Mulheres ganham menos


Setores variados absorvem mão-de-obra feminina, em trabalhos antes feitos apenas por homens
Foto: Pena Filho
Conquista de alto cargo não garante salário compatível Silvia Pinter – http://www1.an.com.br/2001/mar/07/0ecc.htm
O avanço das mulheres no mundo corporativo é incontestável. Elas representam hoje um pouco mais de 50% da força de trabalho em Santa Catarina e 40% no País. São maioria nas universidades, ocupando 60% das vagas. Há quem diga ainda que o sexo feminino pode dominar o mercado de trabalho no futuro. Assim, friamente, até parece que as mulheres finalmente estão competindo em grau de igualdade com os homens.
Puro engano. Na verdade, elas ainda convivem com a discriminação salarial, são poucas as que conseguem chegar a cargos de chefia e são muitas as que fazem dupla jornada de trabalho. Segundo recente Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad), do IBGE, as mulheres catarinenses recebem apenas 40% do salário médio dos homens. E à medida que a faixa salarial vai aumentando a quantidade de profissionais femininas vai reduzindo. O número impressiona. A maioria quase absoluta das pessoas que recebe mais de 20 salários mínimos no Estado é homem, 81,9% de um universo de 61.076 trabalhadores.
As explicações para tal disparidade são as mais variadas. A pesquisadora do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos (Dieese), Isabella Jinkings, diz que o fato das mulheres estarem ingressando no mercado de trabalho mais recentemente e, de algumas vezes, não serem chefe de família, tendo somente de complementar o orçamento doméstico, faz com que elas aceitem trabalhar por salários mais baixos. “Há na realidade uma divisão sexual do trabalho”, complementa.
A escritora e precursora do feminismo no Brasil, Rose Marie Muraro, é mais taxativa. “A mulher é inferior porque não possui pênis”, diz a autora do livro “Memórias de uma Mulher Impossível”. Já para o presidente da Câmara de Relações Trabalhistas da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), Ronald Caputo, as mulheres ganham menos porque “possuem pouca cultura, educação e treinamento”. “Somente de uns 15 anos para cá é que as mulheres estão procurando escolas técnicas”, arremata.
Independente das justificativas, a realidade é que o preconceito ainda existe. Não bastasse a disparidade salarial, o número de empresas que têm mulheres em cargos de chefia é ínfimo.

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