Disciplina é a chave da preparação para o vestibular

Embora não haja método infalível, deve-se cumprir o que foi planejado

Publicado em 30/04/2009 – 12:00

Por Mariana Bevilacqua

Monte seu plano de estudos

– O primeiro passo é avaliar qual método o faz aprender melhor. Se não conseguir encontrar uma forma de aprendizado rapidamente, procure a ajuda de educadores

– Se for o caso, tente diversos métodos e avalie como o conteúdo é aprendido com mais facilidade

– Embora alguns achem cansativo estudar uma única matéria durante o dia, outros dizem aprender melhor dessa forma

– Determine quantas horas por dia você dispõe para os estudos

– Depois de elaborar o plano de estudos, siga-o corretamente. Não adianta estudar menos tempo do que o planejado, isso enganará apenas a você mesmo

– Marque reuniões em grupo para discutir partes da matéria e levantar novos pontos de vista. Para não se dispersar com outros assuntos, eleja um líder

Em meio a todas as inquietações de um vestibulando em preparação para as provas, existe uma que atormenta muitos estudantes: a eficiência do método de estudo adotado. O problema, nesse caso, é que a resposta definitiva pode só vir com o desempenho no vestibular, quando será tarde demais para mudar qualquer estratégia. O certo é que não existe um modelo perfeito, mas há pontos a serem observados para que cada um encontre a fórmula de estudos mais adequada.

“Estudantes geralmente acham que existe uma regra de como construir um plano de estudo. Entretanto, ele precisa se conhecer, descobrir com qual método aprende melhor para então estruturar uma rotina”, aponta a coordenadora geral do Cursinho da Poli, Alessandra Venturi. Ela explica que é preciso definir qual é o tempo disponível para os estudos e, uma vez traçado o plano, segui-lo à risca. “Não adianta se enganar. Se o jovem não estuda com a dedicação necessária, não aprende”. Para ela, mais importante que a quantidade de horas de estudo, é a qualidade da dedicação. “Cada aluno tem seu limite. Há candidatos que vão bem em processos seletivos com apenas uma hora de estudo por dia”, afirma.

O coordenador do CACU-O (Cursinho Alternativo do Campus da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho Ourinhos), Wellington Domingos Pereira da Silva, partilha da opinião de Alessandra quanto à construção do plano de estudos. “Não basta querer estudar e copiar o método dos amigos. É preciso desenvolver disciplina e construir uma grade de estudos própria de acordo com tempo disponível”, ressalta.

Entretanto, o coordenador de vestibular do Anglo, Alberto Francisco do Nascimento, discorda dessa lógica. Para ele, estudar apenas uma hora é insuficiente. “O ideal, no caso de candidatos que não trabalham, é assistir às aulas na parte da manhã e estudar, no mínimo, quatro horas por dia. Esse tempo de estudos deve também incluir a leitura de jornais e revistas”, explica ele. Nascimento diz que seria melhor que os jovens já usassem essa tática desde o primeiro ano do Ensino Médio, mas que, como nem sempre isso acontece, é importante reservar o tempo aos estudos desde o Ensino Médio.

Quais matérias estudar?

Antes de fazer o plano é preciso lembrar que ele não deve conter apenas os dias da semana e o tempo dedicado ao estudo. É preciso também definir quais matérias serão revisadas em cada dia. “Se o jovem tem uma rotina de três a quatro horas de estudo ou mais, não é aconselhável que fique todo esse tempo apenas numa matéria porque isso ultrapassa o limite do cérebro e, no lugar de absorver informações, ele as elimina”, alerta Adriana. “Recomendamos dividir seus estudos em duas ou mais áreas do conhecimento e, ao passar de uma para outra, fazer uma pausa”, sugere ela.

Rômulo usa livros da biblioteca do cursinho para complementar a matéria aprendida

O coordenador do Anglo propõe um método diferente. “O jovem deve levar de 40 a 50 minutos para rever cada matéria aprendida no dia e fazer os exercícios correspondentes”, declara Nascimento. Ele diz ainda que o tempo restante, após a revisão, deve ser usado para estudos de outras matérias. “Nesse caso, áreas em que o aluno tem mais dificuldade devem ser priorizadas e podem levar mais tempo”, afirma Nascimento.

Ele reforça que não é aconselhável estudar por quatro horas ou mais de uma só vez. “É importante fazer um intervalo que dure de três a cinco minutos para descansar um pouco. Nesse tempo o estudante deve se levantar, se alongar”, aconselha Nascimento. Ele explica que isso serve para que o estudante não fique sentado o tempo todo. “É bom para saúde que ele se mexa. Ficar parado por longo período cansa mais rápido”, explica ele.

Para o coordenador do CACU-O, não basta seguir o plano de estudos com rigor. Também é importante participar dos plantões de dúvidas. “Essa é a oportunidade do jovem entender melhor a matéria, e é uma forma de aprender as disciplinas que não domina”, lembra Silva. Além de participar dos plantões, o estudante Leandro Aparecido da Silva, de 22 anos, percebeu que aprende melhor ao estudar diferentes conteúdos da mesma matéria. “Estudo das 14h às 20h e me dedico a dois ou três assuntos de uma única área. Por exemplo, ao estudar Português, no mesmo dia vejo os conteúdos de Literatura e de Gramática, e depois faço os exercícios”, descreve ele, que diz querer prestar vestibular para o curso de Economia.

Silva já testou outras táticas e confirmou que essa é a forma em que aprende mais. “Em anos anteriores, tentei intercalar matérias e ter um tempo certo para cada uma. Percebi, porém, que não aprendia dessa forma. Depois de começar a rever o conteúdo de uma única matéria, obtive melhor desempenho em simulados do vestibular”, conta.

Alessandra afirma que, como no caso de Leandro, há jovens que se organizam sozinhos. “Isso deve acontecer naturalmente com todos os alunos. Mas há os que não percebem de que forma aprendem melhor. Nesses casos, é necessário procurar alguém que o oriente, seja um professor ou o coordenador do cursinho ou Ensino Médio”, declara ela. Para Alessandra, essa rotina de estudos deve ser montada de acordo com o perfil do aluno e seu estilo de vida. “Se ele não consegue ficar muito tempo parado sem se dispersar, não adianta forçá-lo a estudar seis horas por dia”, alerta ela.

O estudante Rômulo Giovani Loretto de Oliveira, de 21 anos, tem um método diferente de estudos. “Depois de assistir às aulas, prefiro ficar na biblioteca do cursinho no período da tarde para estudar porque não me concentro bem em casa. Todos os dias, estudo cerca de cinco a seis horas, reviso a matéria dada e pego livros para complementar o aprendizado”, afirma o candidato ao curso de Análise de Sistemas.

Depois de testar outros métodos, Leandro encontrou a melhor maneira de organizar os estudos

Para Oliveira, a ajuda dos livros da biblioteca é importante. “Os exercícios da apostila que uso são tirados de provas de vestibulares anteriores e, por isso, são de dificuldade elevada. Os livros dão uma explicação mais abrangente do conteúdo e há exercícios fáceis, para fixar o conceito”, comenta. Ele conta que também demorou para achar o melhor método de aprendizagem. “Tinha como base apenas a apostila, mas vi que tinha dificuldades na hora de fazer os exercícios propostos. Um colega me disse que procurava livros para complementar os estudos e tentei essa tática. Ficou mais fácil”, diz o rapaz.

Grupo de estudos

Além do trabalho individual, a coordenadora do cursinho da Poli aconselha a organização de grupos de estudos. “Esse momento é rico para o debate e a troca de conhecimentos. Isso também desenvolve a autonomia e o trabalho em grupo, habilidades pedidas pela universidade”, afirma Alessandra. Porém, para que o grupo não se distraia com outros assuntos, ela acredita ser importante ter a figura de um líder. “Ele pode ou não ser um dos jovens. Também é possível pedir o acompanhamento de um professor para garantir que todos discutam o mesmo ponto da matéria”, indica ela.

Tanto Silva como Oliveira, entretanto, preferem estudar sozinhos. “Se há mais de duas pessoas, fica mais fácil iniciar conversas fora dos temas aprendidos e perder a concentração”, alega Silva. Nascimento também acha que o grupo de estudos pode atrapalhar. “Se há interesse em falar sobre determinados assuntos com colegas, é melhor discutir rapidamente e logo retomar a rotina de estudos individual”, sugere. Ele afirma que o recurso deve ser usado apenas para levantar novos pontos de vista sobre o assunto.

Alessandra lembra, ainda, que é importante reservar tempo para a vida pessoal. “É preciso manter contato com os amigos e praticar esportes; isso relaxa. Dedicação apenas aos estudos pode desenvolver ansiedade, tristeza, nervosismo e até depressão”, alerta ela. Nascimento concorda e lembra que o aluno não deve descuidar do lazer e da alimentação. “Além dos exercícios, é aconselhável que o jovem se alimente e durma corretamente”, acrescenta.

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