Deu branco? A culpa é do cortisol

Por: Ana Bizzotto – O Estado de S. Paulo

Terror dos vestibulandos, aquele “branco” vivido na hora da prova está ligado ao aumento do hormônio cortisol, que em quantidade elevada, causada pelo stress, prejudica o link com a memória. Curiosamente, o fenômeno afeta mais as mulheres. É o que constatou pesquisa da fisioterapeuta Heloisa Ferreira, do Laboratório de Estudo do Estresse da Unicamp. Ela investigou o efeito da terapia manual para aliviar a tensão de jovens de 17 a 23 anos da data das inscrições, em setembro, até o vestibular, em novembro. O grupo que fez a terapia teve melhor desempenho no exame.

Sob orientação da professora Regina Célia Spadari e co-orientação da professora Dora Grassi, Heloisa comparou dois grupos ao longo de 2006 e 2007. Um, com 21 alunos, serviu de grupo controle. No outro, de 32 estudantes de um cursinho de Campinas, ela aplicou massagens de 40 minutos,duas vezes por semana.

O stress foi medido pelo nível de cortisol na saliva. “O stress tem o lado bom de motivar a disputa, mas não pode ser exacerbado. Além de afetar a memória na prova, provoca gastrite, dor de cabeça e outras alterações que podem evoluir para problemas mais sérios no futuro”, alerta Heloisa.

O resultado do vestibular refletiu diferenças entre os grupos. No de controle, a aprovação foi de 34%. No grupo tratado, 64% foram aprovados.

A pesquisa também avaliou os vestibulandos por meio de um questionário de stress percebido, que constatou índice mais alto entre mulheres e estudantes do período matutino. “Alunos do noturno já trabalham, isso diminui a pressão. Os da manhã são mais imaturos e mais pressionados pela família e por si mesmos.”

Luis Guilherme Melo, de 18 anos, foi uma vítima do “branco” no último vestibular da Fuvest, quando tentou vaga para Medicina. Ele “travou” numa questão de botânica. “Não tinha mais tempo e escrevi qualquer coisa. Quando acabei de passar a limpo, lembrei a resposta, aí não tinha mais jeito.”

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Tae kwon do

Ao contrário de muitos colegas, Isadora Bertolini, de 17, nunca teve branco. Ela fará vestibular para Jornalismo. “Fico tranquila por causa do tae kwon do, que faço há três anos. As técnicas de respiração me ajudam a concentrar”, diz. “Ao harmonizar o ritmo fisiológico e o mental, é mais fácil passar a ideia para o papel.”

Aline de Marco, de 20, vai prestar o terceiro vestibular para Psicologia. Para ela, o nervosismo ocorre justamente porque o aluno sabe que não pode ficar nervoso. “Daí vem o branco, você trava e compromete a prova toda. Aconteceu comigo na 2ª fase da Unicamp”, diz. “O valor atribuído à prova é uma grande fonte de stress. Quem vai mal acha que é um fracasso.”

O stress nos vestibulandos também foi avaliado pelo médico Daniel Guzinski e a psicóloga Cátula Pelisoli. Eles aplicaram um questionário a 1.046 alunos de cursinhos de Porto Alegre e usaram uma escala científica para medir sintomas e o grau de ansiedade. Dos estudantes avaliados, 23,5% apresentaram nível moderado ou grave de ansiedade.

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