34% dos aprovados no ITA são estudantes de escolas do Ceará

30/12/2011 18h48 – Atualizado em 30/12/2011 18h48

Motivação veio da família e da afinidade com as exatas, dizem aprovados.
Samuel passou de primeira; Adriana conseguiu também aprovação no IME.

Elias Bruno e Diana Vasconcelos Do G1 CE

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Com apenas 17 anos, Samuel conseguiu ser aprovado na primeira tentativa  (Foto: Samuel Wolf/ Arquivo Pessoal)Após ser reprovado no exame da Epcar, Samuel,17,
conseguiu aprovação no ITA na primeira tentativa
(Foto: Samuel Wolf/Arquivo Pessoal)

Alunos de escolas de Fortaleza conseguiram 41 das 120 vagas ofertadas no vestibular do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), conquistando 34% das aprovações. “O que mais me motivou foi a minha paixão pelas ciências exatas e pela família”, afirma Samuel Wolf, 17 anos, aprovado no curso de aerospacial.

Veja resultado do vestibular do ITA

Dezessete alunos aprovados são da escola Farias Brito e, entre eles, um rapaz que fez provas em Manaus, de acordo com o diretor superintendente do colégio Tales de Sá Cavalcante. Outros 11 alunos são da escola 7 de Setembro e os demais do Christus, Master, Colégio Militar, Ari de Sá e Antares.

Em entrevista ao G1, Samuel conta que soube da existência do ITA apenas quando foi fazer a matrícula na escola que lhe ofereceu uma bolsa integral. “Olhei para a mesa do coordenador e vi um folheto sobre aprovações no ITA. Perguntei ao coordenador do que se tratava a escola e pedi para ser incluído na turma especial”, explica.

Após entrar na turma preparatória para o concurso em uma escola de Fortaleza, Samuel viu outra chance de realizar um sonho impedido por um problema de visão. “Desde pequeno, gostava de avião e me preparei para passar na Escola de Cadetes do Ar, mas quando fui fazer os exames, no Recife, fui reprovado por causa da hipermetropia”, explica. Mesmo com a reprovação, o resultado chamou a atenção da equipe do Colégio Farias Brito, onde estudou com bolsa integral desde o 2º ano do ensino médio.

Foto de Samuel quando foi fazer os exames na Epcar, em Recife, onde foi reprovado por conta de um problema de visão (Foto: Samuel Wolf/ Arquivo Pessoal) Samuel com 14 anos durante semana de exames
na Epcar, no Recife, onde foi reprovado por conta da
hipermetropia (Foto: Samuel Wolf/Arquivo Pessoal)

Os primeiros anos de Samuel no novo colégio foram difíceis. Ele teve de fazer o 1º ano em uma escola pública por conta de problemas financeiros na família. “A maioria dos conteúdos eu aprendi somente a partir do 2º ano”, afirma. Para acompanhar o ritmo de estudos dos demais alunos da turma, ele disse que retirava 15 livros na biblioteca do colégio para estudar de 6h às 21h durante a semana.

“Às vezes, estudava até 2 da manhã e dormia apenas quatro horas por dia”, relata. A maratona de estudos fez com que Samuel recuperasse os conteúdos escolares de dois anos em um. “No 3º ano, foi mais tranquilo. Já tinha me habituado ao ritmo de estudos e recuperado o que não tinha aprendido na escola pública”, conta.

A escolha do curso de Samuel foi definida apenas depois de ele ter pesquisado detalhes e buscado orientação de professores. “Como é um curso novo, tenho mais chances no mercado de trabalho”, explica. Um dia após receber a notícia da aprovação, Samuel já pensa em avançar ainda mais na área que pretende atuar: “Quero fazer graduação, pós-graduação, doutorado e até PhD”.

Sucesso em dobro
A aprovação em primeiro lugar no Instituto Militar de Engenharia (IME) não mudou os planos de Adriana Nunes, 19 anos, que está decidida a fazer o curso de mecânica-aeronática no ITA. Aluna do Colégio Farias Brito, em Fortaleza, ela recebeu a notícia tão esperada após três anos de tentativa. “Depois do terceiro ano, fiz mais dois anos de cursinho e fiquei muito realizada com o resultado de tanto estudo”, afirma Adriana.

Adriana Nunes quer cursar o ITA mesmo sendo a primeira colocada no IME; ela tentou três vezes o exame estudado das 7h Às 22h (Foto: Viviane Araújo/ Agência Diário)Adriana Nunes quer cursar o ITA mesmo sendo a primeira colocada no IME; ela tentou três vezes o exame estudado das 7h às 22h (Foto: Viviane Araújo/Agência Diário)

O interesse de Adriana em fazer o vestibular mais difícil do Brasil começou quando ela fazia o 1º ano. “Sempre tive o ITA como referência como uma das melhores faculdades do Brasil e o impacto disso no mercado de trabalho muito competitivo me motivou”, conta. Na rotina de estudos que começava às 7h e terminava às 22h, Adriana usava apostilas e livros indicados por professores e outros amigos que já haviam sido aprovados no vestibular. “Para não bitolar muito, sempre saía com os amigos para a praia ou para o cinema no fim de semana”, diz.

A aprovação no ITA é apenas o primeiro objetivo alcançado da carreira pretendida por Adriana. “Quero construir uma carreira bem sólida e ter um espaço mercado de trabalho onde eu possa ajudar os mais necessitados ou iniciantes na carreira”, afirma. Para garantir o sucesso, ela diz contar com os mesmos incentivos: a afinidade com as disciplinas de ciências exatas e o apoio dos pais para acatar as suas decisões profissionais.

Escolas estudam potencial dos alunos
Para Teles de Sá, do Farias Brito, o segredo do sucesso da instituição está no preparo e acompanhamento dos alunos. A escola aprovou 17 alunos neste vestibular no ITA. Ele conta que os estudantes podem começar a preparação a partir do primeiro ano do ensino médio. “Estudamos o potencial de cada aluno e aqueles que se destacam são convidados a participarem das turmas preparatórias. Os que são de fora e procuram o colégio, nós fazemos um teste de seleção”, explica Cavalcante.

O diretor e professor Cavalcante, afirma que cada ano tem um ritmo diferente de estudo para os alunos. O terceiro ano é o mais intenso. “Agora, o mais importante é que cada um dos nossos estudantes nas turmas preparatórias tem uma companhamento individual. Então, sabemos das dificuldades em cada capítulo dos estudos”, afirma. O Colégio Farias Brito, atualmente, tem 14 mil alunos. Entre eles estão as duas turmas de terceiro ano, cerca de 40 alunos cada, que se preparou para as provas do IME e ITA. “Vejo isso com muita responsabilidade acima de tudo. Sempre que ganhamos aprovações a pressão fica maior, a cobrança aumenta”, afirma Cavalcante que vai acompanhar os estudantes pessoalmente no dia da matrícula.

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