Vale tudo para passar?

Por: Marcela Campos – Gazeta do Povo

Em uma equação que envolve muita concorrência, poucas vagas e milhares de candidatos o resultado final às vezes acaba sendo um mico ao quadrado. Isso porque para muitos vestibulandos não basta apenas estudar – para entrar na faculdade vale lançar mão de todos os recursos disponíveis, nem que isso signifique apelar para simpatias malucas.

Outros, porém, contam com uma dose de fé, re­­correndo a santos e até mesmo a promessas. Conheça quatro histórias de quem buscou ajuda extra, além de livros e apostilas.

Engolindo sapo

“Escreva os nomes das disciplinas em um papel, lambuze-o com mel e coloque na boca de um sapo.” Se a receita da curandeira procurada por Luciana do Rocio Mallon acabasse por aí já seria mais que estranha, mas não teria causado metade do transtorno que gerou. Isso porque a parte final ainda exigia que o bicho acompanhasse a vestibulanda durante as provas. Não deu outra: o anfíbio resolveu “dar um oi” para os que estavam na sala. “No último dia ele começou a se mexer, a fiscal riu e eu falei que era um brinquedo. Mas ele se soltou! A sorte é que só estavamos eu, dois candidatos e os três fiscais. Eles deram risada e não fizeram nada. Depois, eu recolhi o animal e o deixei no jardim”, afirma. Ela passou em Letras na Federal, mas não dá os créditos para a simpatia. “Na época, em 1993, pensei que havia me ajudado, hoje eu vejo que não. Estudei bastante.”

Santo das causas urgentes

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Quando viu que o tempo que tinha para estudar não era suficiente, a estudante do terceiro ano Jéssica Luiza Fink, 18 anos, resolveu pedir aos céus. Para Santo Expedito, das causas urgentes, a maior promessa: caso passasse, iria à missa todos os domingos, durante três meses. A intenção deu certo, segundo Jéssica, que hoje é caloura de Pedagogia da Unibrasil. Os efeitos da crença, porém, foram além da alegria de ver seu nome na lista de aprovados. “Estive m ais presente na igreja e isso de certa forma fortaleceu a minha fé.”

Um ano sem refri

Se para alguns basta pedir, para outros a contrapartida é indispensável. Consciente de seu papel, Melânia Marugal Scheuer, 18 anos, jamais esperou um milagre. “Pedi para Nossa Senhora da Salete me ajudar a ter forças para estudar, e não apenas para passar.” Para garantir que entraria na faculdade, ela ainda reforçou o pedido: caso passasse ficaria um ano sem beber refrigerante. O resultado? A caloura do curso de Psicologia da Unibrasil ainda vai ficar um bom tempo longe da qualquer-coisa-cola e afins.

Nem tanto ao céu

Ariane Stein, de 18 anos, não pensou só em seu benefício quando apelou para a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, sua santa de devoção: se comprometeu em doar uma cesta básica para a igreja e a fazer uma novena em agradecimento pela aprovação em Psicologia da Federal. “Comecei a fazer Publicidade e Propaganda, mas não estava gostando e decidi fazer um novo vestibular.” Se­­guindo à risca a recomendação de Santo Inácio de Loyola – reze como se tudo dependesse de Deus, trabalhe como se tudo dependesse de você – Ariane não deixou de es­­tudar, mas reconhece a intervenção divina. “No dia da prova, tive uns problemas e quase me atrasei. Entrei na sala e logo em seguida o fiscal fechou a porta. Eu pensei: eu realmente tinha de estar lá.”

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