Mantenha o ritmo na reta final do vestibular

Organização na revisão dos estudos pode ser caminho em direção a vaga

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Por Larissa Leiros Baroni

Falta pouco mais de um mês para os principais vestibulares do país. Para quem vai entrar na disputa por uma vaga, não há muito mais o que fazer. Aos estudantes que embarcaram na maratona de estudos desde o início do ano, a dica é manter o ritmo e dedicar-se a uma boa revisão. Já para os que deixaram para a última hora não existe outra alternativa, a não ser tentar recuperar nesses últimos dias o que deveriam ter feito em alguns meses. Para todos os que estão na maratona, no entanto, a palavra-chave é “organização”.

Faça um roteiro de estudos e organize o tempo
Respeite as horas de sono, alimentação e lazer
Revise todas as matérias
Não se restrinja a uma só disciplina por dia
Dedique mais atenção às matérias de maior dificuldade
Identifique formas de estudos eficientes e abuse delas
Faça simulados e resolva vestibulares anteriores
Monte grupo de estudos
Invista nas leituras
Tenha autoconfiança e mantenha o espírito de luta

O primeiro passo, segundo o coordenador de vestibular do Anglo, Alberto Francisco do Nascimento, é estruturar um roteiro de estudos especial para essa reta final. “Prepare um fluxograma, dividindo-o por dias e por período. Estabeleça as atividades que deverão ser realizadas a cada hora”, sugere. Na opinião dele, essa organização é fundamental para a otimização do tempo, que tende a se tornar cada vez mais escasso.Mas de nada adianta fazer um cronograma sem estabelecer um planejamento estratégico de estudos. Nada de priorizar apenas uma ou outra matéria. “A maioria dos vestibulares tem uma fase multidisciplinar. Portanto, para passar no processo seletivo, o estudante terá que ir bem em todas as disciplinas, independente da carreira escolhida”, enfatiza a coordenadora pedagógica do cursinho da Poli, Alessandra Venturi.

Para tornar o dia de estudo mais produtivo, Nascimento recomenda que as matérias sejam diversificadas e intercaladas com pequenas pausas para descanso. “Um dia estuda Matemática e História, no outro Português e Física, depois Geografia e Química”, exemplifica ele. A receita para não cansaré preciosa, acredite. “O rendimento do aprendizado é melhor nas primeiras horas, depois se torna saturado. Os intervalos de descanso e a troca de matéria são estratégias para contornar essa saturação do cérebro”, explica o coordenador do Anglo.

Na fase da revisão, no entanto, o tempo precisa ser dedicado especialmente às disciplinas consideradas problemáticas, ou seja, aquelas que os estudantes possuem maior dificuldade. “Nesse momento é preciso fazer uma auto-avaliação para que essas deficiências sejam identificadas”, aconselha o coordenador do curso pré-vestibular da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Otávio Augusto Rodrigues. Aos alunos matriculados em cursos preparatórios ele aconselha que a avaliação seja focada nos rendimentos das aulas. Caso contrário, a sugestão é fazer uma das provas dos vestibulares passados. “Esses exames, geralmente, estão disponíveis no site das universidades.”

Para os mais atrasados a revisão terá que ser substituída por um estudo intensivo. “Não há milagre para que uma planta cresça de uma hora pra outra. É preciso cultivá-la e regá-la continuamente para que possa se desenvolver. O mesmo acontece com o processo de aprendizagem”, compara Nascimento. Portanto, na opinião dele, a única possibilidade desse estudante se dar bem no processo seletivo é o resgate do tempo perdido. “A dedicação terá que ser bem mais intensa e focada, principalmente, nas matérias que possuem maior peso no vestibular, sem se esquecer das demais”, alerta.

Saber dosar o tempo é necessário para não entrar na paranóia e não comprometer a qualidade do estudo. “É preciso se organizar para cumprir rigidamente o cronograma de estudo estipulado”, afirma Alessandra. Segundo ela, de nada adianta tentar recuperar o atraso com as horas de sono ou da alimentação. “Respeitar às oito horas de sono e ter uma boa alimentação é fundamental para a retenção do conteúdo aprendido durante o dia”, explica.

Para Otávio, nessa reta final a dedicação ao estudo deve ser de no mínimo oito horas diárias. “Para quem não estudou muito nos meses anteriores vale a pena também aproveitar as horas dos sábados e domingos”, sugere ele. Segundo Nascimento, no entanto, isso não significa que o lazer terá que ser banido do cronograma. “É preciso ter horas para o descanso, sim. Até como estratégia para melhorar a assimilação do conhecimento. Mas nesse momento ele deve ser secundário”, diz. “Se observar que o estudo não está rendendo, pare e dê uma volta. Não teime com o cansaço”, recomenda o coordenador.

Estratégias para reter conhecimento

Enfrentar esses últimos meses de estudos seria muito mais fácil, se existisse uma fórmula mágica para a retenção do conhecimento. Mas infelizmente não existe. De acordo com a professora da Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo), Myriam Krasilchik, cada estudante tem sua própria forma de estudar. “As estratégias para a assimilação do conhecimento dependem das características pessoais dos alunos. Não há normas e padrões”, conta ela.

Enquanto há estudantes que preferem estudar sozinhos, existem outros que rendem mais na companhia dos colegas. Uns optam por fazer esquemas ou resumos, outros pela gravação do conteúdo. “Por isso, é recomendável que cada um identifique a sua própria estratégia e abuse dela nos processos de estudos”, orienta Myriam.

Mas, independente do perfil do estudante, a coordenadora do cursinho da Poli acredita que a prática é o melhor recurso para a assimilação do conhecimento. “A realização de exercícios é fundamental para comprovar se o aluno realmente compreendeu a matéria”, conta Alessandra, que recomenda aos pré-vestibulandos aplicação nos exercícios práticos, nos simulados e principalmente nas provas dos vestibulares passados. “Assim o candidato poderá se ambientar mais a respeito do que será cobrado dele no processo seletivo, além de prepará-lo psicológica, física e intelectualmente”, garante.

A prática da redação também não pode ser deixada de lado. “Desenvolva textos sobre acontecimentos da atualidade e peça para que algum professor faça as devidas correção”, orienta Alessandra. Nesse processo, é recomendado ainda a leitura constante de jornais, revistas e livros. “Não só para ampliar o poder de argumentação, mas também para desenvolver a capacidade de interpretação de texto”, diz. “De nada adianta dominar todo o conceito técnico, se não souber interpretar o que a questão pede”, completa.

Para o melhor preparo à prova de Literatura, Nascimento sugere, além da leitura dos livros obrigatórios, a leitura de críticas a respeito das obras. “Outra alternativa é assistir suas adaptações no cinema e no teatro”, aponta ele. Já para as disciplinas que exigem a memorização de fórmulas ou datas, Otávio propõe a reprodução contínua delas. “Pendure essas regras, por exemplo, por seu quarto. Assim, toda vez que passar por ela, terá a oportunidade de vê-la, até memorizá-la.”

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