Veja histórias de quem deixou o interior para estudar na capital

Por: A Tarde

A vida sempre se passou em espaços pequenos, preenchidos por rostos conhecidos. A vida no interior não comportava saudades nem medo de assalto e nem tantos gastos [com ônibus, alimentação, xerox] como na nova vida na capital.

A Bahia tem 417 municípios, mas só há universidades públicas em 33 deles. A Universidade do Estado da Bahia [Uneb] é a que atende mais cidades, 24 ao todo. Assim, a vinda para a capital acaba sendo a única opção para quem quer continuar os estudos.

Em Salvador, cerca de 20% dos alunos da Uneb vêm do interior do Estado. Ana Nascimento, 22, hoje faz enfermagem e já circula na capital como se tivesse nascido aqui, mas há três anos, quando veio de Brumado [a 555 km de Salvador] para fazer cursinho, morando na casa de parentes, se sentia acuada . “Não é a mesma coisa que estar em sua casa. As pessoas são da sua família, mas fazem questão de deixar claro o favor que estão te fazendo”.

Sem grana, Ana ainda teve que ficar na casa da tia até que entrasse na faculdade. Hoje ela aluga um quarto numa pensão com o salário de cerca de R$ 600 de operadora de telemarketing.

Para Francisco Bastos Filho, 25, que veio de Macaúbas [a 682 km de Salvador], as coisas correram de um jeito mais tranquilo. Embora tenha estranhado a cidade no início, e mudado de curso duas vezes [até que optou por fim por medicina], não demorou para se adaptar ao novo estilo de vida. Logo compreendeu que pegar o ônibus errado é uma maneira de aprender como se chega em outro lugar. Os pais já tinham um apartamento aqui, que só aguardava a vinda dele e do irmão.

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Lavar roupa, arrumar a casa e cozinhar, embora seja o miojo que geralmente salva o dia, sempre foi um hábito desde que morava com os pais. “Minha mãe sempre chamava a gente para a cozinha para ensinar alguma coisa. Eles sempre nos criaram para ser independentes”. Ainda assim, sempre que ele está em Macaúbas, ela evita ir à rodoviária se despedir, pois o chororô é certo.

A distância da família, de acordo com Lene Santos, psicóloga da Pro-Reitoria de Assistência Estudantil da Universidade Federal da Bahia [Ufba], em alguns casos, pode tirar a concentração do estudante e interferir em seus estudos. “O oposto também é possível, a nova sensação de independência da família e a possibilidade de crescimento, acaba sendo um estímulo”.

Foi o que aconteceu com Renata Flores, 25. Ela veio de Capim Grosso [a 240 km de Salvador] há quatro anos e já está quase deixando a faculdade de pedagogia. Ainda lembra de quando chegou em Salvador. A mãe fez falta, mas preferiu focar nos estudos que na melancolia. “Sempre que ela mandava dinheiro eu pensava que também tinha que me esforçar”.

IES ampliam assistência estudantil

A Uneb vai implantar, a partir de setembro, seu novo programa de assistência estudantil, que inclui a melhoria das residências universitárias, a construção de um restaurante, a distribuição de cestas básicas para alunos de baixa renda e bolsas para aqueles que desenvolvam atividades culturais e esportivas.

De acordo com a Pro-Reitora de Extensão, Adriana Marmori, serão empregados R$ 1,5 milhões no programa. Hoje a Uneb disponibiliza apenas 20 vagas em sua residência no Cabula, embora ofereça cerca de 1.000 bolsas de monitoria e 200 vagas em programas de estágio dentro da própria universidade. As bolsas são divididas entre os 24 campi da instituição.

Já na Universidade Federal da Bahia [Ufba], quem não tem como se manter longe de sua cidade natal pode concorrer a auxílios que a instituição presta a estudantes em vulnerabilidade social.

Além das 290 vagas nas três residências que mantém [mais 200 serão abertas numa outra que está em construção na Avenida Garibald], a Ufba oferece 238 bolsas moradia [auxílio financeiro de R$ 250 além de almoço e jantar no restaurante universitário].

De acordo com a coordenadora de Assistência Estudantil, Maria das Graças Pereira, para obter um dos benefícios é preciso comprovar a necessidade. Para mantê-los os alunos precisam ter bom rendimento escolar. A Ufba ainda disponibiliza acompanhamento psicológico para esses e outros estudantes.

DICAS

Lavar roupa todo dia

Se você não sabe a diferença entre detergente e desinfetante, aprenda. Daqui para frente é você quem vai lavar suas roupas. Máquina de lavar é uma mão na roda, o duro é lavar no tanque. Apelar para a lavanderia pode sair bem caro. Cerca de 10 peças não saem por menos de R$ 25.

Saudade

Se ver de repente sem o apoio constante da família pode ser inicialmente traumático e os estudos podem acabar prejudicados. O segredo é enxergar a mudança como possiblidade de crescimento intelectual e pessoal.

Gororoba

Antes de ir embora definitivamente peça umas dicas para quem cozinha na sua casa. Sempre que puder dê um tempo na cozinha e preste atenção. Comece a anotar e faça um mini caderno de receitas triviais. Não vai ter o gosto da comida da mãe, mas ao menos você não vai morrer de fome ou apelar diariamente para o miojo.

Xerox

Não dá para comprar todos os livros exigidos pelas disciplinas. Além de apelar para a biblioteca, que geralmente não tem exemplares suficientes, o jeito é gastar com cópias. Para economizar, procure colegas que já fizeram a disciplina e peça os textos emprestados.

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