Guia de carreiras: arquitetura e urbanismo

Mercado imobiliário faz crescer a procura por arquitetos.
Profissão é confundida com engenharia civil; confira diferenças.

Vanessa Fajardo Do G1, em São Paulo

Habilitado para conceber espaços e objetos, o arquiteto e urbanista vê seu mercado se expandir com o ‘boom’ de moradias populares criadas pelo poder público. Porém, apesar de a carreira ter sua imagem vinculada à área de edificações, estes profissionais também podem trabalhar com paisagismo, cenografia, conservação e preservação de patrimônios históricos e culturais, design gráfico, além de projetar produtos como móveis e utensílios.

O presidente do Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo (Sasp), Daniel Amor, diz que todos os anos se formam cerca de 6.500 arquitetos em todo o país, sendo 30% no estado de São Paulo. É muito raro, segundo ele, algum ficar sem emprego. “Durante a faculdade o estudante faz o estágio supervisionado, isso ajuda ele conhecer o mercado quando se forma. Há várias oportunidades. Em São Paulo, por exemplo, metade das prefeituras não tem arquitetos.”

Quem está há muitos anos no mercado garante que para seguir carreira, mais do que saber desenhar – já que o vestibular tem prova de habilidade específica – o aluno precisa ter senso de organização, criatividade e muito jogo de cintura. “É necessário prestar muita atenção porque quando menos espera durante um projeto o arquiteto é desafiado a pensar em uma solução rápida para um problema de sinalização, acessibilidade, comunicação ou conforto”, afirma Zan Quaresma, arquiteto e diretor de pesquisa do Sasp.

Para Daniel Amor, ao fazer seus projetos o arquiteto cria obras de arte nas cidades. “Ao criar, o arquiteto não pensa em uma caixa isolada, um volume qualquer. Ele pensa em um elemento que vai estar transmitindo um sentimento dele e vai proporcionar algo naquele que vendo ou usando.”

Arquitetos x engenheiros
Com habilidades diferentes, mas que se complementam em muitos trabalhos, arquitetos e engenheiros, principalmente na área civil, vivem uma rivalidade histórica. Enquanto o primeiro concebe um projeto, o segundo é responsável por torná-lo realidade.

Por resolução do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea), tanto engenheiros como arquitetos podem ser responsáveis pelo projeto arquitetônico e pela execução de uma obra.

Quaresma lembra que as estruturas curriculares das graduações são diferentes. O arquiteto tem aulas de ciências humanas, como história da arte e sociologia, também aprende técnicas de fundações e sistema estruturais (hidráulico e elétrico), topografia, e está habilitado a fazer projetos.

“Somos capazes de conceber, entendemos o sistema de qualquer área técnica, mas não temos o conhecimento aprofundado das matérias de cálculo desses sistemas”, diz. Segundo ele, o engenheiro civil não tem a carga de projeto nem de ciências humanas, mas aprende muito de exatas.

De acordo com o arquiteto, a legislação vigente não é clara sobre as áreas de atuação e permite que “haja confusão e sombreamento das atividades.” Atualmente, os arquitetos e urbanistas estão vinculados ao Crea, mas está em andamento a formação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU). Um dos objetivos do conselho é garantir exclusivamente a arquitetos e urbanistas a responsabilidade de assinar projetos arquitetônicos, atribuição que hoje em dia também é dos engenheiros.

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