Um em cada 4 vestibulandos gaúchos sofre de ansiedade moderada e grave

Cara a cara com a ansiedade

Anelise ZanoniCom os olhos fixos no relógio digital, a estudante Paula Pinto Endres, 20 anos, controla cada minuto da sua rotina. Sobre a esteira da academia, ela olha os números e corre um, dois, três, quatro, cinco quilômetros. Cada metro alcançado e a quantidade de suor expelida é uma conquista.

A jovem tenta sair, por meio do esporte, de uma estatística preocupante: um em cada quatro vestibulandos gaúchos sofre de ansiedade moderada e grave.

Capaz de provocar distúrbios do sono, problemas alimentares e depressão, a ansiedade pré-vestibular foi foco de uma pesquisa realizada com 1.046 estudantes gaúchos, conduzida pelo médico Daniel Guzinski Rodrigues. Pós-graduando em Psiquiatria e coordenador do projeto Vestibulandos Anônimos, do curso Mottola, o profissional entrevistou, durante um ano, estudantes entre 16 e 49 anos.

De acordo com dados preliminares, medidos por meio de uma escala que quantifica a ansiedade e de um questionário, vestibulandas como Paula são responsáveis pelos índices mais preocupantes. De todas as meninas entrevistadas, 32,3% sofrem de um grau de ansiedade capaz de provocar insônias, bulimia, anorexia, alterações na capacidade de aprendizagem e concentração.

– Trocava as refeições por chocolates, balas e comidas gordurosas. Meu colesterol subiu e parei de fazer esportes. Hoje, tenho uma vida mais regrada e me preparo para o quarto vestibular – lembra Paula, candidata a Medicina e namorada de um calouro do mesmo curso.

Na opinião do médico, é preciso avaliar quando a ansiedade é boa ou ruim. No geral, todos os estudantes são ansiosos, mas as meninas são mais vulneráveis e se abalam mais com a pressão.

Quando a pesquisa relaciona ansiedade e o curso de Medicina, por exemplo, os números refletem paradoxos. Entre as meninas, é o que mais causa ansiedade grave (12%). No índice geral, somando as respostas de todos os vestibulandos, é o terceiro colocado (8,5%), perdendo para Publicidade e Propaganda (16,7%) e Ciências Biológicas (9,8%).

– O fato de a Medicina ser um curso mais concorrido ameniza a pressão de o estudante ser aprovado de primeira. Em muitos casos, o curso é uma escapatória para o indeciso – explica Rodrigues.

Os reflexos da apreensão que antecedem às provas também mudam diretamente os hábitos de vida dos estudantes. De acordo com a pesquisa, nove em cada 10 entrevistados tiveram alterações na rotina. Amigos, sono, atividade física, alimentação, relacionamento familiar e namoro foram os principais atingidos.

– O estudante deve ter um dia-a-dia organizado, conciliando estudo e lazer – lembra a psicóloga colaboradora do Serviço de Orientação Profissional da UFRGS, Maria Luiza Coletto Imbert.

( anelise.zanoni@zerohora.com.br ) Os cursos cujos candidatos apresentam ansiedade grave* Publicidade e Propaganda 16,7% Ciências Biológicas 9,8% Medicina 8,5% Administração de Empresas 5,9% Arquitetura e Urbanismo 5,9%

* Foram considerados quatro níveis de ansiedade e 10 cursos

Hábitos de vida 90,5% dos entrevistados afirmam que o vestibular alterou seus hábitos de vida 8,8% disse não ter os hábitos de vida alterados 0,7% não respondeu

Os mais alterados Vida social 78,4% Sono 73,2% Atividade física 71,7% Alimentação 47,7% Relacionamento familiar 47% Namoro 45,3%

Os cursos cujos candidatos relataram maiores mudanças de hábitos* Farmácia 100% Odontologia 95,1% Medicina Veterinária 93,8% Medicina 93,5% Direito 92%

* Foram considerados os 10 cursos mais procurados na amostra

[Zero Hora ]

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