Jovens têm medo de errar na hora de escolher a profissão

Fonte: Jornal Nacional
O que preocupa os jovens na hora de escolher uma profissão? Uma pesquisa feita em todo o Brasil descobriu quais são os medos e as expectativas que pesam na decisão.

O que preocupa os jovens na hora de escolher uma profissão? Uma pesquisa feita em todo o Brasil descobriu quais são os medos e as expectativas que pesam na decisão.

Chegar à faculdade é um grande passo. “Eu sempre tive o sonho de ser advogada”, diz a jovem.

Pode ser também a chance de realizar o que pais e avós não conseguiram. “Nem todas as pessoas tinham acesso a esse tipo de curso”, conta uma outra.

A garantia de um futuro melhor. “Se dá melhor na vida, ganhar mais dinheiro”, observa a estudante.

Mas uma pesquisa feita com 11 mil jovens brasileiros revela que a escolha do curso e a entrada na universidade vêm acompanhadas de dúvidas, insegurança e de muito medo.

O maior deles é o da decepção: 33% dos jovens temem errar na escolha. “Passar o curso inteiro pensando se era aquilo que realmente eu queria fazer e aí ser um mau profissional”, confessa Rodrigo Souza, 21 anos.

Um medo que paralisa. “Um bloqueio na cabeça eu não consigo decidir”, conta a estudante.

Em segundo lugar na lista de medos está o de não conseguir pagar a faculdade, em terceiro o de não concluir o curso, seguido do temor de não dar conta de conciliar escola e trabalho.

“Difícil trabalhar e estudar e ser um bom profissional”, afirma um estudante.

Para o coordenador da pesquisa, botar logo a mão na massa é a melhor maneira de testar e bancar a opção feita.

“Fazer o estágio assim que entrar na faculdade, vai custear o estudo e vai conhecer praticando a profissão que ele escolheu”, orienta Eduardo de Oliviera, coordenador da pesquisa.

E se antes de chegar lá as dúvidas forem muitas os educadores recomendam: pesquisar a rotina das profissões e ouvir a voz do coração.

“Eu quero fazer o que me deixa feliz. No importa o que os outros falem”, diz Karina Ribeiro de Souza.

Canal Opinião: Descoberta tardia de erro na escolha de carreira é o maior medo dos jovens brasileiros, conforme pesquisa. Por Luiz Gonzaga Bertelli, presidente do CIEE


13/05/2008

Temores dos estudantes

*Luiz Gonzaga Bertelli

O CIEE perguntou a 11 mil jovens que entraram ou estão prestes a entrar em uma faculdade: qual é o seu maior medo? O topo do ranking foi ocupado pela hipótese de descoberta tardia de erro na escolha de carreira, logo seguida pelo temor de uma eventual dificuldade financeira que levasse ao abandono da escola. Aliás, a não conclusão do curso vem em terceiro lugar, empatada com a impossibilidade de conciliar as responsabilidades da escola com trabalho e lazer.

Partindo das respostas, não foi surpresa que o estágio surja como o terceiro anseio dos estudantes nessa fase da vida. A pesquisa também demonstra o amadurecimento dos jovens frente às rigorosas exigências atuais do mundo do trabalho. Eles revelam discernimento para dar o primeiro e segundo postos, respectivamente, à aquisição de um bom nível de ensino e ao contato com professores capacitados e comunicativos, relegando somente ao quarto lugar a obtenção do diploma. Eles estão certos: hoje, mais vale uma boa bagagem cultural e vivência prática de uma profissão do que um papel na moldura.

Apesar da postura correta dos jovens, a ausência de uma política adequada para a educação brasileira faz desandar, há décadas, uma receita que tinha tudo para dar certo. Os resultados da mais recente prova do Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) mostram que 95,7% dos estudantes paulistas saem do ensino médio com gravíssimas deficiências de conhecimentos de matemática e 78,8%, em língua portuguesa. Vale a reflexão: qual trabalho, na economia globalizada, dispensa raciocínio lógico para realizar operações aritméticas simples ou o domínio do próprio idioma? E mais, se esse descalabro acontece na região mais rica do País, é possível concluir que nos rincões mais isolados a situação talvez seja bem mais preocupante.

Como presidente de uma das maiores organizações filantrópicas do País dedicadas aos jovens, continuo otimista. Afinal, todo o trabalho social ético e eficiente sempre objetiva a criação de um futuro mais digno às pessoas. Cada oportunidade de estágio altera significativamente a vida dos jovens e amplia as opções de estudantes, que, fora das salas de aula, podem ficar à mercê das tentações das ruas. Mesmo levando em consideração os sete milhões de estudantes beneficiados em 44 anos de atividade do CIEE, é inquietante notar que no ensino, apesar do famoso slogan político e de alguns avanços, a esperança ainda não conseguiu vencer o medo. E, se medidas urgentes não forem tomadas, corremos o risco de perder de goleada a batalha pela educação de qualidade.

(*) Luiz Gonzaga Bertelli é presidente executivo do Centro de Integração Empresa-Escola – CIEE, da Academia Paulista de História – APH e diretor da Fiesp.

Fonte: CIEE
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s