e pretos e pardos chegou a cerca de seis pontos percentuais.

A escolaridade diferenciada entre brancos e pretos e pardos se reflete no mercado de trabalho. Pessoas ocupadas de cor branca tinham, em 2004, em média, 8,4 anos de estudo e recebiam mensalmente 3,8 salários mínimos. A população negra ocupada apresentava 6,2 anos de estudo e 2 salários mínimos de rendimento. A diferença na escolaridade não é suficiente, porém, para explicar a desigualdade nos rendimentos: embora a média de anos de estudo de pretos e pardos tenha sido 74% da média dos brancos, o rendimento médio mensal da população ocupada preta e parda representou apenas 53% do rendimento dos brancos.

Mesmo entre pessoas com escolaridade equivalente, observou-se um diferencial significativo em todos os grupos de anos de estudo, com a população ocupada de cor branca recebendo sistematicamente mais que os pretos e pardos. A maior diferença foi encontrada no grupo de maior escolaridade: entre aqueles com pelo menos o ensino médio concluído (12 anos ou mais de estudo), os brancos recebiam em média R$ 9,1 por hora, enquanto que os pretos e pardos tinham um rendimento-hora médio de R$ 5,5.

Os dados completos da pesquisa podem ser acessados na página http://www.ibge.gov.br.

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