Pintou tensão na hora da prova? Respire…

Os exercícios de alongamento aliviam a tensão e dão aquela arejada na cabeça de que você tanto precisa

Não importa sua idade. Fazer alongamento é um hábito que alivia a tensão, relaxa os músculos, ativa a circulação e ventila o cérebro – um santo remédio contra a Tensão Pré-Exame (TPE). A professora de educação física Gisele Saporetti, do Laboratório do Movimento da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), recomenda alguns exercícios para você praticar. Concentre-se nos movimentos e deixe os pensamentos para trás.

1- Em pé ou sentado, entrelace os dedos deixando a palma das mãos para fora e os cotovelos esticados. Inspire, levante os braços, direcionando as palmas para o alto. Desça os braços bem devagar, ao lado do corpo, expirando. Faça três séries de 15 segundos.
2- Fique de pé com os joelhos levemente dobrados. Passe o braço direito sobre a cabeça, de modo que a mão direita se aproxime da orelha esquerda. Mantendo a coluna ereta, force a cabeça para que a orelha direita se aproxime do ombro direito. Repita os movimentos com o lado esquerdo. Faça três séries de 15 segundos.
3- Una as mãos por trás da cabeça. Com a coluna ereta, aproxime o queixo do peito, fazendo leve pressão com os braços. Faça três séries de 15 segundos.
4- Em pé, com os joelhos esticados, inspire. Expirando, dobre o tronco para frente. Mantenha os braços relaxados, tentando tocar os pés. Volte à posição inicial, dobrando o joelho e inspirando. Retorne o tronco bem devagar. A cabeça deve ser a última a subir.

Pintou tensão na hora da prova? Respire…
Se no dia do exame você ler a questão uma, duas, três vezes e não entender nada, pode apostar que o nervosismo tomou conta da situação. Uma forma de combatê-lo é deixar entrar bastante oxigênio no organismo. A analista corporal neo-reichiana Maria de Fátima Matos Cardoso, de São Paulo (SP), sugere quatro exercícios que podem ser feitos minutos antes ou até mesmo durante o exame. Você verá como as idéias fluem melhor.

Para ter mais atenção Este movimento pode ser feito no banheiro, antes da prova. Fique de pé e mantenha os pés paralelos, levemente separados. Dobre um pouco os joelhos para relaxar as pernas. Coloque os quadris um pouco para frente, o suficiente para sentir a coluna no lugar e ficar confortável. Solte os ombros como se estivessem bem pesados e deixe os braços bem soltos. O pescoço deve ficar relaxado, leve, sem pressão. Apenas sinta a própria respiração.

Para reconhecer o ambiente Sentado, pouco antes do início do exame, vasculhe a sala com os olhos e tente notar detalhes como a cor da parede, as feições das pessoas, os objetos, os sons. Estabeleça uma ordem para esses registros e depois volte olhando os mesmos pontos, mas em ordem contrária. Sinta o ar entrando e saindo do corpo enquanto foca cada ponto. Ao final, movimente os olhos de forma que se sinta relaxado. Esse exercício proporciona serenidade e conexão com o local e o momento.

Para ganhar autoconfiança Imagine uma árvore e coloque em seu tronco seu desejo de ir bem no exame. Em seguida, vá adicionando galhos com conquistas que o levaram até esse dia: um bom livro que leu, um tema que aprendeu bem, um dia de estudo que rendeu bastante. A árvore deve ter no máximo quatro galhos, cada um com dois ramos, para você poder visualizar tudo.

Estudar direito é diferente de estudar muito

Atravessar madrugadas estudando não é o melhor a fazer em uma preparação de fôlego. A primeira atitude a tomar para o estudo render é preparar um ambiente adequado. Veja: se ao ler assuntos de seu interesse deitado na cama já estimula o relaxamento e uma conseqüente soneca, o que dizer então de assuntos mais difíceis.

O melhor é sentar-se ereto numa cadeira confortável para ficar alerta e não prejudicar a coluna. E não adianta sentar-se ao lado de uma cozinha em pleno funcionamento, com um movimento que dispersa sua atenção. O local ideal precisa de silêncio, que facilita a concentração.

O estudo tem de ser diário e incluir a revisão do conteúdo visto recentemente, para fixá-lo na memória, fazendo ou refazendo exercícios e voltando cada vez que um conceito que já deveria estar assimilado fizer falta para a compreensão de um novo conteúdo. O bom é trabalhar por partes, com planejamento, de modo a ter uma noção mais clara de quanto você está avançando.

Quanto aos horários mais adequados para dedicar-se ao estudo, escolha as horas em que você se sente mais disposto. Há quem prefira acordar mais cedo, antes de ir para a aula, mas existem os que não abrem mão do fim da tarde e aqueles que rendem mais na quietude da noite. Com esses cuidados, o tempo de estudo rende muito mais.

Algo muito importante é levar o sono a sério. Piscou em cima da apostila? Cochilou com o livro de geografia na mão? Hora de parar e, eventualmente, dormir. Esforço mental cansa, e o corpo precisa repor as energias, principalmente nos dias que antecedem a prova. De que adianta saber toda a matéria se você mal consegue segurar a caneta? Dormir é básico, pois ajuda a memória a reter as informações adquiridas durante o dia.

A psicóloga Acácia Angeli dos Santos, doutora em psicologia escolar e do desenvolvimento humano pela USP e professora da Universidade São Francisco, em Itatiba (SP), dá outros toques importantes. Ela afirma que é positivo conhecer o Enem, saber como foram as provas anteriores e de que forma as perguntas são feitas (você pode ver todos os exames desde 1998 no site http://www.guiadoestudante.com.br). Além disso, diz ela, o candidato deve “conhecer a si mesmo, saber seus pontos fortes e fracos, ter planejamento, monitoração – saber se está ou não compreendendo – e auto-regulação: quando não estiver entendendo ou estiver desatento, parar, voltar e reler o trecho”. Isso compensa os déficits de compreensão, segundo a professora.

Alimentar-se direito também faz parte de uma boa preparação. É claro que você não vai tirar uma nota boa só porque decidiu comer brócolis, frutas e peixes, mas ter refeições balanceadas e nutritivas diminui o risco de ficar doente na semana da prova, além de dar a energia de que o organismo precisa para encarar horas de estudo. Evite ao máximo comidas pesadas na véspera e no dia do Enem. Feijoadas, churrascos e temperos fortes não são recomendados a quem for prestar a prova. Já pensou se bate aquela vontade incontrolável de ir ao banheiro no meio do exame? São preciosos minutos perdidos.

Treine a memória

“Não adianta estudar para o Enem só no 3º ano”, diz Zilda Zerbini Toscano, diretora do colégio Palmares, de São Paulo. “O exame se refere a conhecimentos e habilidades adquiridos e acumulados nas séries anteriores.” Logo, o candidato tem de puxar na memória assuntos de longa data. Deixar para estudar no último instante, achando que a matéria ficará mais fresca na cabeça, é um erro. Quando estudamos cansados, tentando absorver muitas informações, a memória não consegue guardá-las.

Como o aluno, com freqüência, está um pouco nervoso no momento do Enem, aquele “branco” que assola os vestibulandos tende a ser inevitável. Para combatê-lo, existem alguns truques. A memória guarda com mais facilidade informações ligadas aos nossos sentidos (a velha história de uma música que te lembra alguém). Então é sempre bom associar aquele dado da apostila a uma informação já conhecida e bem armazenada na cabeça. Vale tudo, até relacionar times de futebol à geopolítica atual.

Outra dica para memorizar mais facilmente o assunto é escrever, fazer resumos da matéria. Tente fazer resumos confiáveis e sólidos para que você estude da próxima vez diretamente com eles, sem o auxílio dos livros. Sublinhar, ler e reler em voz alta os textos também ajuda.

Ansiedade é ruim para a preparação da prova. Por isso, além de estudar com calma, procure sempre se concentrar no que está fazendo, conferindo, revisando e esmiuçando a matéria. Passar os olhos com pressa por textos só atrapalha a memorização e confunde. Até na hora da prova a pressa não ajuda, pois quem se sente sob pressão corre o risco de achar que a primeira alternativa em que bater os olhos é a correta. Cuidado: por mais convicto que você esteja sobre a resposta certa, reflita um pouco sobre as outras alternativas. “O ideal é que o aluno tenha experiência de fazer grandes testes”, orienta Zilda.

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