Vestibular novamente

Por: Estado de Minas

“Comecei novamente o cursinho e já estou ansioso, afinal tentarei o vestibular mais uma vez. O pior é que estou indeciso e já sofrendo com as provas de fim de ano. Não sei qual carreira seguir… Você poderia falar sobre os critérios para escolher bem uma profissão?” Carlos Teixeira, de Belo Horizonte.

A escolha profissional sempre foi um momento crítico para os jovens. Além da carreira, essa decisão envolve algo maior: sua localização no mundo. é a procura de um lugar social onde ele possa se identificar e expressar seu potencial, enquanto pessoa. é nessa fase que começam o verdadeiro amadurecimento e se preparam para responder à pergunta: “Quem sou eu?”.

A indecisão é agravada nos dias de hoje, uma vez que, com a evolução do mundo, nossa era se caracteriza por grandes e intensas mudanças e por uma gama infinita de opções. Vivemos num mundo de incertezas, de competição global e de descontinuidade. Nesse cenário, o jovem enfrenta várias dúvidas: “Que faculdade fazer?”, “E se eu escolher errado?”, “Serei capaz de me adaptar à universidade?”, “E se não passar no vestibular?”, “Darei conta de arcar com as novas pressões?”, “O que meus pais esperam de mim?”, “Qual é a reação dos meus pais se eu não fizer o que eles querem?”.

De qualquer forma, essa é a realidade e deve ser enfrentada. é necessário encarar e avançar na procura da própria identidade. Existem alguns critérios que poderão nortear a escolha profissional. O primeiro deles, o mais importante e, apesar disso, totalmente esquecido pelos adolescentes e seus pais, diz respeito ao desejo de contribuir para a construção do nosso mundo. A escolha profissional, em geral, é muito egocêntrica e narcisista.

Por isso, proponho como ponto de partida a pergunta: -De que maneira quero contribuir para a humanidade?.- Partindo das necessidades presentes do mundo e, em especial, do nosso país, os jovens poderão optar por carreiras que têm mais impacto no bem-estar da população. Alguns escolherão a carreira jurídica para aumentar a justiça no mundo. Outros optarão pela área ambiental para ajudar o planeta a se salvar da devastação. Outros pensarão

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no sofrimento emocional da família e se enveredarão pela carreira psicológica.

Outros optarão pelo embelezamento da vida e se tornarão arquitetos, artistas e assim por diante. O critério exclusivamente utilitarista cede lugar a uma visão maior de contribuição. O segundo critério é pessoal. Diz respeito aos próprios gostos, à inclinação de cada um. A relação entre profissão e prazer se baseia em fazer aquilo que se gosta de fazer.

Cada um de nós, na diversidade e unicidade de nossos temperamentos e personalidades, tende a gostar de determinados tipos de atividades. A fidelidade ao próprio gosto garante, mais tarde, que a profissão seja exercida com prazer, apesar das dificuldades e durezas de qualquer trabalho. O terceiro critério é ligado ao sentido da realidade individual. Não adianta escolher o que eu gosto se eu não tiver talento e habilidade para exercer aquela profissão.

Os jovens atuais, de uma geração marcada pela proteção e pelo prazer imediato, acostumados a fazer tudo o que querem, correm o risco de se frustrar profissionalmente, se não aliarem a escolha à própria capacidade. Uma jovem, que desejava ardentemente ser arquiteta, desistiu dessa profissão, depois de se submeter a alguns testes vocacionais e constatar ter baixíssima inteligência espacial.

E o último critério é o da recompensa financeira. é por meio da profissão que alcançaremos nossa independência financeira e nosso bem-estar material. Pesquisar o mercado e descobrir as carreiras mais rentáveis enriquecerá os demais critérios. Esses princípios para a escolha do caminho profissional, no entanto, não garantem automaticamente o sucesso profissional. Mais importante que a própria escolha é a forma qualitativa com que nos colocamos diante de nossa profissão.

Pessoas comprometidas, que se envolvem inteiramente com suas atividades, que têm a capacidade de amar o próprio trabalho, que estão em contínuo aprendizado e desenvolvimento, se sentirão realizadas ao operacionalizar suas competências. Nenhuma profissão nos fará felizes. Nós, felizes, é que imprimiremos a uma profissão um senso de amor e de responsabilidade. Não são as profissões que nos fazem. Nós é que desempenhamos, bem ou mal, a profissão escolhida.

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