Relatório das Atividades do Programa de Orientação Profissional no Instituto Maria Auxiliadora de 2007

Relatório das Atividades do Programa de Orientação Profissional no Instituto Maria Auxiliadora de 2007

Este relatório é resultado da aplicação da técnica de grupo focal com alunos de ensino médio do “Instituto Maria Auxiliadora” na cidade de Rio do Sul no dia 17 de setembro de 2007, junto ao método de pesquisa da matéria de Pesquisa Qualitativa do Curso de Mestrado em Psicologia da UFSC, realizado por Cristian Stassun. Alunos estes, que passaram por um programa de Orientação Profissional de três meses no mesmo ano com psicólogos da Associação de Psicologia Social do Vale do Itajaí. Analisamos os significados atribuídos pelas suas escolhas e impressões sobre o trabalho realizado, onde elencamos as temáticas que lhes conferiram mais importantes para instrumentalização de uma escolha profissional, servindo de base para as temáticas a serem abordadas na prática do psicólogo em escolas

Definido claramente o problema a ser avaliado, a técnica de pesquisa qualitativa, grupo focal, foi realizada com 4 entrevistas de 6 alunos cada (totalizando 24 pessoas), que foram recrutados após ter participado do Programa de Orientação Profissional. São todas jovens meninas de 16 e 17 anos cursando o terceiro ano do ensino médio de uma escola particular. O preparo do local aconteceu numa sala disponibilizada pela escola e adequada para favorecer a interação entre os participantes. O lugar era confortável à todas, uma sala com cadeiras confortáveis em volta de uma mesa, com isolamento acústico e com todos os materias necessários para a pesquisa. Como ocorreu na escola e no período de aula, a escola organizou os horários de liberação das alunas. (Tanaka & Melo, 2001)

O moderador-pesquisador guiou o grupo e apoiou na interação entre seus participantes para colher dados, a partir de tópicos que foram fornecidos (em anexo). A discussão teve o objetivo revelar experiências, sentimentos, percepções, preferências sobre as temáticas de Orientação Profissional, trocando experiências e interagindo sobre suas idéias entre eles.

A pesquisa foi condicionada a conduta ética do sigilo e manipulação de dados, tão quando os sujeitos direcionados a um termo de livre consentimento e esclarecido, após ter sido lido em conjunto. Para registrar a discussão, ajudar na logística, avaliar os comportamentos dos participantes e auxiliar no processo de pesquisa tivemos a presença do Psicólogo Júlio César Alves como relator.

O grupo teve como partida do moderador um roteiro de perguntas em aberto para prosseguir as discussões. Esse guia de temas, segundo Meier & Kudlowiez (2003), é de extrema importância na investigação através dos grupos focais. Consta de uma lista de temas e questões qualitativas e abrangentes, que favoreçam a discussão, servindo de roteiro para o moderador, facilitando a condução do trabalho grupal ao encontro dos objetivos da pesquisa. O roteiro, e demais documentos foram antes disponibilizados à análise por um projeto construído para aplicação do grupo focal. Esse passo foi dado após ocorrer a elucidação do propósito da pesquisa e a identificação de quem e como utilizará as informações.

A análise de dados ocorreu após as reuniões, onde os dois pesquisadores puderam elaborar este relatório com o resumo das informações, impressões obtidas no Grupo Focal e as descrições por escrito feitas pelos alunos após o processo de entrevista. Utilizamos algumas citações textuais dos participantes do grupo e, para uma maior inteligibilidade dos leitores, agrupamos em núcleos de significado os principais focos da análise. Segundo Tanaka & Melo (2001), os resultados do grupo focal devem evitar generalizações e acentuar as relações entre os elementos identificados, pontuando ou avaliando interpretações dos participantes. As citações dos discursos devem ser usadas com parcimônia.

Em relação às temáticas que mais geraram efeito na construção crítica da escolha de um curso universitário de acordo com os argumentos e significados das alunas que participaram do programa, envolveram as temáticas:

-A maioria das alunas apontou a vinda de profissionais de diversas áreas auxiliando nas escolhas: incentivaram ou reafirmaram suas escolhas; serviu para ter maior saber da diversidade áreas de conhecimento, dificuldades, carreira, rotina de trabalho, suas experiências e conquistas. Eles deram dicas de como é na universidade e depois dela, enfrentando o mercado de trabalho. Suas histórias serviram de inspiração de luta e de esperança. (resposta de 17 alunas)

-Dicas em relação ao vestibular e métodos de estudo. Trabalho sobre as emoções na hora da prova do vestibular. (resposta de 17 alunas)

– Conhecimento sobre profissões, cursos e mercado de trabalho para além das informações dos guias e internet. (resposta de 15 alunas)

– O módulo em que esteve presente os pais foi fundamental segundo a descrição de pelo menos 15 alunas. Nesse módulo puderam tomar conhecimento das idéias e opiniões que seus pais tem em relação a fase que estão passando, o que para muitas era difícil acontecer dentro de seus lares. Os pais estando presentes puderam trocar dúvidas e angústias entre si e aproximar-se mais das suas filhas em relação à fase de transição da escola para a universidade.

-“Os temas e palestras, os teatros e conversas nos colocavam situações reais, as quais abriam a mente, esclareciam dúvidas e ampliavam nossos conhecimentos de certas situações.” Esse relato de uma aluna resume a opinião de mais 10 alunas que referem que o método em que é transmitido as informações e aprendizados fazem diferença, tanto quanto as temáticas abordadas.

-O módulo do trabalho que focava na preparação do primeiro emprego, segundo as alunos, tiveram uma grande influência nas suas atitudes. Sobre a questão do emprego, ajudou a ter noção sobre os processos de realização de entrevistas, formatação do currículo e comportamentos no local de trabalho. (resposta de 10 alunas)

Algumas respostas direcionaram para uma avaliação do programa desenvolvido, principalmente nas técnicas praticadas. Essas declarações são registros feitos com as descrições e impressões do programa feitas depois do grupo focal, com uma avaliação do trabalho feita objetivada por escrito. Destas, tiveram percepção positiva:

-“As dinâmicas realizadas; A clareza com que foram tratadas alguns assuntos; A interação ente os alunos e os psicólogos; Cursos divertidos, bem aproveitados e que foi possível tirar conclusões produtivas; Curso com muitos momentos marcantes, tanto aprendizado como alegrias; As imagens e mensagens iniciais nos faziam refletir; Nesses três messes pude amadurecer minhas idéias.”


“Foi possível pensar mais sobre angústias que já tinha a muito tempo, vida profissional e afetiva; A profissão é algo que não brincadeira, isso pude concretizar nesse curso; Fez com que eu perdesse o medo da responsabilidade de escolher o curso certo. Pois mesmo que depois eu sinta que não é o que eu quero, não vai ser algo perdido, estará sempre somando ao meu conhecimento; Pude conhecer profissões que não conhecia e ampliar minhas opções de escolha; Saber das experiências profissões depois de formado; Importância de fazer o melhor de mim e o que gosto não só pensando em salários; Os trabalhos em grupo ajudaram a desinibir e ajudar quem não tem tanta espontaneidade. O curso me ajudou a perder um pouco de timidez; O curso ajudou a descartar algumas opções que estava em dúvida; Mesmo depois do final do curso vocês continuam nos atualizando pelo e-mail do grupos.”

Críticas e sugestões ao programa também foram discutidas pelas alunas. Tais informações são de muita importância para direcionar novas atividades e a formulação de programas de intervenção em orientação profissional que se aproximem mais de suas expectativas e possibilidades.

“Poderiam ser feitas mais dinâmicas e testes; Explorar mais as profissões; Fazer mais testes para ter certeza do curso escolhido; Montar uma apostila comentando todas as aulas (com montagem currículo, história das profissões, dicas de vestibular); Mais trabalho artístico; Mostrar universidades menos conhecidas para ampliar campo de possibilidades; As noites foram bem aproveitadas, mas o horário de sexta a noite era muito tarde. Muitas alunas saiam do trabalho cansadas; Levar alunos para conhecer as principais faculdades UDESC e UFSC; Mais informações sobre os cursos mais famosos e os que o mercado de trabalho estão mais precisando; Envolver mais universidades e saber dos melhores cursos antes do vestibular; Visitar locais de trabalho; Mais visitas com os pais.”

Considerações finais

Os resultados do grupo focal apontam para novos focos e pontos de investimento de temáticas em orientação profissional em grupo. Trazer e instigar novos estudos são conseqüências da necessidade que tem algumas temáticas de precisar abordagens mais específicas e com dinâmicas mais eficientes no sentido de abordar mais profundamente os temas.

Alguns pontos referentes a definição de profissões demonstram que podemos explorar mais “o sentido e objetivo” das orientações profissionais em grupo. Que elas não servem para definir profissões fixas a seguir, não achar vocações e não correr o risco de tomar os testes como determinantes de uma escolha e sim o cuidado com tudo isso. O objetivo principal do trabalho em OP é de desenvolver e explorar mais as profissões e o mercado de trabalho, mas principalmente um trabalho de reflexão crítica sobre si mesmo na objetivação de seu futuro profissional. Desconstruir imagens de profissões ofuscadas por desconhecimento e preconceitos, propiciar uma escolha crítica e construída pelos alunos, em referência as influências e determinações que sofrem dos amigos, familiares, mídia, impressões e sentimentos advindos do contexto e momento em que estão passando. Existe um risco em definir caminhos e principalmente não deixar claro aos alunos que podem começar um curso e ver que em algum ponto dele não quer mais continuar. Ou mesmo que um curso defina a profissão e opção que terá para o resto da vida. Essas e tantas outras propostas de trabalho confrontam a importância do papel do orientador profissional na constituição do projeto de vida e futuro dos alunos, e na função de uma responsabilidade dada, de voltar a escolha do curso sobre o próprio aluno que é quem sofrerá as conseqüências de suas atitudes.

Pode-se perceber que as falas que foram organizadas levantaram para além das temáticas de orientação que o grupo focal tinha proposto. Avaliação do trabalho feito surgiu como parte importante para mostrar as várias utilizações dessa técnica. Morgan (1997) nos mostra que adotando perspectivas distintas podem-se classificar os grupos focais em três modalidades: a) grupos auto-referentes, usados como principal fonte de dados; b) grupos focais como técnica complementar, em que o grupo serve de estudo preliminar na avaliação de programas de intervenção e construção de questionários e escalas; c) grupo focal como uma proposta multi-métodos qualitativos, que integra seus resultados com os da observação participante e da entrevista em profundidade.

A partir desse relatório e da reflexão sobre a técnica grupo focal podemos evidenciar que os grupos permitem a construção de instrumento para Muitas funções. Pesquisas, introdução de um produto no mercado, na construção de programas, na tomada de decisões, na aprendizagem organizacional, no diagnóstico e avaliação da qualidade de serviços, assim como na geração de novas idéias. Tanto, que a partir dessas informações poderemos articular agora, um artigo que vá de encontro com os temas e discussões emergentes em Orientação Profissional no Brasil. Da mesma forma, gerar reflexões importantes para articular projetos e programas que atendam junto as teorias e ideologias dos orientadores, as necessidades expressas pelos próprios alunos.

Referências

Carlini-Cotrim, B. (1996) Qualitative research methods in drug abuse research: discussing the potential use of focus group in Brazil. Revista de Saúde Pública, vol.30, n. 3.

Meier, M. J., & Kudlowiez , S. (2003) Grupo focal: uma experiência singular. Texto & Contexto Enf., Florianópolis, v.12, n.3, p. 394-399,

Morgan, D. (1997). Focus group as qualitative research. Qualitative Research Methods Series. 16. London: Sage Publications.

Stassun, C. C. S., & Silva, C. A. (2007). Investigando os sentidos atribuídos por acadêmicos no processo de re-escolha do curso universitário, produzindo informações contextuais para Orientação Profissional no Alto Vale do Itajaí. Revista Caminhos. 2007, vol. 8, (no prelo).

Tanaka, O. Y. & Melo, C. (2001). Avaliação de Programas de Saúde do Adolescente: um modo de fazer. São Paulo: Edusp.

Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O que é Grupo Focal? Faculdade de Educação. Grupo de Avalição e Medidas Educacionais. Recuperado em 01 de agosto, 2007 de http://www.fae.ufmg.br/escplural/grupofocal.htm.

4 Respostas to “Fala Aí Mano!”

  1. Natali Ferreira Diz:
    dezembro 20, 2007 at 8:14 pm eBom..demorei um tempo pra tentar mandar esse recado..sempre prensava o q eu podia dizer pra ele?! …na verdade graças a uma palestra q você fez no IMA.. (por sinal muito boa)..fez mudar muita coisa em mim.. isso pode parecer bobo.. sei lá .. mas graças a você hoje eu adoro ler..estou lendo cada vez mais..e sinto q isso me fez bem…eu gostaria mesmo é agradecer pq isso vão fazer uma diferença enorme na minha vida, nos estudos, nos meus sonhos… enfim muito Obrigada mesmo e espero q vc continue fazendo sempre isso e q cada vez cativando as pessoas…
    Espero ver você muitas vezes no IMA, em 2008 muitas mesmo hein? É meu ultimo ano, por favor.. heheheh
    E já q estou aqui mesmo heheh, você não me conhece mas.. Feliz Natal e um Ótimo ano!!!

    Um abraço… Cristian!

    Responder

  2. Bruna Becker Diz:
    janeiro 23, 2008 at 8:47 am eOi td bm? quanto tempo hien?
    heheheh…
    to passando p/ dize q eu to adorando o curso de orientação.
    vcs estao d parabéns!
    pena q é pouco tempo.
    pq se continuasse eu continuaria s/ duvida.
    depois das férias vou sentir falta de ir toda sexta a noit
    p/ o colégio…
    Bom!
    mais uma vez: PARABÉNS!

    mtos bjos d sua nova amiga… Bruna Becker!

    Responder

  3. Fernanda Becker Diz:
    setembro 29, 2008 at 9:11 pm eComo passou rápido esse curso, mas todas as aulas foram muito bem aproveitadas e divertidas! Aprendi coisas que não sabia, agora sei administrar meus pertences melhor e com mais responsabilidade. Espero que ano que vem tenha novamente o curso, pois foi muito bom este que acabou. Éis um profissional competente, parabéns pela iniciativa de ensinar jovens!
    Fique bem, nos veremos por aí :)

    Beijos de sua nova amiga e fotógrafa,
    Fernanda Luiza Becker

    Responder

  4. Bruna S. Ern Diz:
    setembro 30, 2008 at 8:07 pm eBom, nesses três meses de cursos, muitas duvidas puderam ser esclarecidas, muitas coisas novas aprendidas e concerteza amizades firmadas. Gostaria ainda de resaltar que foi de grande valia e entendimento as visitas feitas como na Caixa, no Cine, enfim.. Coisas realmente que me fizeram ver o mundo de outra forma, com os pés no chão e o olhar no futuro!
    Espero que muitas pessoas possam estar participando desse curso e ampliando sua visão sobre as coisas!
    No mais é isso, obrigada por estar fazendo com que façamos a diferença!
    Bruna Schipanski Ern *–*

    Responder

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