Terminei a pós-graduação: A resposta de José

Por Luiz Gustavo Bonatto Rufino*

Ao publicarmos o texto “Terminei a pós-graduação, e agora José?” muitas pessoas, embora tenham se identificado, solicitaram algumas respostas, dado o caráter de problematização do manuscrito. Vamos apresentar algumas, embora seja reconhecido a dificuldade em implementá-las.

1) Plano de aposentadoria: assunto pertinente sobretudo àqueles que não trabalham ao realizarem suas pós-graduações e ficam grandes períodos de tempo estudando. Isso deve ser uma escolha individual, mas é preciso haver maior divulgação das possibilidades de contribuição, seja como individual ou facultativo, até mesmo para garantia dos direitos legais. É importante haver algum tipo de relação entre bolsas e aposentadoria.

2) Relações de projetos de pesquisa com a constituição profissional: Reclamação muito comum é afirmar que o que pesquisamos não usaremos em nossa prática profissional. Não se trata de advogar em prol ou contra a ciência básica ou aplicada, mas é preciso que os projetos possam transpor os muros da universidade. Projetos com parcerias, relacionados com ações extensionistas podem contribuir, desde que haja valorização de outros espaços sociais para além da universidade.

3) Valorização profissional de mestres e doutores: Assunto muito debatido, mas fundamental: se o Brasil quer maior qualificação acadêmica, é preciso que mestres e doutores atuem na docência, ensino e extensão em universidades públicas e particulares. Uma das formas é aumentar obrigatoriamente o quadro de mestres e doutores no Ensino Superior, valorizando a presença dos pós-graduados com ganhos condizentes com suas formações. No entanto, em última instância, título não garante competência e nem deve ser visto como “reserva de mercado” e sim como “investimento profissional”.

4) Desmistificar o sentido de “ser professor”: O pós-graduado que se assume professor deve refletir sobre o sentido dessa profissão. Precisamos desmistificar alguns “tipos” de docentes corriqueiramente encontrados nas universidades: a) O professor que só pesquisa e não liga para a graduação; b) o professor que abre mão da pesquisa ao passar em um concurso como se tivesse assegurado uma estabilidade infinita; c) o professor que “transfere” suas aulas quase que completamente para alguns orientandos; d) o professor que acha que pós-graduação é um vínculo escravocrata com o orientando; entre outros tipos existentes…

5) Pós-Graduação e formação “indecente” de docentes: de modo geral não formamos professores nos cursos de pós-graduação, o que gera um paradoxo, pois normalmente os profissionais formados concorrerão à concursos de professor. É comum encontrarmos doutores que não sabem dar aulas, apenas palestras. Não conseguem elaborar um plano de ensino, quiçá um plano de aula! O estágio docência, por sua vez, não é capaz de suprir essa defasagem. Formamos indecentemente docentes para o Ensino Superior.

Essas, entre outras características devem se constituir como políticas públicas de pós-graduação. Alguém poderia inquirir: “Mas e o Ciências sem Fronteira, já não é uma política pública?” É claro que é (talvez a maior desse tipo no mundo), no entanto, não precisamos ir muito longe para pensar o que vai acontecer ao termos um monte de mestres e doutores formados até 2015 nas áreas prioritárias que endossam as filas de desempregados.

Por isso, precisamos pensar em políticas públicas de fomento à pós-graduação antes, durante e após sua vigência, para que Josés, Marias, e todos os pós-graduandos possam encontrar qualificação que seja efetivamente revertida em atuação profissional necessária ao futuro – e presente – de nosso país!

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*Luiz Gustavo Bonatto Rufino é mestre em Desenvolvimento Humano e Tecnologias pela UNESP Rio Claro, graduado em Educação Física pela mesma instituição e membro do Laboratório de Estudos e Trabalhos Pedagógicos em Educação Física. É autor do livro: “A pedagogia das lutas: caminhos e possibilidades”.

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Profissão Professor


Cláudio Tomanini, da FGV, afirma que o mercado e a nova geração de estudantes requerem um novo perfil profissional.

Por Rômulo Martins

O giz e o quadro-negro devem deixar de fazer parte da vida dos professores de uma vez por todas. Pelo menos na visão de Cláudio Tomanini, professor de MBA da Fundação Getúlio Vargas, especialista em marketing e vendas e autor do livro “Na trilha do sucesso”, da editora Gente.

Segundo Tomanini, o professor do futuro deve dominar as tecnologias e utilizá-las a seu favor em sala de aula ou onde quer que trabalhe. E mais: o especialista em marketing acredita que o bom professor deva atuar no mundo corporativo. Conhecendo as reais necessidades do mercado de trabalho, diz ele, o professor tem condições de transferir as experiências práticas a seus alunos.

Utopia ou não, o fato é que, para Tomanini, o mercado e a nova geração de estudantes demandam um novo perfil de professor – desde a educação infantil até a acadêmica. Ele falou ao Empregos.com.br. Assista.

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=yZObIfzSQBY

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Olá, eu fui convidado para conversar com você, com você que está aí começando sua carreira, com algumas dúvidas, com alguns caminhos já escolhidos… e, a princípio, o convite que me fizeram, foi para falar com você sobre a profissão professor.

Mas já que a câmera está ligada e eu estou falando com você, eu vou falar com vocês de uma forma diferente. Não sobre a profissão professor, até porque professor não é profissão é atividade, você sabe disso.

Talvez você cobre dos seus professores hoje, lá na faculdade, que eles sejam profissionais de renome no mercado, que atuem no mercado, e não simplesmente deem aula. Até porque a gente sabe o seguinte: as mudanças de mercado, seja lá qual for a área que você atue, é muito muito grande.

Responsabilidades
E aí falando sobre a atividade de professor, porque alguns aqui querem dar aula, bacana. Por que você quer dar aula? Por que é bacana, dá status? Ou por que você tem uma competência, em que perto da média você é superior, e sabe que pode orientar outras pessoas, formando pessoas melhores? Se for isso bacana. Se você quiser dar aula só porque acha legal para. Você tem de ter uma competência que se sobressaia à maioria.

Mas não é só isso. Você vai ter de se atualizar constantemente, vai ter de ser um pesquisador, vai ter de preparar aula, ensaiar no espelho, saber conviver com a diversidade…

porque aluno é folgado, você não tem ideia de como é que é, você fala para ele: “leia um livro de duzentas páginas”, ele fala: “é muito”. Se a sua aula não é show, ele não quer. Ele se esquece de pesquisar você na internet para saber se você é habilitado para falar daquilo, e acaba privilegiando o cara que solta ele mais cedo, só que ele está pagando pelo todo. Entenda uma coisa: ou você aprende na vida com amor ou pela dor.

Para dar aula você vai ter de ter um talento para mostrar que aquele conhecimento que você vai passar… você é melhor do que todos que estão lá dentro. E vai ter de ter a humildade de saber explicar, mesmo que aquilo seja óbvio para você.

Salário
Entenda uma coisa: a profissão de professor é boa? É, não é ruim. Quanto pode ganhar um professor? Hoje em torno de R$ 30 a hora. Quer dizer que se ele der dez horas vai ganhar R$ 300 por dia? Sim, cabe saber o que para você é um bom salário… vai depender do seu sonho, do seu objetivo de vida.

Um professor hoje de pós-graduação, de MBA, ganha entre R$ 150 a R$ 350 a hora, dependendo da instituição. A hora? É, a hora. Quer dizer que se ele der dez horas vai ganhar R$ 3,5 mil, é.

Mercado de trabalho
Vamos ver se faltou mais alguma coisa. Como é que eu avalio o mercado de trabalho para a área de educação? Gente, não para de crescer. Em 1990, Peter Drucker (considerado o pai da administração moderna) falou o seguinte: que o segmento que mais cresceria no mundo seria o de educação. O segundo seria o de saúde. E isso é verdade.

A gente sempre pensa que ser professor nos limita a dar aula em escolas. Não é verdade. Hoje as empresas, a que você trabalha, contratam lá pela área de recursos humanos empresas para fazer treinamento. E você pode se preparar para isso. Aliás, é um bom caminho para começar, dar treinamento em empresas. Sobre atendimento, gestão, português, matemática, finanças…

As empresas contratam constantemente. Aliás, pode ter uma oportunidade aí na sua empresa, de informações que você teve lá na faculdade que você pode, junto com o seu gestor, falar o seguinte: “olha, aprendi uma coisa e gostaria de multiplicar isso com a equipe, que eu acho que é produtivo.”

Segredo para ser bem-sucedido
Sabe qual é? É acreditar piamente que você pode. E ser o melhor naquilo que vai fazer. E pensar a longo prazo, fazendo no curto prazo. Pensa nisso, sucesso sempre, quero te ver. Na tua próxima aula me chama para ser seu aluno. Um abraço, tchau tchau.

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