Como estudar disciplinas chatas?

Professores e alunos ensinam a estudar as matérias mais difíceis

Comece pela matéria mais fácil, isso o estimulará a atingir melhores resultados.
Fixe fórmulas na parede do quarto. Isso facilita a memorização.
Faça resumos e anotações das matérias para fixar melhor o conteúdo.
Freqüente palestras e plantões de dúvidas para estar certo do que aprendeu.
Faça simulados para avaliar seu desempenho.
Não deixe acumular matéria, pois isso pode ser desestimulante.
Não tenha vergonha, pergunte a colegas que sabem mais.
Permita-se conhecer a disciplina antes de julgá-la chata.
Escolha bem o horário e o ambiente de estudo para não ser vencido pelo cansaço.

As pré-universitárias, Rayssa Ferreira de Sousa, 18 anos, Nathália Leone, de 19 anos, e Jéssica Gonçalves, de 17 anos compartilham o mesmo problema: todas elas consideram Física a matéria mais chata. Chata demais, difícil de entender e, portanto, desestimulante. Cada uma, porém, encontrou uma alternativa diferente para dar conta do recado. O problema enfrentado pelas três jovens não é diferente daquele encarado por muitos estudantes: estudar matérias consideradas chatas. E aí o conceito de chato é pessoal. Há quem não suporte Física, Química ou Matemática. Por outro lado, Língua Portuguesa, História, Geografia ou Biologia podem ser o horror para outros. Mudam as matérias, mas o drama é o mesmo.

Quando sente que o conteúdo da disciplina vai ficar mais difícil, Nathália se preocupa em memorizar todas as fórmulas que aprendeu. Dos livros, ela migra para a parede de seu quarto. “Colo as expressões próximas a mim, desta maneira consigo memorizar com facilidade. À medida que as olho com freqüência a fixação acontece de forma natural”, explica a garota. A colega Rayssa, se debruça sobre as apostilas e procura fazer todos os exercícios repetidamente para entender bem o conteúdo da disciplina. “Não deixo a matéria acumular. Faço as lições do dia, além de freqüentar todas as palestras que posso”. Jéssica, por sua vez, não tem vergonha de perguntar. Além de prestar bastante atenção na aula para não perder um detalhe do que considera mais complicado, ela procura se concentrar nas dúvidas e tirá-las com os colegas que sabem mais. “Geralmente tenho mais intimidade com os colegas. Às vezes, quando eles explicam é mais fácil compreender os temas da aula”, diz.

No caso específico de Física, que tanto atormenta as três estudantes, muitos educadores já notaram a dificuldade dos alunos na hora de estudar e criaram alternativas para tornar a matéria menos cansativa. É o caso do professor de Física da rede Anglo de Ensino, Harley Sato. Desde 2005, ele utiliza uma maneira irreverente de ensinar: levar a classe para o Hopi Hari – parque de diversões na cidade de Vinhedo, São Paulo. “Usamos o parque como um grande laboratório de Física. Fazemos a transição dos livros para a experiência. Com isso, o aluno não só vê a matéria como participa dela”, explica o professor.

Segundo Sato, a aula no parque funciona mais ou menos assim: o aluno experimenta o brinquedo para, mais tarde, a lei da Física que age ali ser explicada em sala. Na opinião dele, isso mudar a percepção do aluno frente à Física e torna o conteúdo mais fácil de ser absorvido. Para o professor, a atividade externa ainda se torna interdisciplinar por causa de sua ligação com outras disciplinas. “Durante o passeio, ainda explico a relação que a Física tem com a Medicina e a Química. Os princípios da inércia, as ações das células no organismo e sensações de peso também são temas em sala de aula”, diz o professor. Sato reconhece que depois da ida ao parque a aula fica mais interativa e os estudantes compreendem melhor a metodologia diferenciada. “Desta forma não só atendemos as expectativas dos alunos em relação à disciplina como também aplicamos novas maneiras de ensinar”, diz.

Há muito estudante que adora calcular e – ao contrário das meninas Nathália, Rayssa e Jéssica – não tem problema nenhum com Exatas, muito menos com Física. Por outro lado, a imensidão de textos para ler, a obrigação de lembrar datas históricas e conhecer o conteúdo extenso das matérias faz estes alunos detestarem disciplinas como História e Geografia.

É o caso do vestibulando Ricardo dos Santos, de 19 anos. “É muito conteúdo e muitas datas para guardar”, reclama. A solução encontrada por ele para melhorar seu rendimento em Geografia foi desenhar mapas onde explica as características de cada região. Em História, ele diz que lê os textos quantas vezes for preciso para fixar. O estudante Felipe Parada, de 19 anos, diz que História sempre foi seu grande problema. A disciplina só passou a ser mais bem compreendida por ele a partir do momento em que passou a escrever resumos sobre cada um dos temas. “Priorizo a matéria na hora de estudar e faço resumos do que foi passado em aula. Também leio jornais, revistas e livros que ajudam na assimilação do conteúdo”, explica.

Decoreba, não!

São tantas matérias e conteúdos abrangentes que muitos estudantes preferem decorar as regras ao invés de entendê-las. A “decoreba” tanto é utilizada para guardar datas históricas e trechos de textos quanto para fórmulas de Exatas. Cada vez mais, porém, professores substituem esta técnica em sala de aula, pois a consideram ineficaz. Na opinião do professor de Física, Harley Sato, muitos estudantes preferem decorar fórmulas e expressões numéricas por achar que resolverão os exercícios, mas isso não funciona nos vestibulares mais concorridos do País. “O aluno precisa entender a fórmula para saber explicar e aplicar nas questões. As provas fazem uma relação interdisciplinar entre matérias e muitas universidades colocam as expressões na própria questão. Portanto, decorar não adianta”.

De acordo com o coordenador de comunicação do cursinho Etapa, Carlos Eduardo Bindi, os recursos para prender a atenção dos alunos são variados, mas não é isso que os levará a entender os conteúdos. “Há brincadeiras e músicas durante a aula que prendem a atenção e ficam guardadas na memória. Isso pode ter resultado variado, pois cada estudante interpreta a informação de um jeito. Para o aluno, o principal é prestar atenção no que o professor souber destacar nesta hora”, avalia.

Segundo a coordenadora de pedagogia da UCS (Universidade de Caxias do Sul), Zita Canuto, a memória deve ser usada a favor dos estudos, mas é preciso refletir sobre os temas para aprender com eficiência. “A memorização é importante na aprendizagem, entretanto é preciso entender que as informações fazem relações entre si. Não adianta decorar textos e fórmulas se não houver reflexão sobre isso”, afirma.

Bindi considera relevante todas as técnicas citadas acima, inclusive aquelas citadas pelos vestibulandos. Uma última dica que ele considera fundamental é começar a estudar pelas matérias com as quais se tem mais afinidade. “Iniciar pode conteúdos com os quais o aluno tem afinidade pode ser motivador. Os bons resultados nessas matérias o motivarão a vencer os desafios nas outras disciplinas consideradas mais difíceis. É preciso, porém, administrar bem o tempo de estudo para não deixar a dificuldade para o final e ficar sem pique”, diz.

Ajuda virtual

O professor aposentado da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) Rubens Godoy Sampaio percebeu que estudar nem sempre é fácil. Para ajudar os alunos a melhorar seu desempenho ele criou o projeto Como Estudar, com dicas sobre o tema. Sua idéia resultou no portal www.comoestudar.com.br onde alunos de diferentes níveis de ensino encontram apostilas com técnicas de estudo, tudo de graça. “A proposta é dividida em três categorias, estratégias, táticas e técnicas que podem ser classificadas como planos de estudo em longo, médio e curto prazo”, explica Godoy.

Quem quiser ajuda deve entrar no site e responder um questionário on-line para avaliar seu desempenho de estudos. Na seqüência, o estudante recebe por e-mail um resultado do seu questionário com um plano de estudos que leva em conta seu perfil, a melhor técnica a ser utilizada e dicas sobre como obter um bom desempenho.

Via: Universia

Fonte: http://vidauniversitaria.com.br/blog/?p=11505

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