Prêmio homenageia professor da UFSC que coloca Santa Catarina no cenário da farmacologia internacional

Com mais de 300 trabalhos científicos publicados em revistas especializadas de nível internacional e mais de 6 mil citações por outros cientistas, o professor João Batista Calixto é o escolhido pelo Centro de Ciências Biológicas para receber o Prêmio Destaque Pesquisador UFSC 50 Anos. Autoridade no estudo de princípios ativos de plantas, na pesquisa básica sobre dor e inflamação, o homenageado é um dos criadores do Departamento de Farmacologia e da Pós-Graduação em Farmacologia da UFSC, atualmente com conceito 7 na CAPES.

Membro da Academia Brasileira de Ciências, possui 18 patentes e participou do desenvolvimento de três produtos que estão no mercado: o antiinflamatório Acheflan (primeiro medicamento totalmente desenvolvido no Brasil, a partir dos princípios ativos da planta erva-baleeira ou maria-milagrosa); o Cronos Flavonoide de Passiflora (creme antirrugas desenvolvido em parceria com a Natura) e o Sintocalmy (fitomedicamento indicado para controle da ansiedade, tensão e distúrbios do sono). Outros produtos investigados por seu grupo de pesquisa estão em fase de testes clínicos e deverão chegar ao mercado nos próximos anos.

Assim como no caso do antiinflamatório Acheflan, as pesquisas que resultaram no Sintocalmy foram realizadas numa colaboração entre UFSC e Laboratório Aché, empresa brasileira de laboratórios farmacêuticos. Os estudos permitiram a elevação dos princípios ativos da passiflora, planta conhecida por seu fruto – o maracujá – e já usada em extratos. O trabalho é exemplo da parceria bem-sucedida do professor João Batista Calixto com a indústria farmacêutica.

Pesquisador reconhecido na cademia e no setor produtivo, ele coordena no momento a implantação no Sapiens Parque, em Florianópolis, do Centro de Referência em Farmacologia Pré-Clínica, iniciativa do Ministério da Saúde e do Ministério da Ciência e Tecnologia, que vai abrigar tanto a pesquisa básica como a busca de inovações, estimulando a integração entre a indústria e a academia.

O Prêmio Destaque Pesquisador UFSC 50 Anos é um reconhecimento da Universidade Federal de Santa Catarina a docentes da instituição por suas contribuições para o avanço do conhecimento e formação de recursos humanos. A atividade faz parte da agenda de comemoração dos 50 anos da UFSC. Até o final deste ano, 11 professores, coordenadores de importantes estudos em suas áreas, representantes dos 11 centros da instituição, receberão a homenagem. O prêmio será entregue ao professor Calixto no final de novembro.

Mais informações com professor Calixto: calixto@farmaco.ufsc.br / (48) 3721-9491, ramal 229

Mais informações sobre o Prêmio Destaque Pesquisador UFSC 50 Anos:

Professor Jorge Mário Campagnolo – Diretor de Projetos de Pesquisa
Fone: (48) 3721-9437
E-mail: campagnolo@reitoria.ufsc.br

Professor Ricardo Rüther – Diretor do Núcleo de Apoio e Acompanhamento
Fone: (48) 3721-9846
E-mail: ruther@reitoria.ufsc.br

Saiba Mais:

Homenagens já recebidos pelo professor João Batista Calixto:
2010 – Prêmio Gaspar Stemmer de Inovação, categoria protagonista da Inovação (primeiro lugar), conferido pelo governo do Estado de Santa Catarina, FAPESC.
2008 – Prêmio de Inovacao Tecnologica Natura Campus, Natura.
2007 – Prêmio SCOPUS, SCOPUS/CAPES.
2007 – Young Investigators Award, International Association of Inflammation Societies (IAIS).
2006 – Membro da Comissão técnica de Medicamentos – CATEME – Resolução RDC no.24 de 10/02/06, ANVISA.
2006 – Premio FINEP de Inovacao Tecnológica da Região Sul, 2006, FINEP.
2006 – Reconhecimento e homenagem de Centro de Ciências Biológicas – 30 anos, UFSC.
2005 – Membro do Comitê Gestor do Fundo de Biotecnologia, Ministério da Ciência e Tecnologia.
2003 – Prêmio “Jovem Investigador” Prof. Dr. José Ribeiro do Valle – 1o. colocado, XXXV Congresso Brasileiro de Farmacologia – SBFTE.
2002 – Prêmio José Ribeiro do Valle – segundo colocado, XXXIV Congresso Brasileiro de Farmacologia e Terapêutico Experimental – SBFTE.
2002 – Prêmio Mérito Universitário conferido pela Universidade Federal de Santa Catarina, Universidade Federal de Santa Catarina.
2002 – Classe de Comendador da Ordem, Ordem Nacional do Mérito Científico. Conferido pelo Presidente da República Fernando H. Cardoso.
2001 – Prêmio José Ribeiro do Valle – 2o. colocado, FESBE.
2000 – Prêmio José Ribeiro do Valle – 3o. colocado, XVI Latinamerican Congress of Pharmacology – ALF.
2000 – Membro Titular da Academia Brasileira de Ciências, Academia Brasileira de Ciências.
1999 – Prêmio José Ribeiro do Valle – 2o. colocado, XIV Reunião Anual da FESBE.
1998 – Prêmio José Ribeiro do Valle XIII – 1o colocado., XIII Reunião Anual da FESBE.
1998 – Prêmio José Ribeiro do Valle – 3o. colocado, XIII Reunião Anual da FESBE.
1998 – Prêmio José Ribeiro do Valle – 4o. colocado, XIII Reunião Anual da FESBE.
1979 – Prêmio Nacional da Sociedade Brasileira de Anestesiologia e Laboratório Parke-Davis -1º colocado., Brazilian Society of Anesthesiology.
1978 – Prêmio Nacional da Sociedade Brasileira de Anestesiologia e Laboratório Parke-Davis – 2º colocado., Brazilian Society of Anesthesiology.

 

15/11/2006 – 11h20

Cientista tem receita para extrair drogas de plantas

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EDUARDO GERAQUE
da Folha de S.Paulo

Há mais de uma década mergulhado na biodiversidade brasileira, o farmacologista João Batista Calixto, professor titular de farmacologia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), tem muitas histórias para contar sobre como derivar um remédio de uma planta. Ele também conhece de perto os gargalos do setor, que, pelo menos na teoria, tem um excelente potencial de crescimento.

“Temos uma política de governo, mas não de Estado”, disse Calixto à Folha. O pesquisador colaborou no desenvolvimento do antiinflamatório Acheflan, da Aché Laboratórios Farmacêuticos, entre vários projetos sigilosos em curso com a indústria farmacêutica –a maioria da área de fitomedicamentos (remédios naturais testados clinicamente) .

Tarcísio Mattos/Folha Imagem
João Calixto no biotério da UFSC, onde testa novos remédios
João Calixto no biotério da UFSC, onde testa novos remédios

Lançado há pouco mais de um ano no Brasil, o Acheflan –feito a partir da planta erva-baleeira ou maria-milagrosa (Cordia verbenacea)– já abocanhou 32% do mercado dos antiinflamatórios usados sobre a pele. “Ultrapassou o tradicional Cataflam”, diz Calixto.

Uma das únicas opções que sobraram depois da aprovação da Lei de Patentes de 1997 –as empresas farmacêuticas do Brasil não puderam mais copiar produtos de fora– foi pesquisar a biodiversidade nacional. “A área de medicamentos sintéticos é muito difícil, porque os alvos moleculares necessários são complexos e estão nas mãos das grandes empresas internacionais”, explica Calixto. “O risco é muito elevado e os custos, proibitivos.”

Nascido em Coromandel (MG) e formado em São Paulo, Calixto chegou a Florianópolis em 1976 para criar um novo grupo de estudos. Durante esse tempo todo, ele vem tentando se virar dentro da chamada relação universidade-empresa.

Apesar de não ser o único, o indicador citado por Calixto, e sempre repetido por especialistas da área de ciência e tecnologia, mostra como esse relacionamento é pífio.

“No ano de 2005 o Brasil publicou mais de 16 mil trabalhos no exterior e apenas cerca de 300 patentes. A Índia tem o dobro. A Coréia do Sul, então, 20 vezes mais”. Isso significa, para ele, que algo está faltando. “No caso, é a interação entre universidade e empresa.”

Apesar de a pós-graduação brasileira ter crescido de forma espetacular nos últimos anos –hoje são formados cerca de 10 mil doutores por ano–, os produtos finais desse processo são apenas artigos científicos e não patentes ou produtos.

“Falta uma política industrial que dê prioridade para isso. Falta uma cultura na universidade e também nas empresas, que precisam perder o medo de investir, além dos entraves regulatórios, que ainda são enormes”. Para Calixto, a Lei de Inovação, por exemplo, regulamentada em 2005, ainda não teve efeito prático.

Mesmo na área da formação de recursos humanos existem problemas. “Formou-se muito, mas sem prioridade. A área de toxicologia por exemplo, é quase inexistente no Brasil. Não temos treinamento para a área de propriedade intelectual na nossa pós-graduação”, explica.

Quando o assunto é a burocracia estatal, todos são lembrados pelo cientista. O CGEN (Conselho de Gestão do Patrimônio Genético), órgão normativo do governo federal, é um dos alvos. “Claro que sou a favor de uma regulamentação para remunerar o conhecimento tradicional. Mas não se pode perder três ou quatro anos para chegar a um consenso. Os nossos [países] vizinhos, que têm plantas iguais às nossas, estão saindo na frente.”

No seu dia-a-dia, explica Calixto, ele tem de jogar “futebol e voleibol” ao mesmo tempo. Além disso, tanto as regras complicadas da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) quanto a interferência do Ministério Público acabam atravancando a pesquisa. A primeira atrasa a importação de insumos e de animais. O segundo dificulta a contratação de pessoas pelas fundações das universidades que mantêm os contratos com as indústrias.

“De um lado tenho de orientar alunos e publicar artigos. De outro, desenvolver produtos, manter sigilo e os cronogramas. No fundo, você sempre acaba sendo penalizado.” Mesmo assim, e talvez porque o lado científico seja o menos problemático, os projetos no laboratório continuam.

Um é calmante, outro para o coração, existem ainda fórmulas para inflamações intestinais, para o combate ao envelhecimento, para o câncer e até para a depressão. “Devemos caminhar primeiro onde temos chance de marcar o gol.”

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