Marketing sensorial: instigue os 5 sentidos do seu cliente e lucre mais

Publicado em 5 de 12 de agosto de 2011 às 11h24 por Fernanda Peregrino

Produtores de café expresso investem em certificação sensorial para tornar marcante a experiência de beber café

O Marketing Sensorial é muito utilizado como diferencial no agronegócio e pela indústria de alimentos e bebidas. De acordo com o professor Luigi Otello, do Centro Studi Assaggiatori (Brescia, Itália), a tendência é a certificação sensorial de produtos como massas, vinhos e café. Por exemplo, há alguns anos os produtores italianos de café apostam neste tipo de certificação, principalmente na industrialização do café expresso.

“O prazer é um convite. O desprezo é um conselho para desistir de uma determinada ação. Através do prazer, ao consumir um produto, definimos a sua qualidade.”, disse o professor Otello numa palestra que realizou no Brasil mês passado.

O professor italiano explica que o Marketing Sensorial tem a função de detectar a emoção existente no produto e transmiti-la ao consumidor. A emoção aliada à qualidade leva o consumidor a comprá-lo. Com isso, ao beber um café com uma certificação sensorial, o cliente sabe que terá uma experiência de cheiro e sabor inigualável.

O que é marketing sensorial?

Este tipo de marketing analisa o comportamento do cliente e suas emoções e cria um vínculo emocional entre o produto ou serviço e o consumidor. Tira proveito das sensações percebidas pelos cinco sentidos do ser humano e transforma essas sensações e experiências em diferenciais competitivos.

O especialista em marketing e varejo Wagner Campos diz que os cinco sentidos (visão, audição, tato, paladar e olfato) são, muitas vezes, responsáveis por algumas de nossas decisões. “Esta estratégia é uma alternativa que tem conquistado cada vez mais o espaço no ponto de venda, centralizando os esforços na transformação da experiência de consumo em uma atividade envolvente e marcante.”

Um restaurante de alimentação natural pode usar o marketing sensorial ao colocar, no ambiente, essências que exalam odor de matas ou músicas com som de cascatas, ou seja, criar um ambiente agradável que favorece o sabor dos alimentos que serve. Portanto, a música ambiente de uma loja e o cheiro que os clientes sentem ao entrar nela podem conquistar o cliente e contribuir para que escolha o negócio para comprar aquilo que necessita.

A rede de nuts glaceados Nutty Bavarian aplica o marketing sensorial, que hoje é o seu principal motivador de vendas. Realizada pela empresa com pouco mais de 300 frequentadores de shoppings, pesquisa mostra que 66,7% dos clientes foram motivados a comprar os seus produtos quando sentiram o cheiro das nuts glaceadas.

O estudo aponta que a primeira sensação que vem à cabeça das pessoas quando elas pensam na marca é o odor adocicado das nozes, avelãs e amêndoas. “O produto feito na hora exala um aroma que atrai os clientes e cria uma identidade que é quase tão forte quanto à imagem de nossos quiosques.”, contou Adriana Auriemo, responsável pela franquia no País, para a revista PEGN.

Regras básicas de utilização

Segundo Wagner Campos, “o Marketing Sensorial não exige um investimento muito alto e dá resultados práticos em curto prazo, além de personalizar a experiência da compra, destacando o estabelecimento junto ao consumidor.”

Abaixo, o especialista em marketing lista algumas formas para otimizar os resultados do negócio por meio do marketing sensorial:

Visão: Cuidado com o excesso de cores e imagens, ou seja, evite poluição visual. O produto deve ter destaque sem que as muitas mensagens venham a confundir o seu público-alvo. O estabelecimento deve escolher cores que identifiquem sua ideologia.

Audição: Músicas devem ser adequadas aos ambientes. Em lugares mais agitados a música alta pode vir a atrapalhar. Escritórios, lojas e supermercados devem dispor de uma “rádio” interna própria, com seleções de músicas que envolvam o ambiente e se identifiquem com o perfil dos clientes, num volume ideal ao seu público. Não se coloca, por exemplo, um Heavy Metal em um restaurante italiano no horário do almoço.

Tato: O consumidor brasileiro tem o hábito de “observar” com as mãos. Deixar os produtos ao seu alcance pode ser uma grande oportunidade de agradáveis experiências aos consumidores e novos negócios para a empresa.

Paladar: Este sempre foi o conquistador de todos. Há até o ditado: “conquistou o marido pelo estômago”. Oferecer ao cliente agrados como chocolates, balas ou outras guloseimas que agreguem, além do sabor, características visuais e olfativas, pode tornar a experiência de compra inesquecível, bem como satisfazer o cliente por ganhar um brinde.

Olfato: As essências podem ser utilizadas para personalizar o ambiente. É necessário apenas ter cautela quanto ao exagero da quantidade ou excesso de essências distintas em um mesmo ambiente.

Com informações da Revista PEGN e dos sites Administradores e Agro Venda.

Barack Obama, Steve Jobs… Saiba como falar como um líder

Veja dicas de como transformar sua apresentação em um poderoso instrumento de trabalho, transmitindo credibilidade e segurança em reuniões, entrevistas e palestras

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Por Fábio Bandeira de Mello, http://www.administradores.com.br

Quem nunca reparou no poder de persuasão de algumas pessoas? Na forma como certos profissionais conseguem falar de maneira clara e objetiva ? A confiança, a clareza e o convencimento são elementos que não dependem apenas de conhecimento do conteúdo, mas também da uma boa postura, naturalidade entonação da voz, expressão corporal e emoção no que é transmitido.

Steve Jobs
Steve Jobs em sua apresentação do Iphone

 

Atualmente, quando se fala em apresentações de qualidade, um dos principais exemplos citados é o do Steve Jobs, fundador da Apple Computadores, que possui uma reconhecida capacidade de envolver e seduzir platéias. Ao transformar os lançamentos de produtos da Apple em eventos memoráveis, Jobs estabeleceu novos padrões de apresentação para o mundo empresarial.

 

Barack Obama
Presidente dos EUA, Barack Obama

Outro grande nome que, indiscutivelmente, “sabe falar em público” é o de Barack Obama. Sua habilidade pôde ser vista, principalmente, no ano em que assumiu a presidência americana, no qual, conquistou admiradores em todo mundo, não só pelas suas atitudes e ideais, mas também pela forma que conseguia transmitir e contagiar as pessoas que ouviam seu discurso.

 

Apesar de diferentes em alguns pontos, as técnicas utilizadas por Steve Jobs e Barack Obama encantam plateias de todo o mundo e podem sim, ser aproveitados como excelentes aprendizados para todos aqueles que desejam ter apresentações bem-sucedidas e que, realmente, a platéia se interesse naquilo que está dizendo.

 

Steve Jobs: o revolucionário

 

“Jobs não vende produtos, mas sim experiências. Suas exposições são verdadeiros acontecimentos, nos quais ele transforma consumidores em entusiastas de sua marca”. É assim que o norte-americano Carmine Gallo, um dos principais especialistas mundiais em técnicas de comunicação reconhece o talento do executivo. Para Gallo, o sucesso de Steve Jobs está em seu forte carisma moldado com a utilização de variadas técnicas, que abrangem desde a linguagem, a roupa, as palavras-chave, os conceitos e os suportes visuais escolhidos.

 

Carmine Gallo
Carmine Gallo, autor do livro

“Faça como Steve Jobs

Em entrevista exclusiva ao www.administradores.com.br, Carmine Gallo, que é o autor do livro Faça como Steve Jobs – e realize apresentações incríveis em qualquer situação, conta que Jobs não se tornou um orador excepcional do dia para a noite. “Steve Jobs tem ‘carisma’, fazendo suas apresentações parecerem que não há esforço. E você sabe como ele consegue? Pela prática. Muita e muita prática. Ele está trabalhando em seu ofício ao longo de décadas e, por isso, é tão eficiente no que faz”.

 

O especialista Carmine Gallo diz que com a utilização de técnicas de apresentação e muito treino, qualquer pessoa pode conquistar seu público, seja qual for o objetivo. Ele cita algumas dicas para uma boa apresentação com o uso das técnicas usadas por Steve Jobs. “É interessante elaborar um roteiro de apresentação eficaz e acrescentar dramaticidade e ritmo às suas apresentações. Outra coisa é, caso utilizar algum programa de apresentação, usar mais imagens do que texto. Há muito pouco texto em uma apresentação de Steve Jobs. Além disso, é muito eficiente desenvolver uma descrição de uma frase para o seu produto ou serviço, ou seja, crie slogans curtos e impactantes. Quando ele introduziu o IPad no início deste ano, Jobs descreveu como um ‘dispositivo mágico e revolucionário’ Como você descreveria o seu produto no Twitter – uma mensagem de 140 caracteres ou menos? Esse é um bom exercício”.

 

 

falar em público

A arte de falar em público 

 

 Os especialistas explicam é que aprender como falar em público não é uma tarefa impossível. Essa é uma característica que pode ser trabalhada, com maior ou menor dificuldade, e ser dominada por qualquer um. Haverá sempre pessoas que são melhores do que outras, como em qualquer atividade, mas não é impossível para ninguém conseguir falar em público com desenvoltura.

 

Reinaldo Polito, um dos mais renomados palestrantes de oratórias no Brasil, revela que “um bom orador precisa ser carismático, bom contador de histórias e bem-humorado. Há exceções que até servem para confirmar a regra, mas, em quase todos os casos, esses são ingredientes fundamentais

Reinaldo Polito
Consultor de oratória

Reinaldo Polito

para o sucesso na comunicação”. Para Polito, “embora o conteúdo seja importante, de nada adiantaria conhecer o assunto se não fossem esses ingredientes que projetam e marcam a imagem do orador”.
Em reuniões de negócios, apresentações e prospects, o profissional com uma dicção limpa, objetiva e firme consegue passar a informação de forma mais clara, fazendo-se compreender com mais facilidade. As entrevistas de emprego, por exemplo, também exigem do candidato certa habilidade de saber se expressar. O entrevistado tem poucos minutos para demonstrar confiança, credibilidade, responsabilidade, entre outros atributos valorizados pelas empresas.
Edson Mazieiro, presidente do Clube da Voz, destaca que aperfeiçoar e melhorar o padrão de comunicação é essencial para o desenvolvimento de uma carreira profissional de sucesso. “Falar com clareza e objetividade não é sinônimo de falar alto ou gritar, significa passar firmeza, com calma, sem atropelar as palavras. Uma boa respiração é imprescindível nestes casos”, afirma.

 

Barack Obama – liderança e comunicação eficiente

 

Destaque como exemplo de grande orador, o atual presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, é outro reconhecido nome que consegue em suas apresentações despertar muita atenção nas pessoas. Mas o que há de tão especial assim em seu discurso?
O consultor Reinaldo Polito ilustra que o presidente norte-americano, está sempre elegante, usando a energia e a emoção na medida certa, com voz pausada e raciocínio lógico e bem estruturado. “Barack Obama sabe como poucos adaptar a maneira de transmitir a mensagem de acordo com os anseios dos ouvintes. Esse entendimento que tem sobre as aspirações das pessoas e a capacidade de transmitir as informações levando em conta a circunstância que o cerca faz do presidente americano um orador excepcional”.
O poder da voz
Assim como nos relacionamentos, é necessário conquistar. Falar com convicção e de forma envolvente é um caminho para ganhar a preferência do público-alvo, seja ele qual for. Para o especialista Edson Mazieiro, a voz é um importante instrumento para esse processo e saber transmitir a informação com coesão e clareza pode fazer a diferença até na conclusão de um negócio (veja dicas no quador abaixo).
“Enganam-se as pessoas que consideram a voz primordial em apenas algumas profissões, como radialista, operador de telemarketing e professor. Todos precisam entender e se fazer entendidos, logo, uma boa comunicação interpessoal pode trazer muitos ganhos para todas as áreas, seja dentro das empresas, em reuniões, entrevistas, palestras ou no dia-a-dia”, completa Mazieiro.

 

Chamar atenção sem ser um bobão
apresentações Só que algumas pessoas confundem o conceito de “apresentar” com “aparecer”. Às vezes, ser exagerado ou engraçadinho demais pode fazer surtir um efeito contrário na apresentação e torná-la um fracasso. Por isso, é importante medir as informações que podem agregar interesse à apresentação sem deixá-la banal ou uma piada.
O consultor Reinaldo Polito conta que apresentadores devem evitar exageros e excessos, e destaca algumas técnicas para falar em público fundamentais na hora da apresentação. “O orador precisa saber como iniciar, preparar, desenvolver e concluir de maneira correta suas apresentações. Deve usar a voz de forma adequada, com bom volume, boa dicção e alternar o volume da voz e a velocidade da fala para imprimir sempre um ritmo agradável e motivador. O vocabulário precisa ser apropriado às características dos ouvintes. A expressão corporal de qualidade é aquela que produz gestos que acompanham bem o ritmo e a cadência da fala, sem falta e sem exageros”.
Desta maneira, é muito mais fácil conquistar a simpatia de quem está ouvindo e, consequentemente, vender serviços, produtos e ideias.

 

Veja alguns exercícios elaborados pelo Clube da Voz para exercitar a entonação e postulação da voz 

 

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  • Para treinar a voz e melhorar a entonação, falando corretamente cada sílaba, coloque um lápis entre os lábios e fale palavras que contenham as letras R e L. Isso garantirá melhor fluidez na fala.
  • Para tornar o discurso mais harmônico, um exercício é repetir diversas vezes as sílabas SI-FU-XI-PA, de forma pausada e respirando corretamente, ou emitir o som HUMMMM… até vibrar os lábios. Estes treinos auxiliam o locutor a manter sempre o mesmo tom durante a fala, melhorando a dicção.
  • As pessoas que possuem a voz presa na garganta devem fazer o exercício de bocejar e suspirar repetidamente antes de falar em público. Este movimento abre o espaço entre a língua e a faringe, facilitando a saída da voz.
  • Para aprimorar a flexibilidade dos órgãos da fala, estale a língua, rode-a na boca de um lado para o outro e eleve e abaixe a ponta da língua ou, com o objetivo de melhorar a articulação, emita com clareza as seguintes sílabas BA – BÉ – BÊ – BI – BÓ – BÔ – BU, e assim por diante, passando por todas as vogais e consoantes.
  • A respiração também é essencial e deve ser exercitada. Portanto, encha os pulmões de ar, respirando sempre pelo nariz, até estender o diafragma – como se a barriga enchesse de ar. Com este movimento, a parte superior do tórax, onde estão localizados os pulmões, também inflará. Quando a respiração estiver em sua capacidade máxima, solte o ar calmamente, relaxando todo o corpo.

 

 

Confira, em breve, no Portal Administradores as entrevistas exclusivas com o norte-americano Carmine Gallo, um dos principais especialistas mundiais em técnicas de comunicação e com Reinaldo Polito, um dos mais renomados consultores de oratória do Brasil. 
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As regras Mudaram! Como vender mais pela Internet? O mistério da Cauda Longa de Pareto

Resenha: A Cauda Longa, de Chris Anderson

Por Ruy Flávio de Oliveira

Faz algum tempo venho tendo ímpetos de revisitar alguns momentos de meu passado. Não que eu tenha 98 anos e esteja buscando reconstruir algo na linha da São Paulo da década de 20, diga-se de passagem. Falo aqui de coisas mais recentes, de minha infância e adolescência nas décadas de 70 e 80. Música, literatura e cinema são, em geral, meu alvo principal, pelo gigantesco papel que tiveram em minha formação. Neste contexto, deu-me vontade de ouvir novamente uma música que marcou minha primeira infância, um sucesso dos Originais do Samba intitulado “A Dona do Primeiro Andar”. Não vou entrar em detalhes: se você está beirando ou já passou dos quarenta, sabe do que estou falando; caso contrário, não adiantaria explicar.

O caso é: onde encontrar uma gravação original dos caras? O disco onde esta música foi inicialmente gravada chama-se “Alegria de Sambar”, e é um vinil de 1975 que não saiu em CD. Que loja em sã consciência carregaria um encalhe desses em seu estoque? Pois não é que o disco é comumente encontrável em sites tais como o MercadoLivre, e bem baratinho?

Pois é, em linhas gerais é exatamente sobre esse tipo de fenômeno que fala A Cauda Longa – Do Mercado De Massa Para O Mercado De Nicho, de Chris Anderson, ex-jornalista do The Economist e editor da revista Wired.

A premissa básica do livro é de que a economia está mudando seu foco de atenção dos blockbusters, isso é, dos mega-sucessos de massa, para os nichos de consumo. Dentro deste conceito, a economia tradicional – mencionada pelo autor como “economia de escassez” – começa a dar lugar para uma nova economia – a “economia da abundância”. No modelo antigo, isto é, na economia da escassez, a produção e a distribuição de produtos custa caro, e portanto, concentram-se os esforços em produzir e distribuir produtos com forte apelo popular. Essa é a tal da economia de massa a que somos submetidos desde a Revolução Industrial. Já que custa muito caro produzir e distribuir, produtos sem apelo popular custam preço prêmio ou, no mais das vezes, simplesmente não são encontrados.

Já na economia da abundância, com custos reduzidos de produção e de distribuição, há espaço para que os produtos afastados da “cabeça” da curva, isto é, os produtos que não são mega-sucessos, tenham também o seu mercado. Como isso é possível? Anderson fornece um mecanismo baseado em três pontos para este fenômeno:

1. A tecnologia faz com que vários tipos de produtos sejam mais fáceis e mais baratos de se produzir (abundância na produção);

2. A tecnologia (a Web, no caso) faz com que o consumidor tenha acesso mais fácil a todos os tipos de produto, e não mais apenas aos mega-sucessos;

3. A facilidade de busca e principalmente as recomendações fazem com que a demanda se espalhe pela cauda da curva, não estando mais limitada à meia dúzia de sucessos estrondosos que antes estavam disponíveis.

O conceito é facilmente aplicável a produtos da era digital, tais como músicas e filmes. Tanto que as gravadoras e produtoras independentes – que há apenas uma década passavam por dificuldades imensas para sobreviver – ressurgem com forças renovadas, impulsionadas por consumidores dispostos a ultrapassar a escumalha dos sucessos do momento. Para tanto, há hoje muito mais facilidade para se gravar uma música ou para se produzir um filme, uma vez que a disponibilidade é muito maior de equipamento de gravação, filmagem e pós-produção. O computador pessoal em seu estágio atual de desenvolvimento já possibilita que um usuário qualquer se meta a gravar sua própria música e o resultado fica com qualidade muito próxima a uma gravação de estúdio profissional.

Por outro lado, sites de comércio eletrônico disponibilizam o produto acabado de forma ubíqua. É muito fácil encontrar músicas de todo o mundo para comprar na Internet, e o preço é baixo, uma vez que podemos comprar músicas individuais (e não mais os CDs inteiros, recheados de músicas menos interessantes que aquela que queremos escutar) e que o custo de distribuição é zero, dado o fato de não haver circulação de mercadorias físicas: basta apertar o botão de download e alguns minutos depois a música está em seu disco rígido.

O terceiro ponto é o sistema de recomendações que fatalmente se instala, uma vez que temos uma vasta gama de opções e uma loja virtual com um gigantesco catálogo para consultar. Todos gostamos de dar palpite e achamos que temos opiniões inteligentes e importantes sobre os produtos que consumimos (e essa resenha é mais uma prova disso). O fenômeno que podemos observar é a criação de uma rede de recomendações e ranqueamentos que nos dá idéias sobre quão bom ou adequado ao nosso gosto é um determinado produto. Listas de “os 10 mais [qualquer categorização que se queira criar]” surgem para ranquear produtos, e recomendações tipo “leitores que compraram este livro também compraram [título de um livro qualquer]”. Desta forma, vamos entrando em contato com produtos antes desconhecidos. Novos gêneros musicais, novos autores literários, filmes estrangeiros ou antigos que não tenham entrado no circuito comercial vão entrando em nosso campo de visão, e mesmo que nunca venham a virar bestsellers, certamente gerarão lucro para seus autores, uma vez que são centenas de milhões de consumidores potenciais no mundo todo.

E é só para produtos digitais, tipo músicas e filmes? Não. Anderson cita, por exemplo, o caso de um grupo de colecionadores de cartuchos de Atari, uma console do tempo de “A Dona do Primeiro Andar”, citado no início desta resenha. Fora de circulação há uns 20 anos, o Atari ainda tem um séqüito fiel, que consome cartuchos de jogos antigos e – pasmem – novos também. Isso mesmo: a demanda por jogos fez com que um grupo de programadores passasse a produzir jogos novos e a distribuir os mesmos em cartuchos que eles mesmos fabricam. Neste mesmo contexto, produtos de nicho antes virtualmente impossíveis de serem encontrados, hoje estão mais disponíveis graças à Web e aos vários sistemas de recomendação. Quanto a esses sistemas, os blogs especializados são citados por Anderson como tendo um papel primordial na disseminação de recomendações confiáveis.

E a Lei De Pareto Nesse Contexto?

A Lei de Pareto, ou lei 80/20 estabelece que 80% dos resultados vêm de 20% dos esforços (sim, somos ineficientes desse tanto…). No fenômeno da cauda longa esta lei, um dos alicerces do culto à eficiência do século XX, está finalmente sendo revogada. Aliás, esta descoberta foi a inspiração do autor para seu artigo seminal na revista Wired em Outubro de 2004, que quase dois anos depois o levaria a publicar o livro A Cauda Longa. Em uma visita à Ecast, empresa de venda de músicas pela Internet, Anderson descobriu que, contrariando suas expectativas, não eram os 20% “mais” que geravam a maior parte dos lucros. Em função dos desprezíveis custos de armazenamento (disco rígido) e distribuição (Web) das músicas, impressionantes 98% das músicas geravam lucros consideráveis para a empresa. Pelo simples fato de as músicas – por mais desconhecidas e direcionadas que pudessem parecer – estarem disponíveis, pelo menos uma ou duas eram vendidas todos os meses. Multiplique-se este baixíssimo volume de vendas (impensável nas prateleiras de uma loja convencional de discos, aliás) pelas dezenas de milhares de consumidores que visitam a loja virtual todos os dias, e eis aí um excelente negócio. Contudo, dizer que 98% dos produtos disponíveis em um catálogo são vendidos uma vez ou outra não revoga Pareto de imediato, revoga? Não, mas o resultado desta combinação de disponibilidade ubíqua com baixos custos de armazenamento levou a Amazon a afirmar que algo entre 25% e 33% de suas vendas (um número revisado após a publicação do livro de Anderson, que na edição disponível de A Cauda Longa inicialmente oferece a impressionante marca de 57%) vem de livros “ranqueados” além dos 100.000 títulos. Para se ter uma idéia do que isso significa, 100.000 é a quantidade de títulos tipicamente disponível em uma grande livraria (no Brasil, a Siciliano e outras de porte semelhante vêm à mente). Pela Lei de Pareto, 80% do lucro de uma livraria deste porte deveria vir da venda dos primeiros 20.000 títulos, Contudo, em uma livraria digital (onde colocar um livro na “prateleira” significa inserir seu título, autor, editora e foto da capa em um banco de dados), mais de um quarto do lucro vem de livros que numa livraria não estariam disponíveis nem por encomendas.

Outro exemplo dado é o da Netflix, um serviço norte-americano de aluguel de filmes pelo correio que bem que poderia ser iniciado no Brasil por alguma alma empreendedora. Quando observamos o negócio das videolocadoras, é fácil constatar que 90% do faturamento advêm do aluguel de lançamentos. Os associados da Blockbuster, da 100% Vídeo ou da Mega Mil (para citar também exemplos brasileiros) estão sempre ávidos pelos próximos vídeos a serem lançados, e menos de dois meses depois destes lançamentos, os filmes são imediatamente relegados a segundo plano. Nada mais comum que a banquinha de oportunidades numa destas mega-locadoras, onde as cópias em excesso dos sucessos passados são vendidas a preços menores que DVDs novos. Pois bem, no caso da Netflix, 70% dos aluguéis dos mais de 60.000 títulos (um número absolutamente impensável para uma locadora de tijolo e concreto) advêm dos filmes mais antigos, já fora da categoria dos lançamentos há anos, ou mesmo décadas.
Apoiando-Se Nos Ombros De Gigantes

As idéias contidas no livro, se são bastante instigantes e muito bem argumentadas, não são exatamente originais. De fato, em seu bestseller de 1980 A Terceira Onda, Alvin Toffler já previa que a cultura de massa – essa que privilegia o blockbuster e ignora os nichos de consumo – estava com seus dias contados. Toffler inclusive citava – quinze anos antes da difusão da Web – que a informação é o recurso básico da nova economia. Eis aí a genialidade de Chris Anderson e de seu A Cauda Longa: à moda de Isaac Newton, o autor se apóia nos ombros de gigantes como Toffler, para enxergar mais longe e mais precisamente o mundo que hoje nos cerca.
Como Entro Nessa?

A pergunta básica para quem lê o livro seria: muito bem, como faço para ganhar dinheiro com essa tendência? O livro fornece uma resposta em duas partes que lembra muito o slogan de “O Campo dos Sonhos”, filme de 1989 estrelado por Kevin Costner: “if you build it, they will come”. Segundo Anderson, as regras básicas para aproveitar a Cauda Longa são:

1. Torne seu produto disponível;

2. Avise os consumidores.

Isto é, produza, coloque à venda em alguma loja virtual e dê ciência aos consumidores – através da própria loja ou de um dos vários sistemas de recomendação disponíveis – da existência destes produtos. Com milhões de internautas mundo afora, seu produto pode não se tornar o mais novo mega-sucesso mundial, mas certamente vai atrair a atenção de gente suficiente para te trazer algum lucro.

Plano de Carreira para Universitários

sobre Carreira Por Ari Lima Assinar feed  do autor
jari_limaj@yahoo.com.br

É possível elaborar um plano básico de marketing pessoal e profissional para estudantes universitários, e implantá-lo em sete semanas ou menos. O conteúdo deste artigo faz parte do modelo de cursos intensivos e palestras que ministramos em universidades, e tem como grande vantagem a facilidade de sua implantação por qualquer estudante, desde que seja corretamente orientado.

Por que ter um plano de marketing pessoal?

O objetivo deste plano é dar uma vantagem competitiva ao estudante, preparando-o antecipadamente para posicionar-se de maneira adequada no mercado de trabalho. Assim, conseguirá enfrentar de maneira competitiva outros profissionais que estejam eventualmente buscando uma inserção no mercado.

Existem tendências de mercado provocando mudanças na forma como as empresas estão buscando o “novo profissional” para atender suas necessidades e de seus clientes. Estas empresas não mais oferecerão o emprego tradicional, e sim oferta de trabalho, cobrando dos profissionais apenas o resultado, independente do modo como será feito.

Precisam de homens e mulheres que tenham um perfil mais empreendedor e menos voltado para tarefas repetitivas e habituais. Baseado nesta tendência de mercado, elaboramos um plano básico de marketing pessoal e de fácil implantação, para possibilitá-lo começar a gerir sua carreira ainda dentro da universidade.

Plano de marketing pessoal

Podemos dividir o plano de carreira em dois conjuntos de ações:

  • o desenvolvimento das competências essenciais a todo profissional moderno;
  • utilização de ferramentas de marketing para  promoção pessoal e profissional.

Etapas para implantação do plano de marketing pessoal

Para efeito didático e facilitar sua implantação, dividimos este plano em sete etapas que devem ser implantadas em seqüência. Como sugestão, propomos ao estudante desenvolver cada etapa em uma semana, para que ao final da sétima semana já tenha o plano de marketing pessoal em funcionamento.

Primeira etapa – Documentação do plano. Defina objetivos pessoais e profissionais, bem como metas para serem atingidas a curto, médio e longo prazo. Nesta etapa, busque fazer uma reflexão pessoal, analisando em que ponto está sua vida profissional e pessoal, bem como onde pretende chegar.

Segunda etapa – Pesquise, analise e estude seu mercado de trabalho, seus concorrentes e seus futuros clientes (pessoas ou empresas). Desenvolva uma marca pessoal e também defina produtos ou serviços que irá oferecer ao mercado.

Terceira etapa – Faça uma análise e desenvolva suas competências pessoais que são essenciais ao mercado:

  • auto-motivação – capacidade de se auto motivar, independente da situação ou da tarefa que precise realizar;
  • bom humor – capacidade de gerenciar o próprio estado de espírito, evitando deixar que situações desagradáveis de sua vida pessoal possam influir negativamente no desempenho profissional;
  • relacionamento interpessoal – capacidade de se comunicar de maneira positiva e harmônica com outras pessoas, desenvolvendo relacionamentos e laços de respeito mútuo;
  • capacidade de produzir conhecimento – desenvolver continuamente conhecimentos que sejam necessários para o crescimento profissional e pessoal relacionados ao contexto do mercado em que estiver inserido;
  • liderança – capacidade de tomar a iniciativa, trabalhar em equipe, e influenciar positivamente as pessoas em seu contexto;
  • criatividade – capacidade de inovar, criando novos métodos e soluções para problemas novos e antigos. Adaptar-se às circunstâncias de maneira inovadora;
  • capacidade de sonhar – é através dos sonhos que podemos imaginar uma situação ideal, e utilizar todos os nossos recursos para alcançá-la. Assim, poderemos crescer pessoal e profissionalmente.

Quarta etapa – desenvolver material de divulgação para promoção de seu negócio ou carreira. Utilize cartão de visita e, se necessário, um folder de forma criativa e dinâmica.

Quinta etapa – criação de um site pessoal, blog ou comunidade, onde poderá  divulgar um portfólio de realizações relevantes. Utilize o grande potencial da Internet, como a criação de grupos e outros recursos da rede, que podem promover sua carreira.

Sexta etapa – o desenvolvimento de sua networking, ou rede de relacionamentos, será fundamental para promoção de sua carreira. Ao longo de sua passagem pela universidade, o estudante deve estabelecer vínculos com pessoas e profissionais que podem ter uma influência importante em sua carreira no futuro.

Sétima etapa – criação de um sistema de relações públicas, para promover sua carreira junto ao mercado e ao público em geral. Elaboração e publicação de artigos e trabalhos acadêmicos em sua área, participação em associações e outras atividades que podem trazer evidência a sua pessoa.

Estas são as etapas básicas para implantação de um plano de marketing pessoal para universitários. Nesta fase de promoção de uma carreira profissional, é necessário contar com toda a ajuda e orientação possível. Temos certeza que com este guia prático um estudante pode iniciar o gerenciamento de sua carreira. Boa sorte.