É hora de repensar (ou talvez jogar fora) o seu currículo

Fabio Brachtpor
em 09/02/2012 às 14:15 | PdH Shots, Trabalho

Dos sete empregos e estágios que eu já tive na vida, só dois foram graças a currículo. De longe, os piores. Faz tempo que eu acredito que, em muitos casos, currículos são extremamente superestimados.

Repito e quero deixar claro: em alguns casos. Não todos.

Dependendo da sua área e do emprego que você busca, talvez você realmente precise de um currículo sóbrio, sério, preto no branco. Mas eu arriscaria dizer que mesmo você que está aí agora, pensando “é, cara, eu realmente preciso de um currículo”, provavelmente não precisa. Ao menos não tanto.

Permita-me falar um pouco mais sobre isso.

Currículos são tendenciosos, não se pode confiar neles

Você mente no seu currículo, e todo mundo sabe disso. Todo mundo espera isso. Inclusive – principalmente! – quem vai lê-lo. Aqueles três meses em que você ajudou seu tio no mercadinho se transformam em “experiência em auxiliar de operações em varejo”. É um terreno muito escorregadio para se começar uma relação profissional.

Esse é o tipo de currículo com o qual você chama atenção do Google

Em uma matéria do Wall Street Journal, a chefe de recrutamento do Google (onde você com certeza adoraria arranjar um emprego) disse que, apesar de todos os currículos serem lidos por um “exército” de recrutadores, eles os lêem ao contrário. De baixo para cima.

O Google sabe que você vai mentir, exagerar e enfeitar as suas experiências mais recentes, mas eles querem saber se você teve uma banda de rock quando era moleque ou já cortou a grama do vizinho para ajudar a pagar pela faculdade. Esse tipo de coisa não é o foco de um currículo, mas às vezes é o que mais importa.

Você já tem um currículo melhor que o seu currículo

Pode acreditar: se a empresa que está analisando o seu currículo for minimamente decente, ela vai colocar a folha de papel de volta na mesa e vai jogar o teu nome no Google, Facebook, Twitter e LinkedIn, analisando os resultados por mais tempo do que olharam para aquele papel.

Querendo ou não, enquanto o recrutador não olhar no teu olho em uma entrevista, você é o que faz online. Pense se as coisas que você posta no Facebook fazem bem ou mal para a sua imagem. Isso inclusive ficou mais pronunciado agora, com a mudança dos perfis do Facebook para Timelines. Incluir aquela viagem que você vez pode impressionar gente mais importante (para a sua vida profissional) do que os seus amigos.

Currículo bordado em tecido, por que não?

No fim das contas, um currículo serve para dizer o que você já fez e o que você sabe fazer. Por isso é importante listar seus empregos e experiências passadas no LinkedIn também. É uma informação que o seu novo empregador com certeza vai querer saber, mas não significa que você deva se limitar a isso, ou que não existam maneiras melhores e mais efetivas de comunicar essas coisas.

Currículos são chatos demais, mesmo para empregos chatos

Ok, você está lendo isso e continua pensando que esses conselhos não se aplicam a você. Que ter um currículo normal, como todo mundo, é a única maneira de concorrer às vagas na sua área de interesse.

Mas isso te impede de pelo menos dar um toque pessoal e emocional à chatice do documento?

Imagine o trabalho de alguém que precisa ler e analisar dezenas, centenas de currículos enfadonhos. Ponha-se no lugar dessa pessoa. Um currículo com qualquer coisa fora do habitual tem grandes chances de se destacar mais do que outros com qualificações até maiores do que as suas.
Link Vimeo | Tão fora do habitual que nem dá pra dizer que é um currículo. Mas serve.

Mas o que pode ser “fora do habitual”? Tente colocar algo pessoal, contar uma história, um desenho, algo inesperado. Brincar com os títulos. Fazer uma capa ou um fundo criativo. Esta página que você está vendo tem alguns exemplos, e é muito fácil encontrar dezenas de outros para se inspirar. Se isso for feito na medida certa (não pode minar sua seriedade enquanto candidato), vai causar um sorriso no recrutador. E quem não gosta de quem o faz sorrir?

Um currículo não soluciona problemas

Acima de tudo, um currículo carrega uma mensagem muito particular: “por favor, me dê um emprego”. Eu sei que é isso que você quer, mas que tal fazer de outro jeito? Que tal se, em vez de pedir, você oferecer? Que tal se, em vez de falar “por favor, me dê um emprego”, você disser “eu acho que posso ser útil na sua empresa, por isso e isso”?

Foi assim que eu consegui os meus últimos empregos, por exemplo. Dizendo (um por email, outro por tweet!) que eu poderia ser útil, e por quê.

Uma empresa que está contratando tem um problema. O que ela quer não é um empregado, é uma solução. Mostre que você quer ser essa solução, não que você só quer algum lugar pra vender a sua vida de segunda a sexta, a contragosto, apenas para receber um depósito a cada 30 dias.

Fabio Bracht

Toca guitarra e bateria, tem bom gosto musical, já mochilou pela Europa, conhece todos os memes, é redator e tradutor no Gizmodo Brasil, criou o blog de games Continue (desativado no momento), é Cabaneiro e ainda não se acha um cara legal o suficiente. [Facebook | Twitter]
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