Quem é essa nova mulher?

Fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDR76794-6014,00.html

Ela nasceu com as conquistas do feminismo, é independente e segura. Ao mesmo tempo, admite que precisa de um companheiro e não se importa em ser admirada pela beleza. Ela é a mulher alfa

Beatriz Velloso, Mariana Sanches e Martha Mendonça

Um híbrido novo circula pelas grandes cidades do Brasil e do mundo. É uma mistura entre dois tipos conhecidos, mas até há pouco tempo inconciliáveis. Essa nova espécie é encontrada apenas entre as mulheres e vem sendo observada com admiração, respeito, esperança – e, em alguns casos, com certo receio. Trata-se de uma combinação entre a figura da feminista clássica, aquela surgida nos anos 60, que, para conquistar espaço e independência, teve de ser durona, agressiva e por vezes masculina, e a “mulherzinha” dos anos 90, personificada pela personagem Bridget Jones, que queria arrumar um companheiro bacana, manter o corpo em forma, ir à manicure uma vez por semana e comprar muitos pares de sapato sem medo de ser tachada de perua.

A mulher alfa é uma
combinação entre a
feminista dos anos 60
e a “mulherzinha” dos
anos 90, como
Bridget Jones

Essa nova espécie é a mulher alfa, uma feminista feminina, criatura nascida para ser líder, dona de uma segurança e uma auto-suficiência sem precedentes, competente na vida acadêmica e no universo profissional. Um tipo de mulher que nasce pronta para enfrentar tudo, capaz de admitir que precisa, e gosta, dos homens – mas capaz, também, de viver sem eles. Uma mulher vaidosa, que gosta de cuidar de si e de ser admirada pela beleza, sem risco de cair no estereótipo da futilidade. A mulher alfa tem potencial para mudar a estrutura do casamento, da família e do mercado de trabalho. E já há quem sustente que ela vai dominar o futuro.

Essa é a tese do livro Alpha Girls (Meninas Alfa), que acaba de ser lançado nos Estados Unidos. Escrito por Dan Kindlon, psicólogo e professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade Harvard, o livro transporta para o universo feminino um termo conhecido da biologia animal: o macho alfa – o mais forte do bando, que lidera os demais, consegue os melhores alimentos e as melhores fêmeas. Para Kindlon, entre os seres humanos esse papel caberá, muito em breve, às mulheres. No livro, ele reúne entrevistas, estudos e estatísticas sobre a nova geração de meninas americanas, com idade variando entre 15 e 20 anos, e afirma que elas estão mais bem preparadas para cair no mundo que os meninos (leia a entrevista na seqüência da matéria). Kindlon não está só – e as idéias sobre a mulher alfa não se restringem às moças da sociedade americana. Recentemente, o filósofo francês Gilles Lipovetsky cravou que este será o “século da mulher-sujeito”, aquela que é senhora da própria vida. Em seu livro A Terceira Mulher, Lipovetsky escreve: “Nenhuma transformação social de nossos tempos foi tão profunda, rápida e rica de possibilidades futuras quanto a emancipação feminina”. E acrescenta: “A situação presente é marcada por tal defasagem entre as qualificações das mulheres e sua posição hierárquica que a pressão para o topo é quase inevitável”.

Amora Mautner
Idade: 31 anos
Estado civil: casada, está grávida do primeiro filho

Por que é alfa: tem espírito de liderança. É diretora de TV do primeiro escalão da Globo. Desistiu de ser atriz porque não gostava de receber ordens

No Brasil, o fenômeno já pode ser identificado. Está presente nas ruas, começa a invadir o alto escalão do governo e das grandes empresas e tem suas maiores promessas entre as meninas da geração mais jovem, que estão na idade de fazer vestibular e iniciar uma carreira – cada vez mais certas da própria capacidade de triunfar. A tendência está cravada, ainda, em diversos indicadores sociais: elas já são maioria nas universidades brasileiras, tiram melhores notas e têm mais anos de estudo que os homens. “Nunca a distância entre homens e mulheres foi tão pequena”, afirma Marcelo Neri, economista da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, que pesquisa a participação da mulher no mercado de trabalho. “A sociedade de hoje tem um viés pró-mulher.” Em artigo recente, a revista The Economist resumiu a questão: “Esqueça a China, a Índia ou a internet. O mais poderoso motor do crescimento global são as mulheres”.

O nome vem de um
termo da biologia:
o macho alfa – o
mais forte do bando,
que consegue as
melhores fêmeas

O que levou ao surgimento da mulher alfa? Quais transformações sociais, culturais e econômicas levaram a esse novo caminho? Há várias respostas para essas perguntas, e todas contribuíram de igual forma para a ascensão da mulher e sua metamorfose até que ela chegasse ao ponto em que se encontra hoje – as “filhas da revolução feminista”, nas palavras de Dan Kindlon. A primeira justificativa, e a mais óbvia, está justamente no movimento da emancipação feminina dos anos 60, nas batalhas travadas para permitir que as mulheres deixassem a função de dona de casa e passassem a trabalhar, ganhar salário e ter uma vida além do cotidiano doméstico. O surgimento da pílula anticoncepcional, em 1960, também foi fator preponderante, pois deu às mulheres a chance de optar – ou não – pela maternidade. O controle de quando (e se) a mulher teria filhos foi uma arma poderosa para que ela pudesse investir em outras áreas da própria vida, como a carreira. As mulheres passaram a estudar e a trabalhar mais. Começaram a ganhar bons salários – o que lhes permitiu, caso quisessem, despachar os maridos e sustentar-se sozinhas.

Gabriela Masciolo
Idade: 31 anos
Estado civil: separada, sem filhos

Por que é alfa: não tem medo de arriscar. Largou um emprego bem pago e estável num grande banco para realizar o sonho de abrir uma livraria

NOVA GERAÇÃO
As estudantes do Colégio Santa Cruz, em
São Paulo, não têm pressa de casar, não
ligam para regime e planejam mestrado

Tudo isso já se sabia. Mas há uma novidade no cenário: agora, estamos diante da primeira geração de mulheres adultas que cresceram quando todas essas conquistas estavam estabelecidas. “As mulheres que hoje têm cerca de 30 anos nasceram num mundo onde é natural freqüentar boas faculdades, trabalhar fora, ganhar bem e tomar a iniciativa de pedir o divórcio”, diz Dan Kindlon. “Isso faz toda a diferença. Elas já partem do pressuposto que podem fazer tudo aquilo que os homens fazem, e é essa certeza que as fará avançar.” A afirmação remete ao clássico feminista O Segundo Sexo, da francesa Simone de Beauvoir. Lançado em 1949, o livro trazia uma frase hoje célebre: “Não se nasce mulher. Torna-se”. Hoje, o raciocínio é oposto: as novas mulheres são alfa justamente porque nasceram alfa. “Quando exemplos de igualdade e mulheres em cargos de liderança são observados desde a infância, a informação que fica é positiva”, afirma Kay Hymowitz, especialista em Políticas Públicas pela Universidade Columbia e autora do livro Liberation’s Children: Parents and Kids in a Postmodern Age (Filhos da Libertação: Pais e Crianças na Era Pós-Moderna). “As novas gerações já largam com vantagem. Para as mulheres que cresceram nos anos 60, não havia isso. Elas tiveram de remar contra a maré”, diz Kay.

As mulheres dividem
o mercado de trabalho com os homens em
partes quase iguais,
nos Estados Unidos
e no Brasil

Nunca houve tantos exemplos comprovando a potência das mulheres. A segunda pessoa mais importante do alto escalão do governo Lula é mulher, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Nos EUA, a Câmara dos Deputados tem hoje a primeira presidente mulher da História (Nancy Pelosi) e Hillary Clinton é candidata a candidata à Presidência. Os exemplos se multiplicam pelo Chile, pela França, Alemanha, Libéria, Coréia do Sul e outras paragens (leia o quadro na seqüência da matéria). Essas mulheres fazem parte de outra geração – aquela que “remou contra a maré”, nas palavras de Kay Hymowitz. Mas são elas, e outras mais, que dão às alfa de hoje a certeza de que o céu é o limite.

E quem são as mulheres alfa? O que pensam sobre trabalho, casamento, família e a convivência com os homens? A paulista Ana Cristina Tena é bom exemplo. Aos 39 anos, casada, dois filhos, ela é vice-presidente de vendas do Credicard Citibank no Brasil. Comanda, entre funcionários internos e externos, uma massa de mais de 6 mil pessoas. No ano em que fez vestibular, passou, de uma só vez, em três das faculdades mais disputadas do país: a Escola Politécnica e a Faculdade de Direito, ambas da Universidade de São Paulo, e o curso de Administração da Fundação Getúlio Vargas. Optou por cursar as duas últimas e, depois, fez mestrados na Universidade Stanford, nos EUA, e no Instituto Insead, na França. A descrição de mulher alfa pode sugerir uma mulher durona, seca e masculinizada. Nada mais equivocado. Ana Cristina é bonita, faz ginástica todos os dias, passa esmalte vermelho nas unhas e não reza pelo antigo breviário feminista, segundo o qual é preciso vencer a dominação masculina. O que ela quer é equilíbrio. Como boa alfa, tirou de letra o que poderia ser visto como entrave para uma mulher. “O fato de que exatas e finanças ainda são áreas dominadas pelos homens foi irrelevante na minha escolha profissional. Eu queria fazer isso, estudei, me dediquei e estou aqui.”

Ana Cristina Tena
Idade: 30 anos
Estado civil: casada, dois filhos

Por que é alfa: é bem-sucedida. Ao sair do colégio, passou nos vestibulares de Engenharia, Direito e Administração de uma só vez. É vice-presidente de vendas de um banco internacional e comanda uma equipe de 6 mil funcionários

As estatísticas ajudam a entender a convicção de Ana Cristina. Nos Estados Unidos, a divisão dos empregos entre mulheres e homens mostra uma evidente tendência de ascensão feminina: da década de 50 para cá, a participação dos homens no mercado de trabalho caiu de 70% para 52%, enquanto a das mulheres subiu de 30% para 48% no mesmo período. Por lá, e também em países da Europa, como Inglaterra, Alemanha e Suécia, as mulheres estudam mais anos, têm mais diplomas e mais títulos de mestrado e doutorado. O Brasil segue firme no mesmo rumo. A participação feminina no mercado de trabalho caminha para a paridade com os homens: elas ocupam 44% dos postos. Segundo o IBGE, o número de mulheres chefes de família aumentou oito vezes entre 1995 e 2005, e elas já são as principais provedoras em 28% dos lares brasileiros. As mulheres representam 56% dos brasileiros que têm 12 anos de estudo ou mais. “Elas estão finalmente começando a colher os resultados da revolução que fizeram”, diz o economista Marcelo Neri, da FGV.
Não é o caso de dizer que todas as batalhas já foram vencidas ou que a igualdade é total. Apesar dos avanços, os cargos de chefia em quase todos os setores ainda são dominados por homens. De acordo com um estudo da publicação americana Academy of Management Perspectives, publicado na edição de março da revista Época Negócios, entre as mil maiores empresas americanas, apenas 1,7% tem mulheres na presidência. No universo do poder público, a situação é semelhante. A pesquisadora Tânia Fontenele-Mourão, da Universidade de Brasília, fez um retrato completo da participação feminina na chefia do governo brasileiro – o resultado é o livro Mulheres no Topo de Carreira, uma análise esclarecedora sobre o assunto. Tânia apurou que a presença feminina no alto da administração pública é maior que no conjunto da sociedade – 19% dos cargos de chefia -, mas ainda é pequena. “Quanto mais alto o nível de responsabilidade e decisão, menor a participação das mulheres”, afirma Tânia. No Legislativo, a disparidade também é grande: as mulheres representam apenas 12% do Senado e 9% da Câmara em Brasília. No Congresso, ser alfa ainda é difícil – como atesta a deputada gaúcha Manuela d’Ávila, de 25 anos, bonita, determinada, firme e bem-sucedida (ela foi eleita em 2006 com 272 mil votos). “Minha geração já cresceu contando com a igualdade, sempre tivemos liberdade para fazer o que quiséssemos”, diz ela. “Por isso, é estranho entrar num universo em que as relações ainda são preconceituosas. Foi um choque sentir que a dominação masculina ainda é maciça em Brasília.”

Manuela d’Ávila
Idade: 25 anos
Estado civil: solteira, mora com o namorado

Por que é alfa: : chegou a uma área dominada por homens. Foi eleita deputada federal com 272 mil votos na eleição de outubro de 2006. Trabalha no Congresso, no qual apenas 9% dos parlamentares são mulheres

De qualquer forma, as perspectivas são auspiciosas. A Academy of Management Perspectives prevê que a participação de mulheres na presidência de grandes empresas saltará de 1,7% para 6,2% num intervalo de nove anos. Além disso, a defasagem na remuneração está caindo. “Nos últimos anos, a diferença entre o salário dos homens e das mulheres vem diminuindo rapidamente”, diz Marcelo Neri, da FGV. Na prática, outras searas tradicionalmente dominadas pelos homens – como o Congresso onde está Manuela d’Ávila ou a área financeira de Ana Cristina Tena – estão abrindo espaço para as mulheres. A carioca Amora Mautner, de 31 anos, desbrava um desses territórios: é uma das poucas mulheres no quadro de diretores de novela da TV Globo. Comandou produções grandiosas como as minisséries JK e Mad Maria. Agora ela está à frente do elenco da novela das 8, Paraíso Tropical. A vocação de Amora para a liderança é evidente. Ela desistiu de atuar depois de uma curta carreira como atriz. “Eu não gostava que mandassem em mim, achava que do meu jeito era sempre melhor.” Na vida pessoal, Amora vive uma situação simbólica dos novos tempos: em duas ocasiões, ela já dirigiu seu marido, o ator Marcos Palmeira. Os dois esperam um filho para agosto.

As mulheres não têm
mais medo da solidão:
72% dos divórcios não-
consensuais do país
são pedidos por elas

A situação do casal, em que a mulher “dirige” o marido, é uma boa metáfora dos novos tempos. O exemplo dos dois aponta para uma alteração na estrutura do casamento, que já se observa aqui e ali, e será mais comum dentro de alguns anos: o processo de adaptação dos homens às mulheres alfa. Nesse processo, os maridos estão aprendendo a conviver com mulheres que, por vezes, são mais poderosas que eles, podendo eventualmente deixá-los à sombra. Muitos estão até desfrutando da situação.

É o caso de Michel Klein, de 56 anos, dono da rede de lojas Casas Bahia, que há três anos mora com Maria Alice Pereira, uma empresária de 37 anos. Maria Alice é dona de um café badalado na região dos Jardins, em São Paulo, e de três centros de convivência para funcionários das fábricas das Casas Bahia. Trabalha pelo menos dez horas por dia e controla tudo por um laptop (que chama de “meu bebê”). Por ele, assiste a imagens em tempo real de seus negócios – tudo sem descuidar do visual, da ginástica, da maquiagem. Diante de uma mulher com tamanha autonomia e segurança, Klein não esconde o orgulho. “As mulheres independentes são mais interessantes”, diz ele. “É gostoso chegar em casa e poder sair daquele assunto que eu chamo de ‘cricri’, sobre criada e crianças. Sinto a maior admiração pela carreira da Maria Alice.” Ela confirma o companheirismo do marido. “O Michel jamais me pediria para deixar de trabalhar. Quando tenho de trabalhar no fim de semana, ele vai para o meu escritório comigo, leva umas revistas e fica lendo, enquanto eu resolvo as minhas coisas.”

“Os homens estão aprendendo a conviver com mulheres confiantes e auto-suficientes, e mostram-se mais preparados para ter relações equilibradas”, diz Dan Kindlon, de Harvard. “Muitos dizem que uma mulher bem-sucedida é mais sexy.” Kindlon aposta que as mulheres alfa vão causar uma mudança na estrutura das famílias. “Os adolescentes de hoje, que desde cedo convivem com mães, irmãs e colegas alfa, vão dividir mais as tarefas domésticas, o cuidado com os filhos”, afirma Kindlon. Hoje, esse homem ainda é exceção – principalmente em países latinos como o Brasil, onde o machismo é mais arraigado. “O brasileiro ainda está preso ao papel de provedor”, diz a psicóloga Maria Isabel Wendling, autora do estudo O Casamento na Contemporaneidade. “Se ele perde esse papel, fica confuso. No consultório, no entanto, percebo que os homens estão dispostos a se adaptar ao novo espaço que as mulheres estão ocupando na relação.”

Maria Alice Pereira
Idade: 37 anos
Estado civil: é noiva do empresário Michel Klein, com quem mora há três anos

Por que é alfa: controla os negócios por imagens em tempo real de seu laptop (o qual chama de “meu bebê”) sem descuidar da ginástica

Para chegar a esse equilíbrio, as mulheres também tiveram de mudar. Da postura confrontadora do início do movimento feminista, por vezes até agressiva, elas caminharam para um ponto em que não têm mais vergonha de dizer que gostam e precisam dos homens – ainda que não seja pelo salário, e sim pelo apoio e companheirismo. “Adoro homem, Deus não inventou nada melhor”, afirma a publicitária pernambucana Ana Venina, de 42 anos. Ela foi casada duas vezes e, com o último marido, teve o filho Matheus, de 8 anos. “Mas sei que homem não é emprego, é companheiro. Não acredito em relacionamento com dependência financeira ou emocional.” A postura de Ana é típica das mulheres alfa: elas querem ter um homem a seu lado e reconhecem os prazeres da vida a dois. Mas não precisam se casar nem dependem dos homens – mais que isso, elas não dependem de ninguém. As estatísticas comprovam que, quando estão infelizes, elas não hesitam em seguir “carreira-solo”. Segundo o IBGE, 72% dos divórcios não-consensuais do país são pedidos pela mulher. “Até a década de 70, o casamento era a junção de duas metades: o provedor e a responsável pelo lar”, diz o economista Marcelo Neri. “Agora, as mulheres são as duas metades em uma só.”

O número de mulheres
chefes de família
aumentou oito vezes
entre 1995 e 2005. Elas
já são 28% no Brasil

Essa virada de mesa foi fundamental para que as alfas se sentissem à vontade para arriscar e decidir o rumo da própria vida – seja no momento de pedir o divórcio, de adiar (ou rejeitar) a maternidade, de deixar o marido em casa para sair à noite com as amigas. O novo panorama produz mulheres que, sem ter a obrigação de se afirmar, desfrutam de uma serenidade que não se via nas gerações anteriores. É a serenidade que se observa na administradora de empresas Gabriela Mascioli, de 31 anos. Há quatro anos, ela largou um emprego estável num banco de investimentos, onde ganhava bem, era respeitada e tinha chances de ascensão, para realizar o sonho de trabalhar com dois assuntos que adora: culinária e livros. Abriu em São Paulo uma livraria especializada em títulos sobre gastronomia. Há três anos, veio outra mudança: separou-se do marido, com quem estava casada havia sete anos. O divórcio veio sem traumas. “Vejo cada um desses passos como experiências que me deixaram mais forte”, diz ela. “Quero estar casada, ou empregada, se isso for fazer minha vida melhor. Se for para fazer minha vida pior, não quero.”

O espírito alfa encontra sua última fronteira nas meninas jovens, as mulheres adultas de amanhã. As garotas alfa, encontráveis nas escolas das grandes cidades do Brasil, deverão reunir a serenidade de Gabriela Mascioli, a firmeza de Maria Alice Pereira, a competência de Ana Cristina Tena e a liderança de Amora Mautner. Essas características estão presentes num grupo de alunas do 3o ano do ensino médio do Colégio Santa Cruz, tradicional escola da classe média alta paulistana. Diana Garcia, de 16 anos, não demonstra a menor ansiedade em arrumar marido e ter uma família. “Pode ser que eu case, pode ser que não. Acho que minha vida pode ser boa dos dois jeitos.” Nina Giglio, de 17, ainda nem fez o vestibular para Arquitetura e já planeja mestrado e doutorado, prometendo engrossar as estatísticas que mostram as mulheres dominando as universidades. “Acho importante não parar de estudar nunca”, diz. E Bruna Keese, também de 17, mostra desprendimento até com o ponto que costuma atingir as mulheres em cheio: o corpo. “Tenho tanta coisa boa para fazer… Não entro nessa paranóia de ficar me preocupando em emagrecer”, afirma. É assim – de cabeça fresca, com segurança, autonomia e a passos largos – que as mulheres alfa caminham para o futuro.

Ana Venina
Idade: 42 anos
Estado civil: divorciada

Por que é alfa: é uma publicitária bem-sucedida. Gosta de homem e diz que Deus não inventou nada melhor. Com seu segundo marido, teve Matheus, de 8 anos. Mas diz que não acredita em relacionamentos com dependência emocional ou financeira

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