Estudo do filho por quase meio milhão

Por: O Estado de Minas

O preço para educar um filho, do maternal à faculdade, pode atingir R$ 428 mil, se considerados 23 anos de estudos no sistema privado de ensino. Para garantir que as famílias se mantenham em dia com o alto custo das mensalidades, as escolas de medicina, as mais caras do mercado, lançaram a figura do fiador. Uma exigência polêmica, que não é recomendada pela Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), mas que se torna cada vez mais comum. A exigência tira o sono de muitas famílias, que, além de desembolsarem valores que variam entre R$ 3 mil e R$ 4 mil por mês, têm de recorrer a bancos quando não encontram um avalista disponível na família ou entre amigos. Bom lembrar também que o custo de educar é ainda mais elevado, já que os valores acima não incluem gastos indiretos, como roupas (uniformes), livros e transporte, entre outros. Da educação infantil, iniciada aos 3 anos, ao ensino médio, o custo da educação pode variar entre R$ 70 mil e R$ 176 mil. O estudo foi feito pelo site Mercado Mineiro com exclusividade para o Estado de Minas. Foi considerado o custo de escolas em Belo Horizonte que atendem às classes A, B e C. Se o curso escolhido for o de medicina, os valores podem atingir R$ 428 mil para a classe A, R$ 382 mil para a classe B e R$ 314 mil para a classe C . Os fiadores devem comprovar renda com valores no mínimo três vezes superiores ao preço da mensalidade e ainda ter imóvel registrado em seu nome. Segundo as escolas ouvidas pela reportagem, essa é uma política preventiva contra inadimplência. “é muito difícil encontrar esse fiador. Sei de casos de pais que são obrigados a pagar de uma só vez 12 prestações, porque não apresentaram o avalista”, comenta a funcionária pública Sônia do Carmo Campos, mãe de uma estudante do quarto período de medicina. A cada ano, ela renova o aval para conseguir pagar em parcelas, a escola da filha. Este ano, as instituições particulares vão endurecer ainda mais as regras, passando a exigir de seus novos alunos uma declaração de ausência de débitos com a escola anterior. A prática está baseada na Lei 12.007, aprovada no ano passado. “Não orientamos as escolas a pedir fiador, mas elas só devem efetuar a matrícula com essa declaração.

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é uma forma de evitar o calote. Devem também enviar o nome dos devedores para o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC)”, aponta o presidente da Fenepe, José Augusto de Mattos. Apesar de admitir que esse não é um problema para a instituição, Flávio Amaral, diretor da Fundação Educacional Lucas Machado, mantenedora da tradicional faculdade Ciências Médicas, aponta que a prática já se tornou comum para o curso de medicina, que custa quase quatro vezes mais que os demais. “A inadimplência não é um problema para nós. A taxa é de aproximadamente 5%. O fiador é só uma segurança.” A moda do avalista é uma tranquilidade para as instituições, mas um transtorno para os pais. “Só consegui o fiador porque os padrinhos da minha filha se dispuseram a nos ajudar. Se não fosse isso, não sei o que faríamos”, diz Sônia Campos. “é certo que as faculdades devem receber, mas não podemos deixar de lembrar que são instituições que não visam ao lucro.” Segundo a reitora do UNI-BH, Sueli Balisa, a exigência do fiador é justa. “A escola garante que o aluno tenha uma boa qualidade de ensino e pede em troca uma garantia pessoal de que ele vai honrar os seus compromissos.” Do maternal ao ensino médio, Ludmilla e Vitor, filhos da professora Cibele Houara, estudaram em escola particular. “A mensalidade disputa com a alimentação o maior peso do orçamento. Quando os filhos vão para a faculdade ela se torna o primeiro peso”, comenta a mãe. Vitor vai iniciar o terceiro ano do ensino médio e Ludmila se prepara para o vestibular de medicina. Apesar de a educação ser uma prestação de serviço, Cibele diz ter ficado chocada ao saber da exigência do avalista. “Os pais já têm que comprovar que podem pagar a escola. Não é fácil conseguir dois amigos com essa renda e ainda dispostos a serem fiadores.” A exigência do tal fiador é polêmica. Para o advogado Marcelo Barbosa, coordenador do Procon Assembleia, não existe lei que proíba as faculdades de cobrar mais essa garantia. A advogada da Associação Nacional dos Consumidores de Crédito, Lílian Salgado considera a cobrança abusiva, já que pode dificultar o acesso ao ensino. “A educação é um direito garantido pela Constituição, mas a exigência de avalista pode impedir a matrícula.”

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