Planejamento ajuda a retomar rotina de vestibulando

ALEXANDRE NOBESCHI
SIMONE HARNIK
da Folha de S.Paulo

É a hora da retomada. A primeira semana após o fim das férias costuma ser cansativa. Planejar-se e adaptar a rotina de ócio para o trabalho pesado é o desafio que os estudantes têm de enfrentar neste momento.

O vestibulando Felipe Karam Alves, 19, que vai concorrer a uma vaga em direito na USP (Universidade de São Paulo), afirma que a adaptação, embora tenha sido rápida, foi penosa. “Fiquei as três semanas de férias sem tocar nos livros e saindo bastante com os amigos. A volta às aulas foi difícil. Cheguei à república onde moro após a aula e dormi a tarde toda”, diz Felipe, que é de Araraquara (273 km de São Paulo) e está na capital paulista para estudar.

No entanto, segundo ele, o momento agora é de readquirir o ritmo e estender o tempo de concentração nos estudos.

Neste semestre, essas preocupações são cada vez mais cobradas por alunos e professores, já que faltam menos de quatro meses para o início dos principais processos seletivos.

Uma das orientações mais repetidas por professores de cursinhos ouvidos pela Folha é que o vestibulando deve aumentar o ritmo de estudo gradativamente e, por conseqüência, prolongar o poder de concentração.

“Vamos supor que o aluno estudava, no primeiro semestre, duas horas e parava meia para descansar. Agora, ele tem de estudar três e parar meia. Daqui a um mês, precisará estudar três horas e meia e parar 15 minutos. Até conseguir ficar quatro, cinco horas sem intervalo”, diz o coordenador do Anglo, Ernesto Birner.

Segundo ele, esse método irá preparar o candidato para enfrentar as cinco horas de uma prova como a da Fuvest, maior vestibular do país e que seleciona estudantes para a USP, a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e a Academia de Polícia Militar do Barro Branco.

Apertar ainda mais o passo agora é o que pretende fazer a estudante Fernanda Sarabia, 19, que vai tentar uma vaga em medicina. “Passei as férias descansando porque no segundo semestre o conteúdo das disciplinas é mais denso. A gente precisa voltar renovada. Agora, é a hora de pegar firme nos estudos. Tirar todas as dúvidas que ficaram para trás.”

Mas o coordenador pedagógico do Objetivo Antonio Mario Salles, adverte sobre os riscos do exagero. “Acima de tudo, estão os limites físicos. Se o aluno estudava três horas por dia, pode aumentar para quatro horas. Mas só se isso não ferir os limites”, disse. “O aluno não pode ter longas horas de estudo, virar noites.”

Para conseguir um bom desempenho, o coordenador do Etapa, Edmilson Motta, sugere ao candidato que estabeleça uma rotina de estudos e que aprenda a lidar com a imperfeição dessa rotina. “Esse negócio de estudar quatro horas por dia, fazer “xis” questões de tal matéria, ler tantos capítulos dos livros só existe no mundo das fadinhas. O aluno tem problemas também. Então ele não pode se sentir o último dos mortais quando isso acontecer”, diz.

De acordo com Motta, a melhor maneira de lidar com essas oscilações é fazer com que o estudo renda o máximo possível. “Tem de procurar aprender uma coisa nova a cada dia.”

Uma outra sugestão dos professores para que os vestibulandos não se sintam desesperados é administrar a matéria atual. “O aluno tem que aproveitar o que está estudando agora. Não adianta nada ter aula sobre Canadá e fazer os exercícios sobre o Iraque. Assim, não dá para fixar o conteúdo nem de um nem de outro”, diz a coordenadora pedagógica do Objetivo, Vera Lúcia da Costa Antunes.

Com o foco voltado para o conteúdo aprendido no dia, o candidato, de acordo com os professores, deve deixar a revisão do primeiro semestre para mais tarde. “O ideal era o aluno ter feito isso durante as férias. Mas, se não deu, não precisa ficar preocupado. Ele pode destinar algumas horas da semana para isso”, diz Motta.

Juntar revisão e matéria do dia pode ser prejudicial, segundo Birner. “Caso faça a matéria nova correndo e a revisão, o aluno não faz nem uma coisa nem outra.”

O conselho do professor já está nos planos de Felipe. De acordo com ele, a revisão ficará para mais tarde. “Quero fazer a revisão em algum feriado ou durante a semana de folga”, planeja.

Ambiente

Os professores ressaltam ainda que um dos principais aspectos que auxiliam o vestibulando a ganhar ritmo e concentração é o local de estudo. “Escolher um bom local de estudo é fundamental. Se possível, na casa ou na república, deve escolher um lugar onde não haja barulho da TV ou do telefone, iluminado, com todo o material que precisa para não ficar saindo o tempo todo”, disse Vera. “Jamais se deve estudar na cama, pois vai adquirindo sonolência.”

Para Birner, uma boa maneira de manter a concentração é procurar bibliotecas, salas de leitura ou de estudo. “Se ficar em casa, ele tem de estar tão concentrado que se o local pegar fogo ele nem liga.”

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