De onde vêm as boas ideias de negócio

Sexta-feira, 29 de abril de 2011

Pequenas Empresas & Grandes Negócios – Sergio Tauhata e Rodolfo Araujo*

Prepare-se para uma surpresa: as melhores sacadas não vieram de mentes brilhantes, mas sim de gente que quebrou a cabeça do jeito certo. Entenda como – e por quê


 

Uma imagem comum associada a genialidade e imaginação é, sem dúvida, a do físico inglês Isaac Newton com uma maçã nas mãos. Sentado à sombra de uma macieira, o sonolento cientista teria forjado, ali mesmo, sem mover um músculo sequer, o princípio da lei universal da gravidade. A fantasia de que o acaso escolhe as mentes que lhe parecem mais atraentes e as presenteia com sacadas geniais habita o imaginário de todos nós. Cada vez mais, contudo, pesquisadores do mundo inteiro têm mostrado que raríssimas vezes as ideias chegam de surpresa, como meros frutos do destino. Em todas as áreas, da ciência e tecnologia às artes e também no mundo dos negócios, as descobertas apontam para a máxima de Thomas Edison: “Genialidade é 99% de transpiração e 1% de inspiração”.

Na investigação sobre o nascimento de empresas bem-sucedidas apresentadas nesta reportagem, da Coca-Cola ao Twitter, não deparamos com nenhum caso de um sujeito premiado com uma ideia brilhante no meio de um sonho. Vistas com lupa, as fontes de inspiração têm muito menos charme. Advêm, sobretudo, de necessidades triviais, da vontade de resolver um problema e também da observação — ainda que, neste último caso, uma viagem funcione como ótimo veículo de associações inéditas. De acordo com a pesquisadora da Harvard Business School Teresa Amabile — uma das mais renomadas estudiosas das conexões entre gestão e criatividade —, o empreendedor que pretende ser criativo deve ter, antes de mais nada, uma causa. “É preciso haver algo que o impulsione. Ao mesmo tempo, ele deve reunir conhecimentos sólidos e exercitar a capacidade de fazer conexões incomuns que gerem ruptura”, diz ela. Uma grande ideia não necessita, no entanto, ser totalmente revolucionária. Pode representar, como defende Thomas Ward, professor do Center for Creative Media da Universidade do Alabama, um balanço entre novidade e familiaridade. “Empreendimentos criativos devem ser originais o suficiente para capturar a atenção dos consumidores, mas familiares o bastante para não serem rejeitados pelo público”, afirma.

O sistema de fast-food, que rapidamente caiu nas graças de consumidores de todo o mundo, por exemplo, nasceu de um questionamento simples. Os irmãos Richard e Maurice McDonald, donos de um pequeno restaurante em San Bernardino, Califórnia, decidiram pensar em um modo prático de rentabilizar o negócio. A casa chegou a ser fechada para que eles repensassem o modo de produção. Eles notaram que o grosso dos pedidos (e do lucro) vinha dos sanduíches. Pronto: estava criada a primeira linha de montagem de hambúrgueres, e o McDonald’s. Um dos negócios mais badalados da internet, o Twitter, nunca teria nascido se um dos seus fundadores, o programador de softwares Jack Dorsey, não tivesse antes tentado resolver o problema de comunicação em uma empresa que monitorava frotas de táxi em Nova York.

Parafraseando Louis Pasteur, a sorte parece ter mais simpatia por mentes preparadas. Uma mistura explosiva — e criativa — traria ingredientes como experiência e problema. O engenheiro civil brasileiro Alexandre Derani não teria tirado o mesmo proveito de sua viagem à Flórida, e criado o primeiro GPS para veículos, caso não tivesse informação prévia sobre geoprocessamento. O fundador da Starbucks, Howard Schultz, atuava no ramo quando viajou para a Itália e se encantou pelo espresso.

Para o físico e consultor Clemente Nobrega, coautor do livro Innovatrix – Inovação para Não Gênios, a inovação empresarial pode ser aprendida por qualquer pessoa. É preciso, para tanto, método e disciplina. “As grandes ideias não vêm de um processo místico. Qualquer um pode aprender a ser criativo e gerar inovação”, afirma ele, para quem inovar requer uma luta constante com nós mesmos. “Queremos ser criativos, porém nossas mentes não são naturalmente criativas, uma vez que optamos sempre por soluções mais seguras e, portanto, menos arriscadas.” Reunimos, a seguir, um punhado de fatores que certamente têm influência no cultivo de novas ideias. É importante ter em vista, porém, que dar forma a um negócio exige uma boa dose de pertinácia (para não desistir no meio do caminho), estratégia (para implementá-lo corretamente), a costura de uma rede de relações (sempre imprescindível) e rapidez suficiente para o registro de patentes — a controvérsia sobre quem inventou o quê no mundo dos negócios, afinal, é interminável.

QUANDO AS IDEIAS MORREM MESMO ANTES DE NASCER
Três venenos que minam a criatividade e o que todos precisam saber para ficar imunes

* PRESSÃO > Sócia da CO.R, consultoria especializada em processos de inovação, a publicitária Rita Almeida considera que a pressão por resultados a que todos estão submetidos nos dias atuais inibe as ideias revolucionárias. “Para desenvolver o seu potencial criativo é preciso, antes de mais nada, querer muito”

* MEDO > A ideia central do recente livro Innovatrix – Inovação para Não Gênios, de autoria dos físicos Clemente Nobrega e Adriano Lima — é de que, para inovar, é preciso eliminar uma contradição básica: “Queremos ser criativos, mas nossas mentes não são naturalmente criativas, uma vez que optamos por soluções sempre mais seguras e, portanto, menos arriscadas”, afirmam eles

* EXCESSO DE INFORMAÇÃO > Para acionar a criatividade, via de regra, é preciso sair da superfície, ir fundo nos processos mentais, estudar, investigar. O problema é que, na era da internet, somos inundados diariamente por uma torrente de informações curtas, instantâneas e, não raro, bastante rasas. No livro recém-lançado “The Shallows”, What the Internet Is Doing to Our Brains (em tradução livre: Os Superficiais, o que a internet está fazendo com os nossos cérebros), o pesquisador Nicholas Carr alerta sobre as consequências de ficarmos conectados 24 horas, sete dias por semana. Segundo ele, para funcionar de modo inventivo, a mente precisa de momentos de pausa e contemplação. Concentrar-se em um objetivo é, portanto, fundamental

1. BUSQUE O PROBLEMA
O empreendedor que inova adota uma postura curiosa e desbravadora. Para o diretor do GAD’Innovation, Charles Bezerra, a definição de curiosidade passa por não aceitar que tudo está resolvido. “Quem é um inovador sabe que há sempre uma porta nova a abrir. Tudo pode ser melhorado”, diz. Como a criação de um negócio obedece a um processo, a atitude curiosa, acompanhada de forte orientação prática, é fundamental. “O quadro de referências de um inovador é desconhecido. Para viabilizar a sua ideia, ele precisa fazer um piloto, testar numa escala menor e obter informações claras, a fim de fazer um planejamento estruturado”, afirma o professor de empreendedorismo da Universidade de São Paulo, José Dornelas. Em todas as fases, atestam os pesquisadores, é essencial fazer exercícios que desemboquem na formulação de um problema.

2. MUNICIE-SE DE INFORMAÇÕES
Para exercitar a curiosidade, o empreendedor deve desenvolver algumas capacidades. A primeira é a de filtrar o que tem relevância para sua ideia de negócio. O grande volume de informações com as quais se tem contato diário deve sofrer edições contínuas. Só a partir desses cortes é possível analisar o que é realmente importante e fazer associações com demandas reprimidas e inquietações. A diretora da consultoria Inova 360º e professora de gestão da inovação na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Martha Terenzzo, diz que é fundamental diversificar o repertório. “Leia sobre temas aparentemente desconexos, compareça a eventos, frequente lugares novos, enfim, crie uma rotina que o obrigue a sair da mesmice.”

3. COMBINE CONCEITOS
Uma das principais características de empreendedores que têm boas ideias é a capacidade de estabelecer conexões aparentemente improváveis. O pesquisador Frans Johansson, no livro O Efeito Medici, demonstra que, diante de uma intersecção de campos, pessoas ou culturas, podemos combinar os conceitos existentes na direção de um sem-número de novas ideias. Johansson baseia-se na explosão criativa ocorrida em Florença no século 15. Naquele tempo, a família Medici, que reunia banqueiros de Florença, atraiu por meio do mecenato escultores, cientistas e artistas. Juntos, eles criaram um novo mundo baseado em concepções derivadas da associação de informações sem ligações aparentes até aquele momento. Como resultado, a cidade italiana tornou-se o epicentro do que culminou no Renascimento, um dos mais importantes movimentos culturais da História. Nas palavras do professor Thomas Ward, essas misturas fazem emergir “novas propriedades sobre determinado produto ou serviço, impossíveis de ser vistas quando analisadas separadamente”.

A RECEITA DA INOVAÇÃO TEM MAIS DE UM INGREDIENTE

O pesquisador americano R.J. Sternberg, em seu texto “A natureza da criatividade”, trata as boas ideias de negócio como produto de uma combinação que reúne habilidades intelectuais, conhecimento, estilo de pensamento, personalidade do empreendedor e ambiente no qual a ideia é concebida. Na opinião dele, existem três habilidades fundamentais para que ocorram os chamados saltos criativos: poder de síntese, capacidade analítica e raciocínio prático-conceitual — este último, bastante útil para persuadir terceiros sobre o valor da ideia que se deseja vender

 

 

 

4. CORRA RISCOS
Todo empreendimento envolve um risco. No caso de grandes ideias, o perigo de não dar certo é ainda maior. Neste caso, cabe ao empreendedor defender sua proposta. Na opinião de Howard Gardner, professor de cognição e educação da Universidade de Harvard: “A mente criativa gosta de tomar riscos, de visualizar chances, de pensar fora da caixa. Além disso, esse tipo de mente trata o fracasso como um aprendizado, e não como um motivo de culpa pessoal ou de terceiros”. Um alerta: o nível de incerteza ao redor de um negócio inovador faz com que, muitas vezes, o produto final tenha pouca semelhança com a ideia inicial. Charles Bezerra alerta que as pessoas costumam se iludir achando que, no começo, sabem onde a jornada vai dar. “Trata-se do oposto: uma ideia grandiosa explora o desconhecido.”

5. CONECTE-SE COM O MUNDO
Um empreendimento inovador tem profunda relação com as tendências que moldam a sua época. Pessoas curiosas buscam entender o espírito do tempo, criam mais chances de captar oportunidades e ter insights. Para o pesquisador inglês Richard Ogle, autor do livro Smart World, as ideias criativas decorrem de associações e da captura do conhecimento que circulam pelo mundo. A diversidade de origens e tradições, explica, é o que viabiliza conexões criativas. “As ideias não pertencem a um grupo seleto de mentes.” A sincronia entre uma ideia e sua época é tão importante que, em muitos casos, um invento brilhante não resulta em lucro justamente por não ter sido lançado no momento certo.

6. BUSQUE COLABORAÇÃO
Quanto mais colaboradores estiverem envolvidos no desenvolvimento de uma ideia, maiores serão as chances de sucesso no mercado. Para Renato Fonseca, consultor do Sebrae de São Paulo e pesquisador da participação das redes sociais no surgimento de uma ideia, o trabalho criativo parte de um problema e, quanto mais colaboração para chegar a uma resposta, melhor. “Hoje, com os meios de comunicação de largo alcance, isso se tornou mais fácil.” Estudioso de redes criativas, Richard Ogle acredita que o desafio do empreendedor inovador é saber navegar por uma teia complexa de contatos: “Grandes empreendedores sempre possuem uma boa rede de relacionamentos”, diz. Neste tópico, deve-se considerar uma forte, recente e crescente tendência: a participação do cliente nos processos criativos. “Redes de cocriação que envolvem consumidores têm alto potencial de sucesso”, diz Martha Terenzzo.

7. TENHA UMA CAUSA
O livro Purpose, do consultor em liderança estratégica Nikos Mourkogiannis, divide empresas reconhecidas como inovadoras em quatro grupos, de acordo com seus propósitos: apaixonadas pelo novo, como a 3M; intelectualmente curiosas, em que figura a IBM; altruístas, como a The Body Shop — empresa de cosméticos que não testa produtos em animais; e as heroicas, como a Ford. Todas, segundo o autor, têm em comum uma causa que motivou seu surgimento e confere força à cultura que criaram em seus mercados. Para o professor José Dornelas, o empreendedor criativo é um eterno insatisfeito. “São inconformados, que desejam transformar o mundo e, por isso, fazem coisas grandiosas.”

8. DA TEORIA À PRÁTICA
Com uma ideia bem desenhada, chega o momento de testá-la na prática. Para Martha Terenzzo, atualmente é comum que projetos sejam testados antes mesmo de estar totalmente concluídos. “Os ciclos de inovação são mais curtos. É preciso colocar algo no mercado que não está 100% testado por conta da vantagem competitiva de tempo.” No caso das ideias que provocam grandes rupturas, a falta de uma referência concreta para um plano de negócios pode ser substituída pelas impressões captadas em um teste inicial. O professor José Dornelas recomenda que se execute uma “fase piloto”, com menos recursos investidos, como estratégia de mapeamento do mercado e de aceitação. No artigo “Empreendedores e Novas Ideias”, publicado no Rand Journal of Economics, da Rand Corporation, os pesquisadores Bruno Biais, da Universidade de Toulouse, e Enrico Perrotti, da Universidade de Amsterdã, afirmam que, para o teste de um negócio inédito dar certo, é preciso analisar “o tamanho do mercado, a viabilidade técnica, a demanda de clientes, o ambiente regulatório e os direitos de propriedade”. Segundo os autores, falhar em qualquer um desses pilares pode comprometer o projeto por inteiro.

9. PRATIQUE O AUTOCONHECIMENTO
Para que os passos anteriores funcionem, é preciso saber lidar com eventuais frustrações no caminho. No livro O Empresário Criativo, os autores Roger Evans e Peter Russell sugerem que o insucesso é um momento que demanda confiança em si mesmo. “Tornar-se um administrador criativo não é apenas uma questão de praticar novas técnicas e metodologias, mas de tornar-se mais consciente dos próprios processos interiores”, dizem. Além de ser persistente, o empreendedor que almeja a criatividade deve manter o humor em alta. Para Dana Tomasino, pesquisadora do Instituto HeartMath, da Califórnia, o comportamento positivo promove maior fluidez das ideias, enquanto os pensamentos negativos restringem a capacidade de estabelecer conexões inéditas. “É preciso, sempre, conspirar a favor do click!”

*Colaboraram Katia Simões e Wilson Gotardello Filho

As principais fontes de criatividade

ASSOCIAÇÃO >>> Quanto maior a exposição a diferentes fontes de conhecimento, maior a probabilidade de fazer intersecções criativas

PROBLEMA >>> Quebrar a cabeça tentando resolver uma questão exercita o raciocínio e a intuição

EXPERIÊNCIA >>> Quanto maior o repertório de alguém em um tema, maiores as chances de aperfeiçoar processos e inovar

VIAGEM >>> Entrar em contato com outras culturas, outros modos de pensar e enxergar o mundo é um dos mais poderosos elixires da inventividade

NECESSIDADE >>> A insatisfação é uma das melhores amigas das novas ideias

DEMANDA >>> Tem sucesso quem consegue atender, com agilidade, aos anseios dos consumidores

GOÓC
DEMANDA >>> O vietnamita Thai Quang Nghia, 51 anos, chegou ao Brasil, em 1979, como refugiado. Mas nunca se esqueceu das sandálias feitas de pneu que calçava quando serviu ao exército do seu país natal como voluntário, aos 17 anos. Em 2002, voltou ao Vietnã como turista e trouxe os tradicionais calçados militares para dar de presente aos parentes. “Todo mundo gostou”, diz ele. Essa aceitação o inspirou a planejar a produção do modelo no Brasil. No ano passado, a Goóc faturou R$ 25 milhões e, neste, a previsão é chegar aos R$ 30 milhões.

RELÓGIO DE PULSO
DEMANDA >>> No início do século 20, o brasileiro Santos Dumont assombrou Paris. Com a fama das proezas aéreas, seu apartamento na Champs Elysées passou a ser frequentado por nobres e empresários, como o joalheiro Louis Cartier. Em 1903, o aviador desafiou o amigo a criar uma solução para um problema específico. O piloto precisava controlar o tempo de seus voos, mas consultar o mostrador de bolso era muito perigoso. Cartier entregou a solução no ano seguinte: o relógio de pulso. O primeiro modelo recebeu o nome de Santos. Apenas em 1911 a joalheria passou a vender a inovação, que caiu no gosto da elite da época. Cem anos mais tarde, as peças da marca chegam a custar R$ 100 mil. A empresa pertence hoje ao grupo Richemont, que faturou US$ 6,7 bilhões no ano passado.

FAST-FOOD
NECESSIDADE >>> O restaurante dos irmãos Richard e Maurice McDonald em San Bernardino, na Califórnia, foi um sucesso quando inaugurado, em 1940. Após oito anos, no entanto, nada era mais novidade. Os empreendedores fecharam a casa para repensar os conceitos. Os números mostravam que o dinheiro vinha mesmo dos hambúrgueres. Então pensaram em uma forma de rentabilizar o negócio: em lugar de um cardápio com 25 opções, teriam só hambúrguer, milk-shake e batatas fritas. Como a ideia era vender o maior número possível de unidades, a fabricação tinha de ser rápida, e o atendimento, prático. Os McDonalds inventaram então uma linha de montagem para os sanduíches. Os 20 carhops, atendentes com patins que levavam os pedidos aos motoristas, foram cortados. No novo McDonald, os clientes faziam os pedidos direto no balcão. Para tornar mais ágil a cozinha e eliminar a etapa de lavagem, havia apenas talheres, copos e pratos descartáveis. A reforma durou meses. Quando o endereço reabriu, começou a era do fast-food.

GPS AUTOMOTIVO
VIAGEM >>> Em 1995, Alexandre Derani, hoje com 42 anos, decidiu apostar no geoprocessamento, uma tecnologia baseada nas localizações fornecidas por satélites. Nascia a Digibase, uma desenvolvedora de mapas digitais. Dois anos mais tarde, em uma viagem à Flórida, nos Estados Unidos, Derani conheceu uma nova aplicação do sistema: o navegador automotivo. “Era um aparelho grande, pesado e com funcionamento irregular. Mas soube na hora que seria o futuro”, afirma. Voltou ao Brasil decidido a reinvestir todo o lucro da empresa nessa vertente. A recompensa veio apenas em 2002. Para estrear o sistema de GPS automotivo no Brasil, criou, em conjunto com o portal MapLink, uma nova empresa, a Movix, que hoje domina o mercado.

MARIA BRIGADEIRO
DEMANDA >>> Acostumada a fazer brigadeiros desde os 8 anos, a paulistana Juliana Motter ganhou o apelido de Maria Brigadeiro de tanto levar as pequenas bolinhas de chocolate para as festas da família. Já adulta, cursou jornalismo e, alguns anos mais tarde, gastronomia. Durante uma aula de confeitaria, teve a ideia que mudaria os rumos de sua carreira: criar uma versão chique da iguaria popular. “Pensei: por que o brigadeiro tem de ser só um doce de festas infantis?” Em pouco tempo, a jovem criou receitas com blends de manteigas francesas, chocolates importados com 65% a 85% de cacau, avelãs e pistache. Em 2008, Juliana ainda trabalhava como jornalista, quando recebeu um pedido para montar uma mesa de brigadeiros em um evento cultural. “Fiz mil unidades de cinco tipos em uma noite”, lembra. Após o coquetel, não parou mais de receber encomendas. Resolveu montar seu ateliê culinário, batizado de Maria Brigadeiro. Em dois anos, a doceira já criou mais de 40 variações. Hoje, aos 33 anos, Juliana fatura cerca de R$ 3 milhões por ano.

FILMES PELA INTERNET
PROBLEMA >>> Ao alugar uma fita de vídeo VHS do filme Apolo 13, em agosto de 1997, Reed Hastings queria apenas curtir um fim de semana despreocupado. Só que o engenheiro de Los Gatos, na Califórnia, esqueceu-se de devolver a cópia. Passaram-se seis semanas e a dívida acumulada era de US$ 40. Quando descobriu o atraso, não teve coragem de contar o que tinha acontecido à esposa. Durante uma caminhada, Hastings percebeu que muita gente passava pelo mesmo problema. Então, inventou um jeito de as pessoas não terem prazo de devolução nem multa. Na locadora virtual NetFlix, criada em 1998, os usuários pagam uma assinatura mensal, recebem os títulos em casa e podem ficar o tempo que quiserem com as cópias, mas só podem pegar outros DVDs depois de devolver aqueles em seu poder. Em 2009, a NetFlix faturou US$ 1,7 bilhão.

STARBUCKS
VIAGEM >>> Em 1982, Howard Schultz era apenas um empregado na área de marketing da torrefadora de cafés Starbucks, quando, em uma viagem à Itália, conheceu a cultura do espresso. De volta a Seattle (nos EUA), Schultz propôs aos patrões implantar um modelo similar, mas sentiu que sua ideia não foi acolhida com entusiasmo. Resolveu, então, abrir sua própria cafeteria, a Il Giornale, com a receita que o havia deslumbrado lá fora: atendimento personalizado e ambiente acolhedor, onde as pessoas pudessem relaxar e saborear bebidas baseadas no espresso. Em 1987, seus antigos chefes ofereceram as lojas da rede. Schultz fechou o negócio por US$ 3,8 milhões e juntou todas as unidades sob o nome de Starbucks. Hoje, as 15 mil cafeterias da marca faturam, em conjunto, US$ 9 bilhões por ano.

ACADEMIA DE GINÁSTICA
NECESSIDADE >>> Aficionado por esportes, Mário Sérgio Luz Moreira, aos 17 anos, tinha dificuldade de cumprir uma rotina que incluía praticar até quatro atividades em um mesmo dia. “Eu saía do clube e tinha de correr para a aula de natação, depois o jiu-jítsu, o tênis e assim por diante”, diz. Cada modalidade era feita em um endereço diferente. A rotina de ir e vir acabou por instigar o seu lado empreendedor: imaginou um lugar que reunisse de tudo um pouco. Em 1983, aos 20 anos, com US$ 100 mil emprestados de seu pai, entrou como sócio em uma academia de tênis nos Jardins, em São Paulo. Aproveitou os 3 mil m² do local para acrescentar sala de ginástica, espaço para aulas, piscina e uma loja de produtos esportivos. Nascia a Runner, que hoje conta com 20 unidades, 30 mil alunos e um faturamento de R$ 60 milhões por ano.

SPAGHETTI DE PISCINA
ASSOCIAÇÃO >>> Para pagar o curso de mestrado na França, em 1993, o paulista Adriano Sabino, 45 anos, foi trabalhar com manutenção de barcos. Uma de suas tarefas era fazer a pintura externa do barco do estilista Hubert Givenchy. Para facilitar, improvisou uma placa de espuma de polietileno como jangada. Leve e resistente, o material mantinha-o na superfície. Foi quando teve a ideia de criar um produto de entretenimento aquático que, mais tarde, viraria febre no Brasil e até no exterior: o spaghetti de piscina. Patenteou o produto, que deu origem a um negócio milionário.

SUPERBAC
EXPERIÊNCIA >>> O estudante de administração Luiz Chacon trabalhava na empresa do pai, um laboratório destinado à produção de biossoluções para o desentupimento de petróleo. Como não era biólogo, quis saber por que o produto tinha apenas um tipo de aplicação. “Descobri que poderia usar o blend também na indústria de chocolate para desobstruir canos fechados devido à gordura do cacau”, afirma. Foi assim que, em 1995, aos 20 anos, criou a Superbac, que faz limpeza à base de micro-organismos. Hoje, o paulistano de 35 anos comanda um grupo com faturamento anual de R$ 35 milhões.

CROCS
DEMANDA >>> Em 2001, em um fim de semana no mar, os amigos velejadores americanos Lyndon Hanson, Scott Seamans e George Boedecker imaginaram como seria mais fácil navegar com um sapato próprio para barcos. Após pesquisar, Seamans descobriu um composto, o Crosslite, perfeito para o produto que tinham em mente, um modelo confortável, leve, antiderrapante e que não marcasse o convés. No ano seguinte, apresentaram sua criação na feira náutica de Fort Lauderdale. Foi um sucesso. Adotado por celebridades, o Crocs tornou-se item da moda instantaneamente. Em 2009, a Crocs faturou US$ 645 milhões.

WRAPS
VIAGEM >>> Marcelo Ferraz, 42 anos, trabalhava como vice-presidente de um grupo de comunicação quando passou a alimentar a ideia de empreender. Os sanduíches enrolados em pão folha, os wraps, que havia conhecido nos Estados Unidos, pareciam ser uma alternativa interessante de comida saudável. “Os americanos fazem esses sanduíches com ingredientes de lanches naturais. Pensei primeiro em reproduzir essa fórmula. Fiz algumas degustações em casa e foi um fracasso.” Mesmo com a pouca aceitação, Ferraz acreditou no formato. Chamou então uma amiga, chef de cozinha, para criar receitas com ingredientes mais saborosos. O grupo faturou R$ 20 milhões em 2009 e deve chegar a R$ 24 milhões neste ano.

LACRE DE PLÁSTICO
ASSOCIAÇÃO >>> Em uma de suas andanças por ferros-velhos, onde procurava peças para seus inventos, o engenheiro mecânico Eduardo de Lima Castro Netto topou com lacres de chumbo jogados em um canto. Como trabalhava com metalurgia, ficou preocupado com a toxicidade do material. Assim teve a ideia de eliminar o metal daquele dispositivo de segurança. Após dois anos de pesquisa, lançou, em 1967, o primeiro lacre de plástico do mundo. “Meu pai era tido na família como um professor Pardal. Na época ele recusou um ótimo emprego na Coca-Cola para se aventurar no seu primeiro negócio”, conta André de Lima Castro, 46 anos, filho do inventor, falecido, e atual diretor-presidente da ELC, empresa criada por Netto para fabricar o dispositivo. Hoje o grupo reúne 350 funcionários e fatura R$ 40 milhões por ano.

LIVRARIA CULTURA
EXPERIÊNCIA >>> Dona de uma rede com nove unidades, um faturamento anual de R$ 274 milhões e um acervo com mais de 3 milhões de livros, a Livraria Cultura, aos 63 anos, só adquiriu essa maioridade quando mudou seu conceito. Foi em 1997, ao inaugurar uma unidade de 600 m2 no Conjunto Nacional, em São Paulo. “Sempre imaginei que nossas lojas pudessem se tornar um centro de entretenimento”, afirma Pedro Herz, diretor-presidente e filho da fundadora, Eva Herz. A Cultura criou espaço para debates, café e áreas de convivência.

GOOGLE
NECESSIDADE >>> A história da sacada de US$ 114 bilhões começa em 1996. Alunos de pós-graduação da Universidade de Stanford, Larry Page e Sergey Brin constantemente se frustravam com as buscas na internet. Quanto mais informação havia, mais difícil se tornava encontrar o que era relevante. Começaram então um projeto de doutorado para elaborar uma solução. Na procura por referências para a tese, surgiu o insight: no meio acadêmico, os trabalhos de maior valor mereciam mais citações de outros. Page e Brin perceberam que poderiam implantar esse critério meritocrático no sistema de buscas. Quanto mais ligações uma página conseguia, mais importante deveria ser. A Google Inc. foi criada em 1998 e hoje é a empresa de tecnologia de maior valor de mercado do mundo, à frente da Apple e da Microsoft.

BUFÊ DE SORVETE
PROBLEMA >>> Para driblar a sazonalidade, Valmir Agliardi, 59 anos, dono da Gelfs Sorvetes, decidiu instalar um bufê de cachorro-quente na porta da sorveteria da família, em Capão da Canoa (RS). “O movimento aumentou, mas as pessoas começaram a reclamar do cheiro forte de molho e salsicha”, lembra Agliardi. “O jeito foi suspender os sanduíches.” Sem ter como se desfazer das instalações, o empresário decidiu, então, espalhar os sorvetes de massa pelas cubas de inox. O cliente podia escolher só duas bolas de sorvete. Para facilitar o atendimento, foi aberta uma nova unidade, onde o cliente pegava o sorvete, pesava o copinho e pagava no final. “Foi um sucesso.”

EMBALAGEM LONGA VIDA
ASSOCIAÇÃO >>> Aos 25 anos, o economista sueco Ruben Rausing embarcou para os Estados Unidos para um curso de pós-graduação na Universidade de Colúmbia. Ao visitar lojas de conveniência e supermercados, Rausing percebeu que o autosserviço se expandia rapidamente e vislumbrou uma demanda futura por embalagens que, de algum modo, protegessem itens perecíveis. Foram mais de 20 anos de pesquisa até conseguir lançar sua embalagem revolucionária, em 1951, na Suécia: uma caixinha na forma de um tetraedro, que protegia o leite de qualquer tipo de contaminação com um sistema de seis camadas de materiais combinados. Com 21 mil funcionários, o conglomerado Tetrapak faturou US$ 11 bilhões em 2009 e distribuiu 145 bilhões de embalagens longa vida em 170 países.

LAVANDERIA
EXPERIÊNCIA >>> A lavagem a seco era dominada por pequenas e numerosas lojas na França de 1968. Empresário do setor, Roger Chavanon percebeu que o modelo era limitado. Com preços altos, o volume tendia a ser menor e as empresas mantinham-se dependentes dos mais ricos. Abriu, então, em Marselha, a primeira 5àSec. Como o nome indicava, havia apenas cinco pacotes fixos, o que possibilitava manter valores abaixo do mercado. A fórmula tornou o serviço mais acessível. A rede atende hoje 120 mil pessoas por dia, nas 1.750 unidades em 70 países. A 5àSec faturou US$ 323 milhões em 2009.

CASA PRÉ-MOLDADA
VIAGEM >>> Erguer uma residência de dois quartos com 40 m² em duas horas? Essa é a tecnologia desenvolvida pela Sudeste Construções em 2009. A estrutura, de concreto, sai pronta da fábrica em Americana, no interior de São Paulo. Depois é só encaixar as peças. Como não há desperdício de material, o custo da obra chega a cair 20% em comparação ao método tradicional. A ideia veio de uma viagem do engenheiro civil Fábio Casagrande, 33 anos, à Alemanha, em 2007. Em uma feira de construção, ele viu um sistema em que a família montava a própria casa. Pesquisou o método e adaptou-o ao Brasil.

YOUTUBE
NECESSIDADE >>> Um jantar tornou milionários três amigos. Em 2004, Steve Chen promoveu um evento em seu apartamento e chamou seus colegas na companhia PayPal. Ao final, reuniu-se com Chad Hurley e Jawed Karim para partilhar as gravações do encontro com outros convidados. As dificuldades técnicas eram gigantes. Havia uma lacuna de mercado a explorar. Pensaram na versão broadcast do HotorNot, um site em que os usuários publicam suas fotos e a comunidade dá notas e comenta as imagens. Em fevereiro de 2005, lançaram o Youtube, comprado pelo Google por US$ 1,65 bilhão.

LAVAGEM DE CARRO A SECO
NECESSIDADE >>> O publicitário Lito Rodriguez, 42 anos, iniciou sua trajetória de empreendedor com um tradicional lava- rápido em 1994. “Então percebi que para expandir o negócio precisaria estar onde estavam os carros, como os estacionamentos de shopping”, diz. Mas havia limitações. O serviço não poderia gerar esgoto e seria difícil conseguir torneiras. Ao colocar essas condições no papel, Rodriguez teve uma ideia radical: por que não fazer a limpeza sem água? “Fui falar com clientes, fornecedores, químicos, alquimistas, inventores, amigos. Um professor universitário me disse que era mais fácil abrir uma padaria na lua que um lava-carros a seco”, lembra. Em seis meses, Rodriguez desenvolveu uma tecnologia de lavagem a seco de automóveis, patenteada em seu nome. “Eu fui o investigador. Corri atrás, mas teve uma série de pessoas envolvidas no processo”, conta. Em 1998, a marca DryWash passou a ser franqueada e, hoje, há mais de 60 operações no Brasil.

ESTANTE VIRTUAL
PROBLEMA >>> O administrador André Garcia, 32 anos, preparava-se para um mestrado em psicologia social. Para passar na prova de admissão, precisou ler uma bibliografia de mais de cem livros em seis meses. Como não conseguiu encontrar todos os títulos em bibliotecas foi a um sebo, mas, ainda assim, faltaram obras. Pesquisas na internet também não solucionaram o problema. Frustrado, Garcia percebeu que se todas as lojas de livros usados estivessem conectadas, sua busca talvez estivesse resolvida em segundos. “É pouco produtivo cada empresa ter sua própria página. Pensei que todo mundo sairia ganhando se houvesse um portal que reunisse os acervos de sebos no mesmo endereço.” Resolveu estudar programação por conta própria e, em 20 de outubro de 2005, colocou no ar o Estante Virtual, que reuniu inicialmente 12 sebos. No ano passado, o site alcançou vendas de R$ 28 milhões. Este ano, com cerca de 1.700 sebos cadastrados, deve chegar a R$ 36 milhões.

RODÍZIO DE CARNES
PROBLEMA >>> No início dos anos 1960, o gaúcho Albino Ongaratto abriu uma churrascaria, a 477, à beira da BR-116, nos arredores de Jacupiranga, em São Paulo. O negócio seguia como o planejado até que na festa de Bom Jesus de Iguape de 1963, ocorrida na cidade vizinha, filas de romeiros formaram-se à porta do restaurante. Com a demanda bem acima da capacidade, os espetos começaram a ser trocados. Para acalmar a chiadeira, Ongaratto decidiu enviar os cortes de carne que saíam da churrasqueira a todas as mesas. Além de resolver o problema, acabou criando um novo modelo de negócios, o rodízio.

BUSCAPÉ
NECESSIDADE >>> Em 1998, pesquisar preços significava uma maratona de ligações, visitas em lojas e, para os mais antenados, uma reserva de paciência para abrir várias páginas na internet, tarefa que poderia significar um par de horas em conexão de linha discada. Três estudantes de engenharia de computação na Escola Politécnica da USP, Romero Rodrigues, 33 anos, Rodrigo Borges, 35 anos, e Ronaldo Takahashi, 35 anos, com Mario Letelier, 34 anos, estudante de administração, queriam empreender. A ideia era vender equipamentos e serviços ainda pouco explorados no mercado on-line. Mas a dificuldade em conseguir informações inspirou-os a investir em outro projeto: um sistema de comparação de preços. Todo o esforço no processo de compra virtual poderia ser poupado com a nova ferramenta. Reuniram-se assim em uma sala pequena, compraram três computadores pessoais e criaram o site Buscapé.

DELIVERY DE PIZZA
ASSOCIAÇÃO >>> Quando Tom Monaghan entrou na Universidade de Michigan, em 1959, queria ser arquiteto. Mas farejou uma oportunidade de negócios: os dormitórios da instituição fervilhavam de jovens famintos. Juntou-se a seu irmão James e comprou, com US$ 500, uma pequena pizzaria, a Dominick’s, depois rebatizada Domino’s Pizza. A ideia era oferecer comida em domicílio aos colegas. Para ganhar velocidade na entrega, Monaghan criou um sistema de linha de produção no qual a pizza ficava pronta em minutos. As caixas foram desenhadas para ser empilhadas. A rede faturou US$ 1,4 bilhão em 2009.

ALUGUEL DE CARROS
DEMANDA >>> Ao ser lançado em 1908, o Ford T causou uma revolução na indústria automobilística. Barato, simples de dirigir e fácil de ser consertado, o modelo conquistou a América. Em 1916, o Ford T respondia por quase metade dos carros nos Estados Unidos. Apesar de acessível, um automóvel ainda significava status. Em Nebraska, naquele ano, a visita de um amigo mudaria a vida do comerciante Joe Saunders para sempre. Para impressionar uma garota, o visitante lhe propôs pagar para usar seu veículo por um dia. Saunders percebeu que havia uma demanda por aluguel de carros e criou uma rede que chegou a ter lojas em 21 estados. A empresa, no entanto, fecharia as portas com a Grande Depressão. O empreendedor voltaria ao negócio em 1947, como um dos fundadores da National Car Rental.

HOTMAIL
NECESSIDADE >>> Jack Smith e Sabeer Bhatia eram funcionários de uma empresa do Vale do Silício e não conseguiam trocar e-mails no trabalho sobre projetos pessoais, devido a um firewall que bloqueava o acesso a suas contas particulares. Então tiveram a ideia de usar o browser. Por essa ferramenta, seria possível acessar qualquer conta de qualquer lugar. Criaram em 1996 o primeiro serviço de webmail, o Hotmail, pioneiro também em oferecer e-mail gratuito. Um ano mais tarde, venderam a marca para a Microsoft por US$ 400 milhões.

DERMAGE
EXPERIÊNCIA >>> Farmacêutica bioquímica de formação, Lisabeth Braun, 52 anos, percebeu que muitas das fórmulas encaminhadas pelos dermatologistas para serem aviadas em sua farmácia de manipulação, no Rio de Janeiro, eram bem parecidas. Se os médicos usavam sempre os mesmos ativos, reproduzir as composições em escala industrial poderia ser uma boa estratégia. Para ter certeza de que a ideia era viável, Lisabeth viajou para a Europa a fim de conhecer melhor o mercado. De volta, pediu empréstimo bancário, juntou as economias, procurou profissionais especializados e montou, em 1993, a primeira fábrica de dermocosméticos do país. Hoje, são 90 produtos em linha, 100 mil unidades fabricadas por mês, distribuídos em 35 lojas próprias e 80 pontos de venda. O faturamento estimado para 2010 é de R$ 43 milhões – apenas 20% desse valor origina-se da manipulação. “Sou muito atenta ao que acontece ao meu redor e talvez esteja aí o segredo de enxergar tantas oportunidades e ter tantas ideias”, afirma.

AMAZON
DEMANDA >>> Acostumado a extensas análises de mercado, o consultor financeiro Jeff Bezos logo percebeu a mina de ouro digital que teria em mãos quando se debruçou sobre estudos de hábitos de compras dos americanos pelo correio. O grande problema do sistema eram os catálogos. Tinham limitações de tamanho e isso reduzia o público, porque restringia os interesses. Mas na internet, enxergou, não haveria limite para as ofertas. Além disso, as consultas poderiam ser feitas 24 horas, em qualquer dia da semana. A Amazon estreou em julho de 1995 com uma relação de títulos quatro vezes maior que qualquer listagem física poderia alcançar. O projeto previa um período de cinco anos sem lucro até a empresa atingir o equilíbrio operacional. De fato, apenas em 2001 a Amazon passou a operar no azul. Em 2009, o faturamento foi de US$ 24,5 bilhões.

FITA ELÉTRICA
PROBLEMA >>> Quebrar ou não a parede foi o dilema que levou o administrador John Davies, 52 anos, a abrir sua própria empresa. Em 2002, logo após mudar-se com a família para uma casa em Valinhos, no interior de São Paulo, precisou instalar uma arandela. Como a pintura era nova, ele relutou em embutir os fios. Mas também não queria deixar a instalação aparente. “Concluí que, se eu tivesse um condutor achatado, poderia pintar por cima e esconder tudo”, diz. Davies achou na garagem uma folha de cobre usada em artesanato, cortou algumas tiras e aplicou um adesivo. Criou assim o protótipo da eletrofita. Passou a pesquisar materiais e normas técnicas. Depois de sete anos de desenvolvimento, lançou no mercado seu produto. Em 2009, a Eletrofita faturou cerca de R$ 1,2 milhão.

SPOLETO
VIAGEM >>> Eduardo Ourivio, 43 anos, e Mário Chady, 44 anos, eram proprietários da rede de cafés Guilhermina e procuravam uma fórmula ao mesmo tempo criativa e simples para abrir um sistema de franquias. Em 1995, Ourivio, que havia trabalhado como chef de cozinha antes de se tornar empresário, viajou a Miami. Lá conheceu um pasta-bar, gerenciado por um colega. Resumia-se a um fogareiro, três tipos de massas e dois tipos de molho. O cliente escolhia os ingredientes e os pratos eram feitos na hora. De imediato, Ourivio ligou para Chady e, na conversa, começaram a desenvolver o conceito de cozinha show. Fundaram o Spoleto em 1999. Atualmente, a rede reúne 260 lojas, obteve um faturamento de R$ 290 milhões em 2009 e estima um crescimento de 12% neste ano.

PROTEÇÃO DE VASO SANITÁRIO
ASSOCIAÇÃO >>> Dono de uma bem-sucedida empresa de suprimentos para máquinas de fax, Jerry Wagenhein foi visitar uma feira comercial na cidade de Chicago, nos Estados Unidos, em 1990. Ao ver um revestimento higiênico para vasos sanitários, teve um insight: criar um sistema automático para troca daquele tipo de proteção. Conversou com seu sócio, Charles Stone, e juntos lançaram o Sani Seat, um assento com uma capa de plástico estéril que é substituída por um conjunto motorizado, sem uso das mãos. A solução, presente em 5 mil banheiros dos EUA, ganhou o mundo.

CASA DO CONSTRUTOR
NECESSIDADE >>> Quando estavam à frente de pequenas construtoras em Rio Claro, no interior de São Paulo, os engenheiros Expedito Arena, 55 anos, e Altino Christofoletti, 50 anos, encontravam dificuldades para locar equipamentos, entre eles, betoneiras. “Fomos obrigados a comprar tudo e gastar muito dinheiro”, afirma Arena. Com as máquinas paradas, o caminho para recuperar o investimento foi oferecer a locação. “Para chamar a atenção de empreiteiros e pedreiros, anunciamos em um programa popular de rádio. O retorno foi surpreendente”, diz Arena. “Investimos US$ 8 mil na compra de mais betoneiras, andaimes e ferramentas elétricas, muitos deles importados.” Em 1996, os sócios começaram a formatar a franquia. A Casa do Construtor é a única rede do setor, com 70 lojas e um faturamento previsto para 2010 de R$ 45 milhões.

PURIFICADORES EUROPA
EXPERIÊNCIA >>> Vender filtros era um negócio promissor para o engenheiro Antônio Carlos Camargo nos anos 1980. Os produtos de sua empresa, velas de cerâmica e modelos de instalar em torneira, eram baratos e eficientes se comparados às talhas de barro. O microempresário apostava seu sucesso no custo-benefício. Em 1982, no entanto, tudo mudou. Durante uma apresentação comercial, ouviu o cliente dizer: “O preço é baixo para ter água potável à vontade”. Naquele instante, Camargo, 58 anos, se deu conta de que os consumidores compravam mesmo era saúde. E vislumbrou um mercado para uma água ainda mais pura, mesmo que isso significasse um equipamento de valor elevado. Gastou um ano e meio em pesquisas para criar um aparelho, batizado de purificador, que não apenas filtrava partículas, mas removia cloro e metais pesados, além de descontaminar a água. Em 1984, juntou-se ao administrador Dácio Múcio de Souza para fundar a Brasfilter, dona da marca Europa, que hoje vende 5 milhões de purificadores por ano.

EBAY
ASSOCIAÇÃO >>> Muitas empresas começam com um hobby. O maior shopping eletrônico e site de leilões do mundo é um desses casos. Duas vezes. Em 1995, o consultor de tecnologia Pierre Omydiar ouviu sua noiva, Pamela, dizer que sua coleção de porta-balas Pez poderia melhorar muito se ela conseguisse uma maneira de contatar outros aficionados. O comentário o inspirou a bolar um sistema no qual as pessoas pudessem vender e comprar itens pessoais pela internet. Na mente do especialista, o ambiente virtual seria um hobby que ocuparia suas horas vagas. Naquele ano, lançou o portal Auction Web, por meio do qual os usuários podiam leiloar seus pertences. A ideia se mostrou lucrativa e logo se tornou uma empresa. Após 15 anos, o lazer de Omydiar se transformou no eBay, uma marca de US$ 8,7 bilhões de faturamento anual.

SKYPE
PROBLEMA >>> O programa de comunicação por voz e vídeo mais famoso da internet surgiu como uma maneira de seus criadores evitarem polêmicas. Desenvolvedores da ferramenta de partilhamento de arquivos Kazaa, o sueco Niklas Zennström e o dinamarquês Janus Friis enfrentaram acusações de quebra de direitos autorais desde o lançamento do software em 2001 até sua venda para a empresa Sharman Networks dois anos mais tarde. A dupla decidiu então desenvolver um produto em que as trocas não envolvessem conteúdos protegidos. Em 2003, concluíram que o negócio era dar voz aos usuários. Criaram assim o Skype, uma plataforma que permite usar a internet para fazer ligações telefônicas sem pagar nada e que faturou US$ 650 milhões em 2009.

COCA-COLA
ASSOCIAÇÃO >>> Baseado no sucesso de um tônico alcoólico à base de folhas de coca, conhecido como Vin Mariani, o farmacêutico John Pemberton lançou em 1884, em Atlanta, um produto similar. Dois anos mais tarde, uma legislação proibiu o consumo de álcool na cidade e fez o empreendedor começar a pensar em um novo tipo de bebida. Ao ver o movimento de uma lanchonete onde se vendia soda misturada a vários tipos de xaropes, ele teve a ideia de criar uma versão gaseificada, mais doce e não alcoólica de seu antigo produto. Passou meses testando combinações até inventar, finalmente, a lendária fórmula secreta da Coca-Cola. A marca, estimada em US$ 67,8 bilhões pela BrandZ, é a quinta mais valiosa do mundo.

FLORES PELA INTERNET
ASSOCIAÇÃO >>> Ao acompanhar a mãe ao cabeleireiro, em 1994, Carlos Eduardo Coelho Ferreira, 43 anos, viu uma estrangeira receber no salão um buquê enviado pelo filho do outro lado do mundo. Curioso, descobriu uma rede internacional de floriculturas que se conectava por telégrafo. Imaginou então que poderia reproduzir o negócio por meio de uma central telefônica. Estava prestes a inaugurar um serviço de televendas quando um amigo o convidou para conhecer um dos primeiros provedores do país. Ali estava o futuro de seu negócio. Investiu cerca de US$ 10 mil para montar o site. A rede hoje alcança 70 países e reúne mais de 6 mil floriculturas.

VENDA DE EXPERIÊNCIAS
VIAGEM >>> Quando morava na Austrália, no início dos anos 2000, Jorge Nahas ganhou um presente diferente: poderia selecionar uma experiência entre mais de uma dezena de opções. Sua escolha foi um batismo de mergulho na maior barreira de corais do mundo. “Achei o máximo”, diz Nahas, hoje com 30 anos. A ideia, difundida na Europa e na Austrália, serviu de inspiração para ele abrir, em 2005, em São Paulo, a empresa O Melhor da Vida, especializada em experiências como presente. “Fomos pioneiros no país”, afirma. No início eram cerca de 300 opções, hoje são 2.650, de jantar romântico a voo de balão, oferecidas em parceria com 895 fornecedores. A empresa, que espera faturar R$ 6,5 milhões em 2010, vende uma média de 200 mil caixas color box por ano.

VENDING MACHINE
PROBLEMA >>> O reformista, escritor e jornalista inglês Richard Carlile foi preso em 1819 por denunciar o episódio conhecido hoje como massacre de Peterloo, ocorrido meses antes. Durante o cárcere, Carlile imaginou uma maneira de continuar a distribuir obras consideradas subversivas sem que o governo pudesse culpá-lo. Após ser libertado, construiu a primeira máquina para venda de livros em 1822. Eram apenas seis volumes disponíveis por vez. Para conseguir um exemplar, bastava o interessado girar uma espécie de dial, escolher o título, colocar uma moeda e pegar a publicação.

 

Você já definiu a sua idéia de negócio?
Você encontrará suas respostas na Etapa 1.
Site: http://www.sebrae-sc.com.br/negociocerto
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