ESPIRITUALIDADE NAS ORGANIZAÇÕES – Parte I – O início de um novo paradigma

Artigo escrito por João Paulo Bittencourt, MSc.

Qual o propósito de nossas vidas? O que conduz de verdade o mundo? Podemos confiar em alguém atualmente?

Se temos todas as prontas respostas, porque então há acúmulos de resultados que não são necessariamente acompanhados de bem-estar? Porque nossas estruturas são tão frágeis? Porque o homem moderno, mesmo sendo tão inteligente, acumula zeros à sua esquerda durante toda uma vida?

“O que conduz o mundo é o…

…espírito e não a inteligência” diria Antoine De Saint Exupery. Mas o que de fato significa o espírito? O que é de fato espiritualidade, a respeito da qual começa-se a falar – ainda de forma desconfiada nas organizações de mercado?

A palavra espírito está relacionada ao ‘respirar’ ou ao ‘sopro’, e tem sua raiz etimológica advinda do latim ”spiritus“. Trata-se de uma qualidade de todo ser que vive, homem, animais e plantas. Mas não só! Leonardo Boff ressalta que a Terra e todo o universo são vivenciados como portadores de espírito, porque deles vem a vida e são eles que fornecem todos os elementos para ela. Penso também que as organizações são – ou poderiam ser – fontes dessa vida ou mesmo do desenvolvimento dela.

Espiritualidade é a atitude que coloca a vida no centro, que defende e promove a vida contra todos os mecanismos de diminuição, de estancamento e de morte. Alimentá-la significa estar aberto a tudo que tem e prioriza a vida, captar a realidade além de sua factividade opaca e, por vezes brutal, percebendo e compreendendo valores, evocações e símbolos de uma dimensão mais profunda.

Ainda segundo o mestre Leonardo Boff, a espiritualidade parte não do poder, nem da acumulação, nem do interesse, nem da razão instrumental. Trabalha com lógicas diferenciadas, que em uma sociedade dominada pelo pensamento de mercado, sequer chegam a ser consideradas ‘lógicas’. Ela baseia-se na ontologia e exalta o SER, despindo-se de muitas crenças que imitam a centelha divina do homem.

E quem é o homem espiritual? Trata-se de alguém que se isolou do mundo e vive em uma caverna? É possível ser espiritual vivendo em uma sociedade de mercado?

As respostas a essas e outras questões são contundentemente simples. O homem espiritual é todo aquele que busca aproximar-se de sua essência, que tem em sua missão agregar, contribuir, fortalecer e reforçar o sentido da vida. O homem espiritual não vive em uma caverna (embora talvez carregue a caverna em si mesmo), ele interage com a comunidade, vive em organizações e trabalha em uma empresa.

Trabalhar???

Sim!!! É possível ser espiritual e viver em uma sociedade de mercado. Na verdade, o grande mérito de um homem como Mohandas Gandhi (que não era necessariamente um grande líder espiritual ou um grande político) foi sê-lo ao mesmo tempo, quando todos achavam que essa junção era impossível. Ele trouxe a espiritualidade a uma questão outrora impossível de ser resolvida senão à força. Defendeu a verdade e a não-violência em um contexto em que só mentiras, difamações e armas pareciam fazer sentido.

Quantas vezes as situações o levam a mentira durante uma semana normal de trabalho? Quando você é você mesmo e quando interpreta papéis? Quanto você manipula e é manipulado? ‘Ah, o que faço é porque preciso’; ‘Todos buscam seu próprio interesse’; ‘No frigir dos ovos, eu defendo o meu’. Isso soa familiar a você que faz parte de uma empresa? Talvez faça sentido mesmo que não estejamos em empresa alguma, porque a sociedade atual (em diversas esferas) pensa como um grande mercado. A lógica supervalorizada do TER nos limita e nos afasta gradativamente de nossa essência.

Assim, resta ao homem longe de seus princípios e essências, longe do in between aristotélico, o desequilíbrio nas dimensões da vida, tais como: bebidas, drogas, prostituição, atos ilícitos, corrupção e toda sorte de patologias advindas do afastamento do homem de seu próprio espírito.

E o que fazer para ligar novamente o homem ao seu espírito? Como ser espiritual atuando nas organizações? Como recuperar a centelha divina que se perde a cada dia quando profanamos a vida, nas mais diversificadas maneiras?

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