Investir na personalidade beneficia seu rendimento

Saiba como o autoconhecimento pode ajudar profissionais

Publicado em 24/04/2008 – 13:00

Por Lilian Burgardt

Teoria dos tipos de Jung

Em 1921, Jung escreveu um de seus mais importantes trabalhos, o livro “Tipos Psicológicos”. Ele estabeleceu quatro inteligências básicas: atenção, percepção, julgamento e orientação. Segundo Jung, dentro de cada uma destas inteligências os indivíduos podem exercer duas formas de atitude assim distribuídas:

Atenção: extroversão/introversão
Percepção: sensação/intuição
Julgamento: pensamento/sentimento
Orientação: julgamento/percepção

Para Jung, nenhum indivíduo é totalmente representado por um destes pólos. O que acontece é que ele tem uma preferência por determinada característica.

Anos mais tarde, a teoria de Jung, serviu de base para que fossem criados 16 tipos psicológicos utilizados até hoje na Psicologia.

Não faltam teorias sobre como os profissionais devem pensar ou agir para atingir o sucesso na carreira. Há inúmeras recomendações sobre o que o atual mercado de trabalho espera e sob qual cartilha se deve rezar para conseguir uma vaga, um aumento de salário e até uma promoção. Quem busca informação sobre como proceder para ser bem-sucedido, fatalmente se depara com uma lista de competências indispensáveis, entre elas: foco no cliente, poder de negociação e orientação para resultados, além de características pessoais como: pró-atividade, motivação e espírito empreendedor. (Saiba mais na matéria “Habilidades pessoais aumentam salários“)

Especialistas em comportamento e analistas de carreira, porém, chamam a atenção para um fator que, muitas vezes, é ignorado pelos profissionais, mas considerado determinante para o sucesso individual de cada um, o autoconhecimento. Na Grécia Antiga, Sócrates já filosofava “conhece-te a ti mesmo”. Para eles, o que se propõe hoje é reavaliar esta idéia e aplicar teorias e métodos, a fim de mostrar às empresas e aos profissionais que nela atuam como sua personalidade pode ajudá-lo a obter o sucesso desejado.

Em seu livro “Relacionamentos” – como desenvolver relações saudáveis e equilibradas que farão a diferença em sua vida pessoal e profissional (Editora M.Books – 2004), o psicólogo e consultor de carreira, Gustavo Henrique Boog, cita quatro personagens. Segundo ele, eles são uma síntese de diversos autores sobre as personalidades que todo indivíduo possui em maior ou menor intensidade, são elas: Rei, Mago, Guerreiro e Amante.

Para o especialista, estes perfis exemplificam as características psicológicas observadas na teoria de personalidades de Hipócrates – filósofo grego que definiu quatro temperamentos: o melancólico, sanguíneo, fleumático e colérico – e também na teoria dos tipos psicológicos do consagrado psicólogo Carl Gustav Jung, no início do século passado. (Conheça a teoria no box ao lado)

Na opinião de Boog, são estas personalidades que indiscriminadamente se aplicam a qualquer indivíduo e que influenciam nos comportamentos humanos, tanto em âmbito pessoal como profissional. Embora afirme que mapeá-las não garante o sucesso para ninguém, o consultor acredita que conhecê-las e identificá-las ajuda cada um a conhecer um pouco mais sobre si mesmo. Isso inclui pontos fortes e fracos que podem ser trabalhados em busca de evolução. “Todo indivíduo possui os quatro perfis dentro de si, mas um deles é sobressalente. O melhor é aproveitar o que cada perfil tem de bom para o ambiente profissional e trabalhar os quesitos em que ainda se é fraco”, estabelece.

REI GUERREIRO MAGO AMANTE
Visionário, o rei está à frente de seu tempo. Ele tem iniciativa, é extremamente otimista e energético, o grande puxador de projetos. Sua visão é de longo prazo. Objetividade, persistência e dedicação são características do guerreiro. A impaciência é outra marca registrada. Com ele, os resultados são, no máximo, para amanhã. Metódico, organizado, sistemático e perfeccionista. O mago gosta de escrever e detalhar tudo. Na empresa, é aquele que faz ata de reunião. O amante é um ótimo ouvinte que se preocupa com o bem-estar do outro. Ele busca a harmonia da equipe. Falta-lhe, porém, um pouco de assertividade. Por isso, acaba sendo um engolidor de sapos.

Boog defende que não existe um só perfil que seja considerado o melhor ou mais adequado, inclusive para cargos de liderança. O que se observa é que a depender do perfil da empresa e do momento pelo qual ela passa determinada personalidade pode obter um resultado mais significativo. Isso foi visto na prática pelo consultor durante um workshop com 25 presidentes de grandes empresas do Rio Grande do Sul.

“Observamos que em casos de empresas que perdem fatia de mercado e precisam driblar a concorrência, os guerreiros exercem papel fundamental, pois irão combater para mudar resultados. Quando a empresa vive uma confusão de papéis e de hierarquia, os magos podem estabelecer uma definição clara das atribuições de cada um. Quando se tem um ambiente em que a empresa é muito conservadora e não está sensível ao mercado, o Rei tem uma posição de destaque para pensar novas estratégias. Agora, quando a empresa sofre com falta de motivação entre os colaboradores e o trabalho em equipe não funciona, o amante pode ser o elemento chave para dar equilíbrio”, exemplifica Boog.

Empresas valorizam mapeamento

Grandes empresas estão atentas à relevância de conhecer o perfil de cada um de seus colaboradores de forma a utilizar seu quadro de funcionários para desenhar equipes de projeto cada vez mais bem-sucedidas, além de promover o autoconhecimento de cada indivíduo para que isso contribua para sua evolução profissional. O psicólogo da IDH, empresa de desenvolvimento humano, Péricles Pinheiro Machado Junior, diz que é grande o número de empresas que procuram a IDH para aplicar as ferramentas de avaliação tipológica como o MTBI (Myers-Briggs Type Indicator) – indicador de preferências pessoais – e o TMP (Team Management Profile) – indicador para ambiente organizacional -, em suas companhias.

Para as empresas, a ferramenta tipológica serve para conhecer melhor seu corpo de colaboradores e estabelecer equipes de trabalho e, dessa forma, aproveitar as características de cada um em prol de um resultado. Atitude que, na opinião de Machado, ajuda a fazer funcionar a engrenagem do trabalho em equipe. (Saiba mais sobre o tema trabalho em equipe na matéria Para empresas, trabalho em equipe é fundamental“)

“O fato de 10 pessoas trabalharem juntas, não faz disso uma equipe. Uma verdadeira equipe é formada a partir do momento em que se tem cooperação, interação, respeito, objetivos comuns e divisão de tarefas. Os diferentes atores de uma equipe de trabalho devem congregar características que apontem ser possível trabalhar nesse sentido. Para identificá-los, a tipologia é uma ferramenta eficiente”, afirma o psicólogo.

As ferramentas utilizadas pela consultoria são fundamentadas na teoria das quatro inteligências de Jung e também procuram indicar as características psicológicas dos indivíduos. O psicólogo explica, no entanto, que o instrumento de avaliação não serve para que empresas selecionem os candidatos com base no perfil psicológico apresentado, até porque, ela não deve servir como fator excludente. “Embora a gente ouça que hoje o mercado valoriza quem é extrovertido, isso não significa que um indivíduo introvertido esteja fadado ao fracasso, ou seja, excluído do mercado,” ressalta Machado.

Para ele, a teoria tipológica serve para desmistificar essa questão ao passo que um indivíduo pode deter as quatro inteligências e exercê-las em maior ou menor intensidade de acordo com sua preferência. No caso de uma pessoa introvertida, por exemplo, se houver treino, ele estará apto a exercer a competência de negociação, mas sua personalidade irá influenciar sua maneira de negociar tornando-a diferente da maneira de uma pessoa extrovertida fazê-lo.

“Há uma diferença entre característica pessoal e competência. Competência é algo que se pode desenvolver com treino. A característica pessoal é que vai determinar como cada um irá desenvolver determinada competência, o que não significa que um introvertido, por exemplo, seja incapaz de se comunicar com eficácia em relação a um extrovertido. Eles só o farão de maneira diferenciada. Por essa razão, consideramos até antiético utilizar as ferramentas tipológicas como método de seleção”, alerta o psicólogo.

Segundo Machado, mais do que uma ferramenta corporativa, a avaliação psicológica serve para dar clareza ao indivíduo sobre sua personalidade e serve para seu aprimoramento. “O retorno dado ao profissional que fez a avaliação é importante não só para ajudá-lo a conhecer seus pontos fracos e trabalhá-los, mas para mostrar a ele como aproveitar melhor suas características mais determinantes, porque todas as características pessoais podem trazer resultados positivos, desde que se saiba utilizá-las”, explica.

Fonte: http://www.universia.com.br/materia/materia.jsp?materia=15809

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